Capítulo 5 Sopa para bebês, ração para cobras

Presas afiadas perfuraram a panturrilha de Sophia.

A dor atravessou sua perna.

Ela chutou com força, e a cobra foi arremessada, batendo na parede.

Antes que conseguisse recuperar o fôlego, uma dor lancinante rasgou seu ombro.

Uma naja preta cravou as mandíbulas na sua escápula.

O veneno se infiltrou na corrente sanguínea dela.

Não era letal, mas a agonia se espalhou de forma descontrolada por cada parte do seu corpo.

Sophia se contorceu. Suas mãos estavam acorrentadas — ela não conseguia alcançar as costas.

Ela se jogou contra a parede. Uma vez. Duas. Até a pele se abrir e o sangue escorrer pelo concreto.

As cobras sentiram o cheiro do sangue e avançaram sobre ela com ainda mais frenesi.

Coxas, braços, cintura — em toda parte, aquela sensação lisa, escorregadia, e a ferroada aguda das presas.

Sophia rolou no chão, arfando por ar. Suor e sangue escorriam para dentro dos seus olhos, ardendo.

Ela se recusava a aceitar aquilo.

Seus pais haviam morrido horrivelmente. Seu filho recém-nascido tinha sido fervido e transformado em sopa. Ela nem sequer tinha tocado nos inimigos — ela ia mesmo morrer naquele porão escuro?

Não. Ela não podia morrer.

Ela tinha que sair viva. Tinha que fazer Joshua e Rainey pagarem com o próprio sangue.

Cerrou os dentes, aguentando a dor, arrastando as correntes pesadas centímetro a centímetro em direção à porta de ferro.

A cada centímetro que se movia, as cobras sobre seu corpo se apertavam.

— Socorro!

— Alguém! Me salva!

Ela gritou para a porta de ferro até sua voz ficar rouca.

Dois seguranças corpulentos estavam do lado de fora. Os dois mantinham as mãos atrás das costas. Nenhum virou a cabeça.

Através da parede de vidro especial, Sophia conseguia ver claramente a frieza no rosto deles.

O veneno se espalhava. Seus membros ficavam dormentes. A dor ficava mais aguda, como se estivessem esmagando seus ossos.

Então o som de saltos altos ecoou no corredor.

Rainey parou do lado de fora da parede de vidro, segurando uma bacia de plástico preta, os lábios se curvando num sorriso enlouquecido.

Ela apertou um interruptor na parede. Uma pequena abertura apareceu na parte de baixo da porta de ferro — a portinhola usada para comida.

— Sophia, como é ser mordida por cobras?

A voz doce de Rainey soou pelo alto-falante.

Sophia estava deitada no chão, coberta de sangue, ofegante. Várias cobras estavam enroladas em seus tornozelos, apertando sem parar.

Ela ergueu a cabeça, encarou Rainey com força e cerrou os dentes.

— Rainey... você vai morrer de um jeito horrível.

Rainey caiu na gargalhada.

— Eu estou vivendo muito bem. Por que eu morreria? Se alguém vai morrer, é você.

Ela sacudiu a bacia de plástico. Dentro havia um monte de carne moída vermelho-escura, exalando um cheiro forte de sangue e peixe.

— Ah, e a propósito, Sophia, essas cobras estão passando fome há dias. Joshua me disse especialmente para dar a elas uma refeição extra.

Sophia a ignorou, fechando os olhos, suportando onda após onda de dor.

Rainey tirou um saco transparente lacrado.

— Sophia, olha o que é isso.

Através do vidro, Rainey ergueu o saco. Dentro havia um pedaço de carne, ainda manchado de sangue.

— Isso aqui é parte do seu filho bastardo. Joshua ia jogar no lixo, mas eu fui boazinha e guardei como lembrança pra você.

Sophia encarou o saco, os olhos injetados, veias vermelhas se espalhando por eles como teias.

— Rainey! Eu vou te matar! Eu vou te matar!

Ela socou a parede de vidro. As correntes bateram no vidro, mas ele não se mexeu.

Rainey riu ainda mais alto.

— Me matar? Com o quê você vai me matar? Você nem consegue se proteger agora.

Ela despejou o conteúdo do saco lacrado dentro da bacia de plástico.

Depois foi até a portinhola, agachou e, com a mão enluvada, pegou um punhado de carne moída para mostrar a Sophia.

— Olha bem... esse pedaço de cartilagem. Não é o dedo do seu filho?

— Ah, e esse pedaço aqui. Uma carne tão macia.

A mente de Sophia se despedaçou.

Encarando aquele punhado de carne moída, ela balançou a cabeça como uma louca.

— Não. Por favor, não.

— Rainey, eu me ajoelho pra você, tá bom? Eu faço qualquer coisa que você quiser. Por favor—

Rainey caiu na gargalhada. — Sophia, olha pra você. Você está parecendo um cachorro.

A boca dela se esticou num arco exagerado.

— Eu realmente quero te ajudar.

— Mas, infelizmente, esses restos que sobraram de fazer a sopa… o Joshua disse que jogar fora ia poluir o ar. Ele mandou eu dar pras cobras.

— Você sabe como é. Eu sempre obedeço ao Joshua.

Dito isso, Rainey jogou o punhado de carne moída pela abertura.

A carne caiu no chão de concreto escuro e úmido.

As cobras ao redor de Sophia foram atraídas na hora pelo forte cheiro de sangue.

Elas a abandonaram, retorcendo o corpo e deslizando rápido em direção à carne no chão.

— Não comam!

Sophia soltou um grito estridente, insuportável.

Ela se atirou para a frente como uma louca.

As correntes esticaram, cortando fundo seus pulsos. O sangue escorreu livremente.

Ela não conseguia sentir a dor.

Na mente dela havia apenas um pensamento: aquilo era o filho dela. O filho que ela carregara por nove meses e que nem sequer tivera a chance de ver o mundo.

Uma píton grossa foi a primeira a alcançar a carne.

Ela abriu bem a boca, prestes a engolir.

Sophia se jogou no chão e agarrou o pedaço de carne com a mão.

— Sai! Não encosta no meu filho!

Ela apertou a carne com força contra o peito. Lágrimas e sangue cobriam seu rosto.

A píton, com a refeição roubada, enfureceu-se.

Ela se ergueu, abriu a boca ensanguentada e cravou os dentes no braço de Sophia, rasgando com força.

Um pedaço de carne se desprendeu. O sangue jorrou, respingando na carne.

As mãos de Sophia já estavam mordidas até virar uma polpa sangrenta, fundo o bastante para se ver o osso. Mesmo assim, ela não soltou.

Ela pressionou o corpo com força sobre a carne no chão, as mãos reunindo desesperadamente os pedaços espalhados sob si.

— Não comam. Por favor, não comam.

Ela chorou e implorou, com a voz rouca a ponto de ficar irreconhecível.

As cobras não entendiam a fala humana.

Elas subiram pelos braços e pelas coxas dela, abrindo bocas cheias de presas e mordendo seu corpo freneticamente.

Uma víbora verde mordeu a lateral do pescoço dela. Outra cobra se enfiou por dentro de suas roupas, abrindo sulcos profundos e sangrentos no corpo.

Sophia se encolheu, usando a própria carne e o próprio sangue para proteger a carne.

— Bebê, não tenha medo. A mamãe vai te proteger.

— A mamãe está aqui.

Ela murmurava em delírio, apertando contra o peito a carne suja de terra e fedida.

O veneno correu pelo corpo dela, e ela cuspiu um bocado de sangue fresco, borrifando-o sobre a carne em seus braços.

— Bebê, não tenha medo.

Ela tinha perdido toda a sanidade, caindo numa ilusão enlouquecida — acreditando que a carne em seus braços ainda era um filho vivo.

Cada vez mais cobras avançavam sobre ela.

Elas sentiam o cheiro da comida e também o cheiro ainda mais forte de sangue no corpo de Sophia.

Uma após a outra, incontáveis cobras rastejaram pelas pernas dela. Enrolaram-se nas coxas e, em seguida, se enroscaram na cintura.

A maior píton soltou o braço dela e deslizou pelas costas. O corpo grosso se enrolou no pescoço de Sophia, volta após volta.

Apertando.

As costelas de Sophia estalaram — um som seco.

As costelas quebradas pareciam perfurar seus pulmões, deixando sua respiração entrecortada.

Ela já não tinha forças para lutar. O rosto ficou roxo, as veias saltando na testa.

Ela abriu bem a boca, mas não conseguiu emitir som algum.

Ainda assim, suas mãos continuavam agarradas ao monte de carne em seus braços.

Do lado de fora da parede de vidro, Rainey gargalhava histericamente.

— Hahaha! Sophia, você está absolutamente patética desse jeito!

— Vai pro inferno você e seu filho bastardo!

A falta de ar piorou. O ar dos pulmões dela foi sendo espremido aos poucos.

A visão de Sophia começou a embaçar. A cena diante de seus olhos virou grandes manchas de vermelho-sangue.

Incontáveis cobras venenosas a engoliram por completo.

A consciência dela começou a afundar, cada vez mais, na escuridão.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo