Capítulo 4 - Mentiras

Ezra recebeu a notícia de que Martin foi preso em seu escritório de advocacia. Disseram que Martin lutou e gritou com os policiais, dizendo que não tinha feito nada de errado. Quando o levaram para a delegacia e o ficharam, Ezra decidiu que era seguro para Paula e as crianças voltarem para casa.

Ele viu o quanto Paula estava sofrendo e, mesmo morando a apenas alguns quarteirões de distância, ele os levou de carro. Quando pararam em frente à casa, Paula pediu para Emma levar Leo para dentro para que ela pudesse conversar com Ezra.

"Ezra, obrigada por tirar Martin daqui." Emma deu um sorriso doce enquanto levava Leo para dentro de casa.

"Senhor policial, o que eu devo fazer agora? Não tenho emprego nem dinheiro. Tudo está no nome de Martin. Se ele ficar na cadeia, não teremos comida nem como pagar as contas. Se ele sair, ele vai matar Emma e eu. Você não vê que piorou a situação?"

Paula tentava soar firme, mas lutava contra as lágrimas. Nada de bom sairia disso. Por que tinham que se meter em seus assuntos pessoais?

"Paula, não podemos ficar parados enquanto ele machuca você e Emma. Alguém tinha que parar isso antes que piorasse. Mesmo que ele saia, ele sabe que estaremos de olho nele. Ele vai pensar duas vezes antes de bater em você de novo." Ezra esperava que o que estava dizendo fosse verdade.

"Senhor policial, da próxima vez que nos vir, provavelmente estaremos mortas, e nosso sangue estará em suas mãos." Paula saiu do carro antes que ele pudesse responder. Ezra a observou caminhar lentamente para dentro da casa com a dor estampada no rosto. Suas palavras o atingiram como uma tonelada de tijolos. Ele rezou para que o que ela disse não se tornasse realidade. Ezra foi embora com um peso no peito.

Quando Paula entrou em casa, respirou fundo. Se nada mais, ela iria aproveitar aquela noite com as crianças sem Martin. Emma já estava sentada à mesa com Leo, olhando para Paula com expectativa.

"Mamãe, o que vamos fazer agora? Não precisamos nos preocupar com ele, então podemos fazer algo divertido?" Emma estava feliz sabendo que Martin estava com as outras pessoas más. Ezra prometeu que Martin não as machucaria mais, e ela sabia que a polícia não podia mentir.

"Que tal pedirmos uma pizza e assistirmos a um filme?" Paula sentou-se à mesa com as crianças e sorriu.

"Mamãe, podemos mesmo comer pizza?" Emma bateu palmas animadamente. Martin nunca deixava que comessem pizza ou assistissem a qualquer coisa na televisão.

"Onde está o papai?" Leo perguntou inocentemente, olhando para Paula. Ela não sabia como responder a princípio. Martin tratava Leo melhor do que a ela e Emma, então, claro, ele sentiria falta dele.

"Seu papai está com as pessoas más porque machucou a mamãe e eu." Emma falou de forma direta.

"Ok, crianças, vamos pedir nossa pizza e escolher um filme para assistir." Paula mudou de assunto antes que Leo pudesse fazer mais perguntas. Ela não queria que ele repetisse nada do que foi dito se Martin voltasse para casa.

Paula ligou e pediu pizza, que todos comeram felizes. Ela e Emma até riram, algo que não faziam há muito tempo. Depois de comerem, todos foram para a sala de estar e colocaram um filme infantil. Foi uma noite fantástica para todos eles.

Depois que todos tomaram banho e foram para a cama, Paula limpou a casa. Mesmo que Martin não estivesse lá, ela sentia que precisava manter tudo como se ele estivesse.

Quando terminou de limpar, foi para a cama e teve a melhor noite de sono desde a noite de seu casamento. De manhã, acordou quando Emma entrou correndo em seu quarto.

"Mamãe, está quase na hora da escola." Paula se inclinou e fez cócegas nela até que estivesse em lágrimas.

"Tá bom, mocinha, vamos tomar café da manhã e ir." Paula se levantou e arrumou a cama antes de se vestir. Ela deu café da manhã para as crianças e depois caminharam até a escola. Paula estava nervosa que Martin fosse liberado hoje, mas não disse nada a Emma. Não queria estragar seu bom humor se não fosse necessário.

Emma correu para a escola e para sua sala de aula. Quando entrou, foi direto para a Sra. Elrod e a abraçou. A professora ficou tão surpresa que não soube o que fazer a princípio.

"Bom dia, Emma." Ela disse enquanto dava leves tapinhas nas costas dela.

"Obrigada, Sra. Elrod. Martin não voltou para casa ontem à noite, e nós comemos pizza e assistimos a um filme. Nunca nos deixaram fazer isso antes." Emma sorriu para sua professora, e ela sorriu de volta.

"De nada, Emma. Fico feliz que você tenha tido uma noite divertida. Pizza é minha comida favorita." Regina adorava ver a empolgação no rosto de Emma. Ela não parecia assim desde que começou a escola.

Emma guardou suas coisas antes de se sentar ao lado de sua amiga. Ela estava de bom humor o dia todo, e quando sua mãe veio buscá-la depois da escola, ela saiu pulando para encontrá-la. Ela se perguntava que diversão fariam hoje, já que não precisavam mais se preocupar com Martin.

Enquanto caminhavam para casa, Emma falava sobre seu dia na escola enquanto Paula pensava no que iria preparar para o jantar. Quando se aproximaram da casa, o coração de Paula afundou. Ela viu um carro de polícia na entrada, e Martin estava saindo do banco de trás.

"Mamãe, por que ele está aqui? Ezra prometeu que ele não nos machucaria mais." Emma olhou para sua mãe com medo ao ver Martin olhando para elas. Ela conhecia aquele olhar; ele estava bravo.

"Eu sei, querida, mas vamos torcer pelo melhor e ver o que acontece." Elas caminharam cautelosamente até o policial e Martin.

"Bem, olhem só quem está aqui, minha amada família. Espero que tenham aproveitado a noite sem mim, porque será a última. Obrigado, policial. Eu cuido daqui." O policial Paul Franks olhou de Martin para Paula, que ainda tinha hematomas visíveis. Ele não tinha certeza se deveria ir embora. Ele podia ver o terror nos rostos de Paula e Emma.

Paul decidiu que a noite que Martin passou na cadeia provavelmente lhe ensinou uma lição. Ele deixaria sua família em paz agora, porque a polícia voltaria para ele se não o fizesse.

"Ok, pessoal, tenham uma boa noite." Paul acenou para eles enquanto se afastava. Ele tinha um mau pressentimento, mas o ignorou e continuou para casa.

"Entrem na casa agora." Martin disse em voz baixa. Emma sentiu o medo percorrer seu corpo. Por que a polícia o trouxe de volta depois que ela contou o que ele fez? Ezra prometeu que ele não poderia machucá-las mais.

Assim que entraram na casa e fecharam a porta, o punho de Martin acertou o rosto de Paula. Quando ela caiu no chão chorando, ele a chutou repetidamente. Emma correu até eles e começou a bater em Martin.

"Pare de machucar minha mãe. A polícia disse que você não podia fazer isso mais. Você deveria estar com as pessoas más." Paula tentou parar Emma, mas era tarde demais. Martin se virou para a menina com fúria.

Ele pegou Emma pelo cabelo e a jogou contra a parede. Paula gritou ao ver sua filha cair no chão. Ela tentou rastejar até ela, mas Martin a impediu.

"Você achava que sua vida era ruim antes; espere porque eu prometo que posso piorar. Se você ou sua filha mimada abrirem a boca de novo, eu mato vocês duas." Martin foi para o quarto enquanto Paula foi até Emma.

Emma estava deitada no chão segurando o braço, chorando. Paula podia ver que o braço dela estava quebrado. Ela precisava levar Emma ao hospital, mas Martin permitiria isso? Ela estava com medo de perguntar, mas precisava. Paula ajudou Emma a se levantar e a sentar no sofá.

Ela foi lentamente até o quarto. Suas costelas estavam quebradas novamente, mas ela suportaria desde que Emma fosse atendida por um médico. Quando Paula entrou no quarto, Martin estava trocando de roupa.

"Martin, eu preciso levar Emma ao hospital. Ela está com o braço quebrado. Eu prometo que não vamos dizer nada. Não fomos nós que chamamos a polícia; foi a professora de Emma." Paula olhou para baixo com medo de que ele a batesse novamente.

Martin observou sua esposa aterrorizada e sabia que ela estava dizendo a verdade. Ela nunca o denunciaria porque era muito inútil para cuidar de si mesma. Foi por isso que ele a escolheu três anos atrás; ele sabia que poderia quebrá-la e fazer o que quisesse.

"Então leve-a ao maldito hospital, mas se a polícia voltar, vocês duas estão mortas." Ele foi para o banheiro tomar um banho. Martin achou que elas tinham aprendido a lição. Elas não ousariam abrir a boca de novo.

Paula voltou rapidamente para Emma, gemendo de dor enquanto ia. Leo estava abraçando Emma enquanto ela chorava no sofá.

"Vai ficar tudo bem, maninha." Leo disse para Emma.

"Vamos, crianças, vamos ao hospital para que o braço de Emma melhore." Paula os ajudou a entrar no carro e os levou ao hospital. Antes de saírem, Emma a parou.

"Mamãe, eu não vou contar a ninguém o que aconteceu. Eu sei que todos mentem quando dizem que vão nos ajudar. Ninguém pode impedir Martin de nos machucar." Paula sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela tinha dado um péssimo exemplo para sua filha, fazendo-a pensar que precisavam mentir para proteger Martin para se protegerem. Infelizmente, essa era a única maneira de sobreviver.

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