Capítulo 3 Ela comeu seu bebê

“O quê?”

Sophia congelou, a mente ficando em branco.

Ela agarrou Rainey e a sacudiu freneticamente, o cabelo desgrenhado grudado no rosto manchado de lágrimas. “Isso é impossível. Você está mentindo!”

Rainey saboreou o colapso dela, com um sorriso cheio de satisfação. “Por que eu mentiria? Seus pais estão no necrotério no segundo andar neste exato momento. Se você não acredita, vá ver com seus próprios olhos.”

Sophia jogou o cobertor para o lado e se esforçou para sair da cama.

Mas seu corpo já estava desmoronando. O ferimento lá embaixo ainda sangrava, e cada movimento fazia uma dor aguda atravessar seu abdômen como uma faca.

Assim que o pé tocou o chão, a perna falhou e ela despencou no piso.

Sophia soltou um gemido de dor, mas ainda assim pressionou as mãos contra o chão, desesperada para se levantar.

Os braços também tremiam, incapazes de sustentá-la. Ela mal conseguiu se erguer antes de desabar de novo.

Rainey se aproximou, ergueu o pé direito e cravou o salto alto na mão de Sophia.

“Ahhh!” Sophia gritou. O salto fino perfurou seu dedo, e o sangue jorrou.

“Ops, desculpa, eu pisei em você.” Rainey inclinou a cabeça com um sorriso e pressionou com ainda mais força.

O corpo inteiro de Sophia tremia de dor. A unha estava prestes a se arrancar, mas ela ainda mordeu o lábio e encarou Rainey.

Rainey esfregou o salto nas costas da mão de Sophia e então se abaixou. “Olha só pra você, rastejando no chão como um cachorro. Se eu fosse você, eu morria e ia pro inferno ficar com mamãe e papai, em vez de viver e passar vergonha.”

As lágrimas de Sophia desceram em torrente. Ela não conseguia chorar alto — o nó na garganta só deixava escapar soluços quebrados.

Ela tentou se levantar, mas, com a mão presa, não conseguia se mexer.

Rainey finalmente levantou o pé, endireitou-se e deu um passo para trás, olhando para Sophia como se ela fosse lixo.

Sophia ignorou a mão ferida e rastejou em direção à porta, apoiando-se nas duas mãos.

Ela ainda sangrava lá embaixo, e, a cada vez que se arrastava, deixava um longo rastro de sangue nos azulejos brancos — indo da beira da cama até a porta.

A porta do quarto do hospital estava a apenas alguns passos. Mas aqueles poucos passos pareciam uma rua inteira.

Rainey ficou parada, observando Sophia rastejar, o sorriso se aprofundando.

Sophia finalmente alcançou a porta. Um par de sapatos de couro brilhantes apareceu no seu campo de visão.

Ela ergueu o olhar e viu Joshua diante dela, olhando para baixo sem expressão.

Ela estendeu a mão ensanguentada e agarrou a barra da calça dele, as unhas empastadas de sangue. “Joshua… me diz… meu filho morreu?”

Joshua olhou para a mão dela, a testa franzindo de leve.

“Meus pais também morreram?” A voz de Sophia começou a tremer. Lágrimas escorreram pelo rosto, pingando no chão e se misturando ao sangue.

Joshua não respondeu. Apenas a encarou.

Nesse instante, Rainey correu por trás, a expressão mudando na mesma hora.

“Ai, meu Deus, Sophia, por que você saiu da cama?” Rainey estendeu a mão para ajudá-la. “Eu disse para você ficar na cama. Você ainda não está bem. Para onde você está tentando ir?”

Sophia sacudiu a mão de Rainey com violência, os olhos cheios de ódio, cuspindo as palavras entre os dentes cerrados. “Some daqui!”

Rainey cambaleou um passo para trás; a expressão dela congelou por um instante antes de se recompor depressa naquele ar de coitada.

— Sophia, eu só estou tentando te ajudar.

Sophia a ignorou e continuou puxando a barra da calça de Joshua, soluçando.

— Diz alguma coisa!

Joshua não disse nada. Ele se abaixou, pegou Sophia do chão e se virou na direção da cama do hospital.

Rainey chamou por trás:

— Joshua...

— Saia — disse Joshua friamente, sem olhar para trás.

A expressão de Rainey endureceu. Os lábios dela se mexeram como se fosse falar, mas, ao ver as costas geladas de Joshua, ela não teve coragem. Saiu do quarto a contragosto.

Joshua colocou Sophia na cama. No momento em que ia soltá-la, Sophia agarrou as mangas dele com as duas mãos, a voz tremendo.

— Onde está o nosso filho? Ele ainda está vivo, não está?

Joshua ficou ao lado da cama, olhando para ela de cima; os lábios finos se abriram.

— Não mencione aquele bastardo para mim.

— Bastardo? — Sophia encarou Joshua, incrédula, e gritou, histérica. — Aquele é seu filho, Joshua! Você é humano? Você nem reconhece o próprio sangue!

— Meu? — Joshua soltou uma risada fria, os olhos cheios de escárnio. — Sophia, você ainda está fingindo? O exame de paternidade está preto no branco — aquela criança não tem nada a ver comigo.

Sophia continuou chorando.

— Aquele filho é mesmo seu. Se você não acredita em mim, a gente pode fazer outro exame de paternidade agora mesmo.

— Chega. — Joshua agarrou a garganta de Sophia; os olhos dele estavam injetados de sangue. — Você quer ver aquele bastardo? Ótimo. Vou realizar o seu desejo.

Ele a largou, e Sophia teve uma crise de tosse, ofegando, buscando ar.

Joshua se endireitou e gritou em direção à porta:

— Tragam para dentro.

Sophia olhou para ele, atônita, sem saber o que ele pretendia fazer.

A porta do quarto do hospital se abriu. Um subordinado entrou carregando uma tigela de porcelana branca, colocou-a no criado-mudo e saiu.

Sophia se virou para olhar a tigela. O caldo era turvo, com uma película fina de gordura boiando por cima e um cheiro indefinível de peixe.

— O que é isso? — A voz dela tremia.

Joshua a encarou; os lábios se curvaram num arco frio.

— Você não queria ver aquele bastardo? Beba, e eu te levo para ver ele.

Sophia parou por um instante e, de repente, agarrou a manga de Joshua, a esperança se acendendo de novo nos olhos.

— Eu sabia. Ele não morreu, morreu?

Joshua olhou para ela; os olhos não tinham calor algum.

— Primeiro beba.

Sophia soltou a manga dele e pegou a tigela com as mãos trêmulas. O cheiro de peixe a fez querer vomitar.

Mas, para ver o filho, ela engoliu a náusea, cerrou os dentes e jogou a cabeça para trás, bebendo em grandes goles.

Logo, a tigela estava vazia.

Sophia colocou a tigela de lado, limpou o canto da boca e ergueu os olhos para Joshua, com as pupilas avermelhadas.

— Eu terminei. Agora você pode me levar para ver a criança?

Joshua ficou ao lado da cama, olhando para ela de cima; os lábios se curvaram num sorriso sinistro.

— Você já viu.

— O quê? — Sophia o encarou, sem entender.

O olhar de Joshua caiu sobre a tigela vazia, e ele disse, palavra por palavra:

— Agora ele virou um com você.

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