Capítulo 6 Embebido em desinfetante e drenado de sangue

Um cheiro químico pungente invadiu direto o nariz de Sophia.

Ela arfou e começou a tossir violentamente.

O líquido gelado subiu além do pescoço. Cada centímetro da pele dela gritava de dor.

Os buracos ensanguentados deixados pelas presas da cobra encharcaram no produto químico altamente concentrado, fazendo sua carne repuxar.

Embora estivesse viva, a dor a atravessava em ondas — pior do que as mordidas da cobra.

Ela se esforçou para erguer os braços, espirrando o líquido.

— Ela acordou.

Uma voz masculina, grave, veio de cima.

Sophia tremeu e se obrigou a olhar para cima apesar da dor.

Joshua estava na borda do enorme tanque.

Ele vestia um terno preto bem cortado, com os punhos arregaçados, um cigarro meio queimado entre os dedos. A fumaça se enroscava ao redor dele.

Ela estava de molho dentro do tanque gigantesco, cheio de algum líquido desconhecido.

Sophia abriu a boca, mas só saiu um som rouco.

— O que é isso...

Joshua sacudiu a cinza, num tom indiferente.

— Desinfetante de alta concentração.

Sophia paralisou.

Joshua apagou o cigarro e o jogou dentro do tanque. Ele chiou e se apagou ao lado do rosto dela.

— Você é suja demais. — Ele agarrou o queixo de Sophia, obrigando-a a erguer o rosto. — Você foi tocada por tantos homens, e ainda se rolou naquele fosso de cobras. Sem deixar você de molho em desinfetante por dias, como vamos lavar a imundície desses seus ossos baratos?

Sophia mordeu o lábio inferior. Um gosto de ferrugem tomou sua boca.

— Joshua, só me mata.

— Quer morrer? — Joshua zombou e empurrou a cabeça dela para dentro do desinfetante.

O líquido pungente invadiu sua boca e seu nariz. Sophia arranhou desesperadamente a borda do tanque.

Alguns segundos depois, Joshua agarrou o cabelo dela e a puxou para fora.

Sophia arfou, tossindo coágulos de água ensanguentada.

Nesse instante, a pesada porta de correr se abriu.

Rainey entrou vestindo um avental hospitalar grande demais, o rosto mortalmente pálido.

Ela parou ao lado de Joshua.

— Joshua... — Rainey puxou a manga do paletó dele, com a voz fraca. — Pare de torturar a Sophia. Cof, cof, cof...

Ela tossiu com violência, pressionando um lenço contra a boca. Quando o afastou, havia sangue vermelho-vivo.

Joshua se curvou e tomou Rainey nos braços, com o cobertor e tudo.

— Doutor, o que está acontecendo?

Um homem de meia-idade de jaleco branco entrou às pressas com uma maleta, verificando as pálpebras de Rainey enquanto suava.

— Sr. Thomas, a função hematopoética da Srta. Ward está enfraquecendo, e os órgãos dela apresentam sinais de falência. Suspeitamos de leucemia. — O médico enxugou o suor frio da testa.

A mandíbula de Joshua se contraiu, os olhos cheios de incredulidade.

— O que podemos fazer?

O médico disse:

— Só um transplante de medula óssea pode salvar a vida da Srta. Ward.

— Peguem a dela. — Joshua apontou, sem hesitar, para Sophia no tanque.

O sangue sumiu do rosto de Sophia.

O médico seguiu o dedo de Joshua, e seu rosto também empalideceu.

— Sr. Thomas, a condição física da Srta. Hernandez é extremamente ruim. Ela acabou de sofrer um aborto espontâneo com hemorragia intensa, lacerações graves e veneno de cobra no organismo. Tirar sangue e medula óssea agora a mataria na hora.

— E eu lá me importo se ela morrer? — Joshua caminhou até o tanque, agarrou o braço de Sophia e a arrastou para fora do desinfetante.

O corpo de Sophia bateu no chão duro de azulejo. Ela se encolheu de dor.

A água pingava de seu queixo, formando poças vermelho-claras sobre o piso.

— Joshua... — Sophia agarrou a ponta do sapato dele com as duas mãos, as unhas quase quebrando. — Eu não traí. Aquela criança era seu próprio sangue. Você...

Joshua chutou as mãos dela para longe.

— Ainda mentindo.

O impacto fez seus órgãos internos se revirarem. Ela vomitou várias golfadas de desinfetante misturado com coágulos de sangue.

Rainey balançou a cabeça fracamente, com um ar abatido.

— Joshua, esquece. Sophia é tão digna de pena. Como eu poderia tirar a medula óssea dela para me salvar? Não importa se eu morrer, contanto que vocês fiquem bem...

— Cala a boca! — Joshua se virou e rugiu para o médico. — Termine isso logo! Preciso te ensinar a tirar sangue?

O médico estremeceu e abriu depressa sua maleta, tirando agulhas grossas, bolsas de sangue e uma agulha de punção de medula óssea.

Vários guarda-costas fortes avançaram e imobilizaram os ombros e as pernas de Sophia.

Sophia se debateu desesperadamente.

— Me soltem! Me soltem!

Ela tentou resistir, mas os guarda-costas a prenderam com facilidade.

Joshua deu um passo à frente e pisou na mão direita dela, que se contorcia.

Seus ossos rangeram, quase quebrando.

Sophia soltou um grito agudo.

— Faça. — Joshua franziu a testa e pressionou com mais força.

O médico segurou a agulha, com as mãos tremendo violentamente.

Ele amarrou um torniquete no braço de Sophia, encontrou a veia murcha e enfiou a agulha com força.

Sangue vermelho-escuro correu pelo tubo até a bolsa.

O corpo de Sophia se convulsionou.

À medida que o sangue era drenado, o calor de seu corpo ia embora aos poucos. Seu rosto, que já estava pálido, perdeu toda a cor, e seus lábios ficaram cinza-acinzentados.

A primeira bolsa encheu.

O médico olhou para Joshua com hesitação.

— Sr. Thomas, não podemos tirar mais. Se continuarmos, a Srta. Hernandez entrará em choque hemorrágico.

— Continue. — Joshua não piscou.

Rainey estava sentada ali perto e, sob o lenço que cobria sua boca, seus lábios se curvaram em um leve sorriso.

Ela se inclinou e sussurrou para que só Sophia pudesse ouvir.

— Seu sangue, sua medula. Daqui a pouco? Tudo meu. E não há merda nenhuma que você possa fazer a respeito.

Sophia encarou com força o rosto hipócrita de Rainey. O ódio fervilhava em seu peito.

Ela queria avançar e arrancar o rosto de Rainey, mas seu corpo estava pesado demais para erguer sequer um dedo.

— Preparem-se para a punção de medula óssea. — A voz do médico tremia.

Os guarda-costas viraram Sophia de bruços com brutalidade. Iodo gelado foi espalhado na parte inferior de suas costas.

Sophia parou de se debater e deixou que a segurassem.

A grossa agulha de medula óssea perfurou sua pele, atravessou o periósteo e foi direto até o osso.

Uma dor excruciante percorreu seu corpo inteiro, arrancando dela um grito.

Mas logo ela já não conseguia emitir som algum.

O suor frio encharcou sua camisola de hospital, já ensopada de desinfetante.

O médico extraiu o fluido da medula óssea, suando. O líquido vermelho encheu a seringa.

Só então Joshua tirou o pé de cima de Sophia.

A mão dela caiu, inerte, sobre o piso de azulejo.

Sua visão ficou turva. Os sons ao redor foram se tornando cada vez mais distantes.

Até que a escuridão a engoliu por completo.

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