Capítulo 5 - Implacável
Paula, Emma e Leo estavam sentados na sala de espera aguardando serem chamados para que Emma pudesse ver o médico. Paula viu as enfermeiras atrás do balcão cochichando e olhando para eles, mas ela as ignorou.
Quando finalmente chamaram o nome de Emma, eles foram levados para uma sala de exame onde um médico os aguardava. Paula percebeu o médico e a enfermeira olhando para os hematomas em seu rosto, mas eles não disseram nada.
"Oi Emma, meu nome é Dr. West. Você pode me contar o que aconteceu com seu braço?" O Dr. West olhou para o braço de Emma; mesmo sem um raio-x, ele podia ver que estava quebrado. Ele viu ela olhar para a mãe antes de responder.
"Eu caí." O Dr. West não acreditou nela, mas queria fazer um raio-x para ver o que mostrava antes de tentar descobrir a verdade.
"Vou tirar uma foto do seu osso para ver o que precisamos fazer para melhorar, tá bom?" Emma assentiu para ele.
A enfermeira levou Emma para fazer um raio-x enquanto o Dr. West ficou na sala de exame com Paula e Leo. Ele estava tentando decidir se deveria falar algo sobre os ferimentos de Paula ou não. Decidiu que sim, e ver se havia algo que ele pudesse fazer para ajudá-los.
"Você gostaria que eu olhasse seus ferimentos?" Ele perguntou, e ela desviou o olhar.
"Não, estou bem." Paula não queria passar por isso de novo. Todos precisavam cuidar de suas próprias vidas. Só piorava tudo para ela e Emma.
"Eu posso ver os hematomas em você. Quer me contar o que aconteceu com você e Emma?" Paula sentiu as lágrimas se acumulando em seus olhos.
"Por favor, apenas trate minha filha e nos deixe ir para casa. Isso é resultado de alguém tentando nos ajudar da última vez. É melhor para nós se todos nos deixarem em paz." Paula implorou ao Dr. West. Ela sabia que não sobreviveria a outra surra brutal.
"Se o raio-x do braço de Emma mostrar que não foi causado por uma queda, não terei escolha a não ser relatar. Existem lugares que podem ajudar você e as crianças. Gostaria de algumas informações?"
Paula pensou sobre isso, mas não queria levar Emma para um abrigo. Isso era um passo para a falta de moradia, e ela ainda não tinha habilidades, então não conseguiria um emprego. Era melhor aguentar com Martin e esperar que, se fossem boas, ele não seria tão violento com elas.
"Não, eu tenho que ficar onde estou. Não tenho outra escolha agora." O Dr. West viu nos olhos de Paula que, se dissesse mais alguma coisa, estaria perdendo seu tempo. Ela tinha um olhar de derrota no rosto machucado. Ele pensou em dar a ela o cartão de alguém que pudesse ajudar, mas sabia que, se o homem que as abusava encontrasse, poderia descontar nela.
Quando Emma voltou, ela tinha um pirulito na boca e entregou um para Leo. Paula estava agradecida por estarem no hospital e não em casa, ou Martin teria ficado furioso com os doces pegajosos.
O Dr. West olhou os raios-x e suspirou. Uma queda poderia ter causado a fratura, mas ele ainda não acreditava que fosse de uma queda natural. Ele olhou para Emma e sorriu.
"Emma, a fratura no seu braço é limpa, então isso significa que você não precisa de cirurgia. Podemos colocar um gesso no seu braço, e depois você pode ir para casa." O Dr. West olhou para Paula, e viu ela suspirar visivelmente aliviada. Com nenhum dos dois querendo dizer o que aconteceu, ele sabia que seria perda de tempo chamar a polícia. Eles não poderiam fazer nada sem uma queixa formal.
O braço de Emma foi envolto em um gesso, e o Dr. West passou as instruções para manter o gesso limpo e seco. Ele olhou para Paula antes de eles saírem.
"Tem certeza de que não há mais nada com que possamos ajudar?" Paula balançou a cabeça.
"Não, eu preciso ir para casa e preparar o jantar. Obrigada." Paula pegou as mãos de Leo e Emma e saiu do hospital. Emma acenou para a enfermeira que lhe deu o pirulito.
Quando chegaram em casa, Paula foi direto para a cozinha e começou a preparar o jantar. Decidiu fazer o bife favorito de Martin, batatas assadas e salada. Era sua forma de oferecer uma trégua por ele ter passado a noite na cadeia.
Martin veio para a mesa sem dizer uma palavra quando a comida ficou pronta. Todos comeram em silêncio. Até Leo, que geralmente não era tão cuidadoso quanto Emma e Paula, parecia retraído.
Martin olhou para o braço quebrado de Emma e os hematomas em Paula. Ele sabia que precisava dizer algo antes que fossem eles a irem à polícia. Se passasse outra noite na cadeia, poderia perder o controle e matá-los. Então, ele seria preso para sempre, ou teria que gastar tempo encontrando outro saco de pancadas. Nenhuma dessas opções parecia muito boa para ele.
"Desculpe por ter ficado tão bravo hoje quando cheguei em casa. Foi muito difícil para mim ficar longe de vocês ontem à noite. Sei que vocês não foram à polícia, mas temos que garantir que ninguém mais vá também. Vou tentar melhorar, mas preciso que vocês melhorem também. É difícil para mim ser o único que faz qualquer trabalho por aqui. Espero que todos se comportem e façam o que devem. Se isso for pedir demais, então podem ir embora. Caso contrário, vocês sabem que gosto das coisas feitas de um certo jeito, e enquanto tudo for feito como eu gosto, ninguém precisa ser punido."
Martin se levantou da mesa e foi para a sala de estar. Ele deu a eles um pedido de desculpas e um aviso ao mesmo tempo, o que deveria deixar sua mensagem bem clara. Abriu sua cerveja e sentou no sofá para assistir beisebol.
Paula sabia que o pedido de desculpas de Martin não era genuíno, mas mais como um aviso de que seria culpa deles se ele os machucasse novamente. Ela olhou para Emma, que estava com a cabeça baixa e lágrimas escorrendo pelo rosto. Paula podia ver que Emma também entendeu o aviso.
Depois que as crianças terminaram de comer, ela limpou a cozinha e deu banho nelas antes de colocá-las na cama. Paula desenhou algumas flores no gesso de Emma e disse que ela poderia deixar as crianças na escola escreverem ou desenharem nele também. Isso fez com que ela se sentisse um pouco melhor sobre ter que ir à escola com o gesso no braço.
No dia seguinte, Regina viu Emma entrando na sala de aula e imediatamente soube que algo estava errado. Ela notou o gesso no braço dela e seu rosto triste. Paula estava atrás dela, o que surpreendeu a professora; ela nunca entrava na sala de aula. Regina viu seu novo olho roxo e outros hematomas recentes.
"Sra. Elrod, posso falar com você, por favor?" Paula perguntou com frieza na voz.
"Certamente, Paula." Regina levou Paula e Leo para um canto longe das outras crianças.
"Sra. Elrod, da próxima vez que quiser ajudar, por favor, não ajude. Emma e eu já pagamos o suficiente, e você vê as consequências da sua ajuda. Meu marido foi solto da cadeia ontem, e quem você acha que ele culpou por estar lá?" Regina sentiu lágrimas nos olhos. Ela se sentiu horrível sabendo que teve uma participação nos novos ferimentos de Emma e sua mãe.
"Desculpe, Paula, eu só estava tentando ajudar. Achei que a polícia faria mais."
"Da próxima vez que quiser ajudar, apenas aponte a arma para a minha cabeça e a de Emma, porque estaremos mortas de qualquer jeito." Paula se virou e saiu antes que Regina pudesse responder.
Ela olhou para Emma, sentada em sua mesa com a cabeça baixa. Os olhos de Regina foram para o gesso fresco no braço dela, e ela se sentiu mal. Como podiam deixar um monstro como aquele sair sabendo do que ele era capaz? Ela caminhou até Emma e se agachou ao lado de sua mesa. Emma olhou para ela com a expressão mais magoada que ela já tinha visto.
"Sra. Elrod, por favor, não chame mais a polícia. Agora eu sei que todos mentem. Todos disseram que Martin não poderia mais nos machucar, mas ele fez isso assim que a polícia o deixou em casa." Emma olhou para o chão com lágrimas nos olhos, e Regina chorou com ela.
"Desculpe, Emma." Ela não sabia o que mais dizer enquanto se levantava e voltava para sua mesa.
Emma observou sua professora ir em direção à frente da sala de aula. Martin mentiu quando disse que estava arrependido, a Sra. Elrod mentiu quando disse que a polícia os ajudaria, e Ezra mentiu quando disse que Martin não os machucaria mais. Emma decidiu que nunca mais pediria ajuda.
