Capítulo 7 Rainey quer matá-la!
O líquido vermelho na seringa acabara de encher até o topo.
A cabeça de Sophia tombou, mole, para o lado, completamente imóvel.
A mão do médico tremeu, e a seringa caiu no chão. Ele estendeu a mão para verificar a respiração de Sophia, e um suor frio ensopou suas costas.
— Sr. Thomas! A srta. Hernandez entrou em choque!
Joshua congelou, franzindo as sobrancelhas enquanto encarava o médico.
— O que foi que você disse? É só tirar um pouco de sangue. Como ela poderia entrar em choque?
Um brilho calculista passou pelos olhos de Rainey. Ela adotou de propósito uma voz lamentável.
— A Sophia deve estar fingindo porque não quer doar medula óssea para mim.
Ela puxou a manga de Joshua.
— Joshua, deixa pra lá. Sophia me odeia tanto... Como poderia estar disposta a me salvar? Mesmo que eu morra por causa dessa doença, não quero vê-la se forçando assim.
Joshua avançou e agarrou o cabelo molhado de Sophia. Ele puxou sua cabeça para cima.
Os olhos de Sophia estavam bem fechados, o rosto pálido como cinza. Ela deixou que ele a puxasse sem reagir.
Joshua soltou um muxoxo e largou a cabeça dela de lado. O corpo de Sophia bateu no chão como o de uma boneca de pano.
Joshua olhou para ela com um sorriso de escárnio.
— Bancando a durona? Que fofo. Continua fingindo que está inconsciente. Eu vou transformar isso em realidade.
Ele se virou para o médico, com um tom assustadoramente frio.
— Não precisa de compatibilidade. Levem-na direto para a sala de cirurgia. Retirem a medula óssea dela.
O médico ficou horrorizado e continuou recuando.
— Sr. Thomas! Isso não está certo. O estado físico da srta. Hernandez está extremamente debilitado. Extrair medula óssea à força vai matá-la.
Joshua chutou o carrinho médico ao lado. Os instrumentos se espalharam pelo chão com estrondo.
— Eu te pago para me dar ordens? Extraia agora. Se ela morrer, eu responsabilizo você.
O médico tremia. Sem ousar desobedecer, chamou rapidamente vários seguranças.
Os seguranças avançaram e agarraram os braços de Sophia. Arrastaram-na dali; as pontas dos pés dela se arrastavam, frouxas, pelo chão, deixando um longo rastro de sangue no corredor.
As luzes duras da sala de cirurgia se acenderam.
Sophia recuperou um pouco da consciência em meio a uma dor lancinante. Sentiu-se amarrada de bruços na mesa de operação. Uma dor aguda vinha da parte inferior das costas. Uma grossa agulha de medula estava enfiada diretamente em sua coluna.
Foi então que ela ouviu Rainey e Joshua conversando.
— Joshua, o médico me disse que eu tinha sido diagnosticada errado antes. Eu não tenho leucemia. Sinto muito que Sophia tenha ido parar na mesa de cirurgia por minha causa. A culpa é toda minha.
A voz de Joshua estava completamente sem emoção enquanto consolava Rainey.
— Está tudo bem. O diagnóstico errado não foi culpa sua. Desde que você esteja bem. Já que não precisamos mais da medula óssea, é só arrastar essa mulher para fora.
Sophia estava deitada na mesa de operação, os dedos agarrando a borda com tanta força que as unhas racharam.
Rainey não estava doente coisa nenhuma. Aquilo tinha sido uma armadilha que ela armara de propósito.
Sophia queria gritar, queria expor a verdadeira face de Rainey, mas nenhum som saiu de sua garganta. Ela não tinha mais forças, e sua visão foi ficando cada vez mais turva.
Seus olhos escureceram, e ela caiu mais uma vez em uma escuridão sem fim.
Quando acordou, o ambiente ao redor estava assustadoramente silencioso.
Sophia estava deitada na cama do hospital, sem conseguir levantar um dedo. O menor movimento na região lombar lhe arrancava um suor frio de tanta dor. O soro acima de sua cabeça pingava gota a gota.
Foi então que a porta do quarto se abriu. Rainey entrou.
Ela se aproximou da cama, olhando Sophia de cima.
— Você tem sorte de ainda estar viva.
Sophia cerrou os dentes, sílabas quebradas escapando da garganta.
— Rainey, sua vadia.
Rainey repuxou os lábios com desprezo. Tirou do bolso um pequeno frasco de vidro sem rótulo e, em seguida, uma seringa descartável. Com habilidade, aspirou o líquido transparente do frasco.
— Sophia, você viva é um estorvo. Mesmo que Joshua te odeie, enquanto você ainda estiver respirando, eu não consigo dormir em paz.
Rainey ergueu a seringa, apontando a agulha para o frasco do soro.
— Isso aqui é coisa boa, paguei caro. Assim que eu injetar, você morre rápido de insuficiência cardíaca. Os médicos não vão encontrar nada errado. Só vão concluir que você estava fraca demais depois da extração de medula óssea e não resistiu.
A agulha perfurou a tampa. O líquido transparente foi sendo empurrado para dentro, pouco a pouco.
A mente de Sophia explodiu. Ela não podia morrer. Não podia morrer pelas mãos daquela vadia da Rainey. Ainda não tinha vingado o filho. Ainda não tinha limpado o nome dos pais.
Buscando forças de algum lugar, Sophia ergueu de repente a mão sem o acesso e agarrou o pulso de Rainey.
Rainey não esperava que Sophia ainda tivesse força para resistir.
— Vadia! Solta!
Ela puxou a mão de volta, mas Sophia segurou firme, as unhas cravando na carne de Rainey.
Com a outra mão, arrancou a agulha do soro diretamente da própria mão. O sangue jorrou, respingando nos lençóis brancos.
Com aquele impulso, Sophia virou o corpo e avançou sobre Rainey. As duas desabaram no chão.
Rainey deu um tapa no rosto de Sophia. A cabeça de Sophia virou, sangue escorrendo do canto da boca. Mas ela não soltou. Cravou os dentes no braço de Rainey.
Rainey gritou de dor, e a seringa caiu de sua mão. Sophia a pegou do chão. Prendeu Rainey no chão, pressionando-a, e segurou a seringa com as duas mãos.
— Você vai morrer. Sua assassina. Eu vou te matar.
Sophia estava fora de si. Ela virou a agulha e golpeou na direção do pescoço de Rainey.
Os olhos de Rainey se arregalaram. Ela nunca imaginou que Sophia pudesse explodir daquela forma, com tanta força. Desesperada, tentou bloquear a seringa.
Enfraquecida pela doença, Sophia logo perdeu forças para enfrentar a Rainey saudável. Percebendo a resistência diminuir, Rainey deu um chute e a empurrou para longe.
Ela se levantou, as roupas completamente desalinhadas. Rainey ofegava, encarando Sophia com ódio.
— Sua vadia. Você ainda tem coragem de reagir quando está prestes a morrer. Ótimo. Vou realizar o seu desejo. Você morre.
Dito isso, Rainey ergueu a seringa, os olhos cheios de veneno, e avançou com brutalidade em direção ao pescoço de Sophia.
Sophia estendeu a mão, segurando com força a mão de Rainey para impedi-la. Mas, recém-saída da mesa de cirurgia, logo perdeu forças para lutar contra ela.
A ponta da agulha estava a um fio de cabelo de perfurar sua pele.
Naquele momento desesperador, a porta do quarto explodiu ao se abrir. Joshua entrou a passos largos, pânico nos olhos.
— Parem!
Uma esperança cintilou nos olhos de Sophia. Joshua... você finalmente enxergou a verdadeira face daquela vadia da Rainey?
