Capítulo 20 - Diagnóstico
Emma saiu do consultório médico com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela tinha apenas vinte e três anos. Como poderia ter câncer de mama?
Emma sabia que ainda estava em choque com o diagnóstico. Seu corpo inteiro estava dormente, e ela tinha dificuldade para respirar. O que ela ia fazer?
Emma era mãe solteira de sua filha de cinco anos, Caterina, ou Cat, como ela preferia ser chamada. Elas tinham muito pouco dinheiro, mas eram felizes em seu pequeno apartamento de um quarto.
Emma estava tomada pela tristeza ao pensar em sua filha e se sentindo completamente sozinha. Ela tinha Leo, mas não tinha certeza se confiava nele para cuidar de Cat se algo acontecesse com ela. Afinal, o pai dele era a causa de muitos dos seus traumas de infância. Quem sabia o quanto a maçã caíra longe da árvore? O que aconteceria com Cat se ela não sobrevivesse?
Depois que Emma chegou ao carro, começou a dirigir até a escola de Cat. Ela estava apenas seguindo os movimentos, mas sem ver para onde estava indo. Emma continuava vendo Cat como um bebê e depois em seu primeiro aniversário.
Os cinco anos que ela teve com sua filha passaram diante de seus olhos, e ela sabia que não era tempo suficiente. Ela precisava de mais tempo. Cinco anos não eram suficientes.
Emma queria estar presente no sexto aniversário de Cat e vê-la ir ao baile de formatura. Ela queria ver sua filha se apaixonar e se casar. Emma queria ter a chance de mimar seus netos.
Ela encostou o carro e estacionou enquanto sua respiração se tornava mais rápida. Ela estava pensando em tudo o que perderia com Cat se morresse. Emma estava apavorada com o que aconteceria com sua filha. Por que isso tinha que acontecer com ela? Ela nunca machucou ninguém.
Emma estava sentada no carro chorando em frente à escola de Cat quando ouviu uma batida na janela, fazendo-a pular. Ela olhou para cima e viu Cat fazendo caretas para ela através da janela. Emma rapidamente secou os olhos enquanto ria de sua filha. Seu coração estava se partindo em mil pedaços ao pensar que talvez não tivesse a chance de vê-la crescer.
"Mamãe, o que aconteceu? Por que você está triste?" Cat olhou para sua mãe com preocupação em seus grandes olhos azuis enquanto subia no carro. Sua mãe nunca chorava, mesmo quando tinham muito pouca comida e nenhum dinheiro. Então, vê-la chorar agora fez Cat ficar com medo de que algo ruim tivesse acontecido.
"Oh, querida, eu só recebi uma notícia ruim, mas vamos falar sobre isso mais tarde." Emma não sabia como falar com uma criança de cinco anos sobre câncer. Cat estendeu a mão e segurou a mão da mãe.
"Seja o que for, mamãe, nós vamos superar isso juntas." Cat parecia determinada quando Emma olhou para ela. Emma não pôde deixar de sorrir com o que sua filha disse. Essas eram exatamente as palavras que Emma sempre dizia a Cat quando ela estava tendo um dia ruim.
"Você está certa, Cat. Nós vamos superar isso juntas. Que tal fazermos algo especial hoje? Vamos sair para comer pizza e tomar sorvete." Emma olhou para Cat, que ainda estudava o rosto da mãe com um olhar além de seus cinco anos.
"Mamãe, você tem certeza de que temos dinheiro para isso?" Emma sorriu para ela.
"Sim, querida, temos dinheiro para isso. Vamos nos divertir e esquecer todos os nossos problemas por um tempo. O que você acha?"
"Tá bom, mas você promete me contar por que estava triste mais tarde?" Emma sabia que Cat não ia deixar isso passar. Apesar de ser tão jovem, ela era extremamente sensível aos sentimentos dos outros.
"Sim, vamos conversar sobre isso quando chegarmos em casa, tá bom?" Emma estendeu a mão e afastou o cabelo comprido da filha do rosto. Olhando para sua menininha, ela teve que morder o lábio para impedir que as lágrimas caíssem.
"Tá bom, mamãe, vamos nos divertir." Cat podia perceber que sua mãe ainda estava chateada, mas se ela queria se divertir, então Cat também queria se divertir. Ela subiu no banco de trás e se acomodou na cadeirinha antes de partirem.
Emma levou Cat para comer pizza no lugar favorito delas e deixou que ela comesse o quanto quisesse. Elas até comeram no local, algo que nunca faziam porque não podiam pagar pelas bebidas ou pela gorjeta.
Emma queria que Cat tivesse uma boa lembrança antes de falar com ela sobre o diagnóstico de câncer. Assim, talvez, se as coisas não dessem certo, ela guardaria essa memória depois que Emma se fosse. Ela podia perceber que Cat ainda estava preocupada com ela e parecia saber que aquilo era uma distração, mas Cat não mencionou mais o assunto.
Depois que estavam cheias de pizza e as sobras foram embaladas, elas caminharam até a sorveteria. Ambas pegaram casquinhas de sorvete com duas bolas. Emma riu ao ver Cat tentando equilibrar sua grande casquinha com suas pequenas mãos, mas ela estava determinada a fazer isso sozinha. Quando chegaram em casa e a pizza estava na geladeira, Cat se virou para sua mãe com as mãos nos quadris.
"Estamos em casa agora, mamãe. Por que você estava triste no carro?" Cat tinha uma expressão que Emma conhecia bem. Era o olhar que Cat dava quando sabia que sua mãe estava tentando esconder algo dela.
"Vamos sentar no sofá para conversar, tá bom?" Cat assentiu e pegou a mão da mãe enquanto caminhavam até o sofá. Cat sentou no colo da mãe com a cabeça no peito dela enquanto Emma passava os dedos pelo lindo cabelo comprido da filha.
"Tá bom, mamãe, estou pronta para o que você precisa me contar." O coração de Emma estava se partindo enquanto ela abraçava sua filha.
"Cat, você sabe que eu fui ao médico hoje, e ela tinha algumas notícias ruins para mim. A Dra. Thompson disse que eu tenho uma doença chamada câncer de mama. Isso significa que eu posso ficar muito doente." Cat olhava para sua mãe com os olhos arregalados, e Emma podia ver as lágrimas começando a se acumular neles.
"Por quê, mamãe? Por que você vai ficar muito doente? A doutora não pode consertar e te deixar melhor?" A vozinha de Cat estava se quebrando, e Emma podia perceber que ela estava tentando não chorar.
"A doutora vai me dar remédios para tentar fazer a doença ir embora, mas pode ser que não funcione. Nós só temos que torcer para que o remédio funcione e eu fique totalmente melhor." Cat começou a chorar então, e Emma chorou com ela. Ela não queria dizer a Cat que o remédio poderia não funcionar e que ela poderia morrer.
Essa é uma realidade que elas enfrentariam outro dia. Hoje, ela só queria segurar sua filha e dar-lhe o máximo de amor possível. A ideia de não estar com Cat enquanto ela crescia era quase insuportável para Emma. Ela lutaria contra esse câncer com tudo o que tinha por Cat.
Quando Cat foi para a cama naquela noite, ela se deitou ao lado da mãe e chorou. Cat tinha ouvido uma das crianças da sua classe dizer que a avó tinha morrido de câncer. Ela estava com medo de que sua mãe morresse e ela ficasse sozinha.
Emma ouviu Cat chorando ao seu lado e se virou na cama para ficar de frente para ela. Emma envolveu os braços em torno de Cat e a segurou enquanto choravam juntas. Cat chorava com o pensamento de perder sua mãe. Emma chorava porque estava com medo do que aconteceria com Cat se ela não estivesse lá.
