Capítulo 3 - Ajuda
Regina observou Emma todos os dias durante duas semanas, procurando qualquer sinal que provasse que ela estava sendo maltratada. Pelo jeito que Emma se comportava na aula, Regina podia perceber que a menina estava tentando mostrar um rosto feliz, mas parecia triste quando achava que ninguém estava olhando.
Na terceira semana de aula, Regina viu a prova de que precisava. Emma estava usando uma saia azul e uma blusa branca de mangas curtas. Ela pôde ver um hematoma no braço da menina quando ela esticou o braço para pegar um giz de cera do outro lado da mesa. Regina decidiu que falaria com Emma na primeira oportunidade que tivesse.
Depois que Emma comeu seu lanche, Regina a chamou para sua mesa. As outras crianças estavam brincando, então ela poderia falar com Emma em particular, sem que ninguém mais ouvisse.
"Como você está, Emma?" A menina sorriu para ela, mas Regina percebeu que o sorriso não chegava aos olhos.
"Estou bem, Sra. Elrod. Fiz algo errado? Estou encrencada?" Regina viu lágrimas começarem a se formar nos olhos de Emma, então rapidamente a tranquilizou.
"Não, querida, você não está encrencada. Eu só queria conversar com você por um minuto. Tudo bem?" Emma enxugou as lágrimas e assentiu com a cabeça.
"Eu vi o hematoma no seu braço. Você pode me contar como isso aconteceu?" Emma puxou a camisa sobre o hematoma para tentar cobri-lo. Regina pôde ver que o hematoma tinha o formato de uma mão grande.
"Provavelmente foi quando eu caí, mas não me lembro." Emma desviou o olhar, não querendo que sua professora visse que ela estava mentindo. Ela não podia contar de onde realmente veio, ou Martin a machucaria ainda mais.
"Emma, eu não acho que você conseguiu isso caindo. Você pode me contar a verdade. Eu prometo que você não está encrencada. Eu quero ajudar você e sua mãe." Regina observou enquanto Emma começava a chorar. Ela entendia que a menina estava com medo de ser punida por dizer a verdade.
"Sra. Elrod, se eu contar o que aconteceu, ele vai nos machucar ainda mais. Prometi à minha mãe que manteria isso em segredo." Emma queria contar a verdade para a Sra. Elrod, mas não queria quebrar sua promessa. Sua mãe havia dito para ela garantir que a professora não visse seus hematomas, ou ambas seriam machucadas por Martin.
"Emma, se alguém está machucando você e sua mãe, essa pessoa é que estará encrencada, não você. Eu quero que alguém ajude vocês, mas não posso fazer isso se você não me contar o que aconteceu." Regina esperava que Emma falasse. Ela sabia que a menina não queria desapontar sua mãe.
Emma pensou no que a Sra. Elrod disse. Se alguém pudesse ajudá-las, talvez elas pudessem se mudar para que Martin não pudesse machucá-las mais.
"Tudo bem, Sra. Elrod, eu vou contar o que aconteceu. Você promete que ele não vai poder nos machucar se eu contar?" Regina sentiu um alívio imenso.
"Sim, eu prometo que ele não vai machucar vocês mais."
"Ontem, quando cheguei da escola, Martin chegou em casa, e meu irmão Leo tinha acabado de derramar o leite no chão da cozinha. Martin não gosta de bagunça, então ele pegou minha mãe pelo cabelo e segurou o rosto dela no leite. Ele chutou a lateral dela e depois bateu nela várias vezes. Quando eu disse para ele parar, ele agarrou meu braço e me empurrou com força no chão. Ele disse que a culpa era minha que Leo derramou o leite porque eu não estava cuidando dele." Emma olhou para o chão. Se ao menos ela tivesse garantido que Leo não derramasse o leite, sua mãe não teria se machucado.
"Emma, ele já fez isso com você antes?" Regina estava segurando as lágrimas. Ver a dor no rosto de Emma partia seu coração.
"Ele faz isso com minha mãe todos os dias. Ela tenta impedir que ele me machuque, mas ele faz isso de qualquer jeito." Emma esperava que a Sra. Elrod estivesse dizendo a verdade sobre Martin não machucá-las mais.
"Martin é seu pai, Emma?"
"Não meu pai de verdade. Ele me faz chamá-lo de pai, mas meu pai de verdade morreu."
"Tá bom, você pode ir brincar agora. Eu vou ligar para alguém, e você pode ter que contar tudo isso de novo, mas eles vão ajudar você e sua mãe." Regina queria abraçar Emma, mas achou que a menina não aceitaria.
"Tá bom." Emma caminhou até sua amiga Melora, que estava fazendo um quebra-cabeça.
Regina observou Emma se afastar e precisou de alguns minutos para não chorar. Ela estava com raiva tanto de Martin quanto de Paula. Como um homem podia machucar uma criança era algo que ela não conseguia entender, e o fato de Paula não ter deixado ele também a incomodava. Regina entendia que Paula poderia estar sendo abusada há tanto tempo que não sabia como sair, mas Emma não deveria pagar o preço.
Ela foi até o telefone na sua sala e ligou para a secretaria. Regina explicou tudo para Brice Gregory, o diretor, e ele disse que chamaria um policial para vir falar com Emma.
Cerca de trinta minutos antes do sinal, o policial Ezra Hart chegou à escola para ver Emma. Brice ligou para Regina e disse para ela mandar Emma para a secretaria para que o policial pudesse falar com ela em particular.
Emma caminhou devagar até a secretaria. Ela ainda estava com medo de se meter em problemas por contar sobre Martin. Quando chegou à secretaria, viu um policial grande sentado em uma das cadeiras. Ele tinha a pele marrom escura e olhos castanhos claros. Quando ele sorriu para ela, Emma se acalmou um pouco. Esse homem seria capaz de impedir Martin de machucá-las; ela tinha certeza disso.
"Oi, Emma. Meu nome é Oficial Hart, mas você pode me chamar de Ezra. Posso conversar com você um pouco?" Emma sentou-se na cadeira ao lado dele.
"Sim, Ezra. Você pode prometer que eu e minha mãe não vamos nos machucar?" Emma olhou para o homem grande ao seu lado.
"Sim, Emma, eu não vou deixar ninguém machucar vocês." Ezra sorriu para a menina assustada.
Emma contou tudo o que havia dito para a Sra. Elrod. Ezra teve dificuldade em manter a expressão séria, mas não queria assustar Emma. Quando ele pediu para ela mostrar o hematoma, ela levantou a manga, onde ele viu o hematoma no formato de uma mão que envolvia todo o seu braço.
Emma então se levantou para que ele pudesse olhar suas costas. Ele viu um grande hematoma que cobria parte das costas e do lado dela. Ela disse que foi de quando Martin a empurrou no chão. Ezra fez tudo o que pôde para conter sua raiva. Nenhuma criança deveria ser machucada dessa maneira.
"Emma, o sinal está prestes a tocar. Vou chamar sua mãe para vir aqui para que possamos falar com ela também. Depois disso, vou prender o Martin." Emma olhou para Ezra.
"Isso significa que ele vai para a cadeia onde os maus vão?"
"Sim. Você pode olhar pela janela e me dizer se vê sua mãe?" Emma olhou para fora e viu sua mãe parada com Leo ao lado. Ela apontou para Ezra, depois sentou-se novamente para esperar.
Paula estava com Leo, esperando por Emma. A surra que Martin deu nela na noite passada foi tão forte que ela levou o dobro do tempo para caminhar até a escola hoje.
Enquanto esperava o sinal tocar, ela olhou para a porta da escola e viu um policial caminhando em sua direção. Paula sabia imediatamente por que ele estava lá. A Sra. Elrod deve ter visto os hematomas de Emma. Paula queria fugir. Se Martin soubesse que outros sabiam o que ele fez, ele mataria ela e Emma.
"Sra. Edwards, por favor, venha comigo." Ezra viu o medo nos olhos da jovem mãe. Ele também notou que seu corpo frágil estava coberto de hematomas, mesmo na pequena parte da pele que não estava coberta. Ele já tinha visto isso mais vezes do que podia contar, mas nunca ficava mais fácil.
Paula abaixou a cabeça e o seguiu para dentro da escola. Ela não queria falar com ele do lado de fora, onde os outros pais já estavam olhando para ela. Emma correu para sua mãe e a abraçou assim que chegou ao escritório.
"Mamãe, desculpa, eu não consegui manter minha promessa. A Sra. Elrod viu o hematoma no meu braço, e eu não consegui mentir. Ezra disse que Martin não pode mais nos machucar. Ele vai para onde os maus vão." Emma olhou para sua mãe, esperando que ela não estivesse brava com ela.
"Tudo bem, Emma. Eu sei que não é sua culpa." Paula sentiu vontade de chorar, sabendo que seu segredo havia sido revelado.
Ezra pediu para Leo ficar com Emma na secretaria enquanto ele levava Paula para outra sala para conversar longe das crianças. Ela estava determinada a dizer para esquecerem tudo e deixarem elas irem para casa.
Paula sabia que nada de bom poderia sair disso. Se prendessem Martin, ele as machucaria ainda mais quando saísse. Ele era um dos principais advogados de defesa em Indianápolis, então talvez nem fosse para a cadeia. Isso seria apenas mais uma desculpa para ele bater nelas.
"Oficial, você precisa nos deixar ir para casa antes que meu marido descubra isso. Ele é advogado de defesa, então sei que não ficará muito tempo preso, mesmo que vá para a cadeia. Por favor, nos deixe ir e finja que isso nunca aconteceu." Paula implorou enquanto as lágrimas corriam pelo seu rosto. Ela se sentou em uma das cadeiras que ele apontou.
"Sra. Edwards, eu não posso fazer isso. Emma está muito machucada, e eu posso ver que você também está. Nenhum homem deveria poder fazer isso e sair impune; não me importa quem ele seja." Paula olhou para suas mãos enquanto as lágrimas caíam. Pelo menos ele não estava dizendo que ela era uma mãe terrível por deixar Martin bater em Emma. Ela tentou protegê-la o melhor que pôde.
"Por favor, nos deixe ir para casa. Emma e eu pagaremos o preço se o jantar dele não estiver pronto quando ele chegar." Paula olhou para Ezra com lágrimas escorrendo pelo rosto, e ele pôde ver o quanto ela estava destruída. Ele não as deixaria sair, não até Martin estar atrás das grades.
"Eu não posso fazer isso. Vou ligar para meu sargento e pedir para ele enviar um carro para buscar Martin. Uma vez que ele estiver sob custódia, então vocês podem ir para casa. Esta noite você e seus filhos podem ter paz."
"Talvez esta noite, mas o que acontece quando ele sair da cadeia amanhã? Ele vai culpar Emma e a mim por ele estar lá. Você vai se mudar para nossa casa para impedir que ele nos machuque? Quando ele voltar para casa, você deve preparar nossos funerais porque ele vai nos matar." Paula olhou nos olhos dele, e Ezra sabia que ela acreditava no que dizia.
"Sra. Edwards, não temos escolha. Temos que prendê-lo." Ezra pegou o telefone na sala e ligou para seu sargento. Ele explicou tudo o que Emma havia dito e o que ele testemunhou em Paula. Seu sargento disse que iriam buscar Martin no escritório dele.
Ezra desligou o telefone e olhou para Paula. Ele esperava poder cumprir sua promessa a Emma. Ele queria impedir Martin de machucá-las, mas sabia que Paula estava certa. Se Martin fosse solto, eles poderiam ter apenas piorado o pesadelo delas.
