Capítulo 5 Capítulo 3 - parte 1
Collin
Ultimamente a vida não tem me dado uma trégua. Ter uma empresa do porte da Campbell Technology exige muita responsabilidade, especialmente quando há pessoas te rodeando como urubus em cima de uma carniça, tentando tirar de você aquilo que você mais lutou para alcançar.
Tem pessoas de todos os lados fazendo o possível para conseguir me tomar a empresa. Confesso que às vezes isso cansa e dá vontade de jogar tudo para o alto, desistir de tudo, mas não posso fazer isso, há muita coisa em jogo.
Como se não bastasse tudo isso, estou sem secretária e, estou há uma semana tentando conseguir alguém que esteja à altura da empresa ou que pelo menos entenda o mínimo do ramo em que lidamos. Visto que as últimas só me deram dor de cabeça, porque não sabiam absolutamente nada sobre tecnologia e nem se dedicavam a aprender, então demiti a última que não durou mais de três meses. Agora preciso urgente de uma substituta.
Isso resultou em um grande problema, pois, enquanto não consigo alguém, nossa recepcionista tem se desdobrado em mil para me ajudar nessa missão.
Sou tirado dos meus devaneios com batidas na porta da minha sala.
— Entre. — peço sem deixar de encarar os papéis em minha mesa.
— Desculpa atrapalhar, senhor Campbell — a voz de Zoe, nossa diretora de recursos humanos, me faz levantar a cabeça — Mas trago boas notícias. — ela sorri e se aproxima de minha mesa.
— Prossiga... — meneio levemente a cabeça.
— Finalmente temos candidatas ao cargo de secretária e um dos currículos me pareceu bastante interessante. — ela clica em seu tablet e me mostra.
— Hum... Parece muito bom, contudo, apesar da belíssima formação, é inexperiente, o que me dá uma certa preocupação. — após ouvir minha resposta, Zoe solta um longo suspiro, parecendo frustrada.
— Senhor, entendo seu ponto de vista, mas lembre-se de que quando cheguei aqui, também era inexperiente... Mesmo assim, você viu algo bom em mim e me deu uma chance. Além disso, essa é a única que me parece estar bem preparada para trabalhar conosco. — Zoe comprime os lábios.
Respiro fundo e retiro os óculos que uso para leitura.
Mesmo não querendo arriscar e dar o braço a torcer, sei que ela tem razão.
— Tudo bem, mas ela terá que passar por todo o processo como qualquer outra pessoa e só será aceita caso se mostre eficiente. Estamos entendidos? — ela tenta conter um sorriso.
— Como quiser, senhor. Entrevistarei todas as candidatas amanhã mesmo. Precisa de mais alguma coisa?
— Não, Zoe. Está dispensada, tenha uma boa noite. — sorrio sem mostrar os dentes.
— Boa noite, senhor. — se direciona a saída.
Verifico as horas em meu computador e percebo que já é hora de ir embora. Estou de cabeça cheia e tudo que eu queria era me esbaldar na noitada com o Jason, meu melhor amigo, mas infelizmente isso terá que esperar, já que o ordi.nário está numa viagem de negócios e só retorna amanhã. Ele é dono de uma das maiores boates de Nova Iorque e com o tempo nos tornamos sócios.
Então sempre que há algo para resolver, ele vai, pois, raramente posso abandonar minha empresa para fazer qualquer coisa que não esteja relacionada a ela. Ou meu pai me mataria.
Falando no diabo, meu celular toca em cima da mesa e ao pegá-lo, vejo o nome dele no identificador de chamadas.
Deslizo a tela e atendo.
— Fala, vaga.bundo! Pensei em você agora. — sorrio de canto.
— Nossa! Já está com saudade, amorzinho? — reviro os olhos com sua palhaçada.
— Não fo.de, Jason. — estalo a língua na boca, impaciente. Escuto a risada dele do outro lado da linha.
— O que tá rolando? — pergunta após parar de rir.
— O mesmo estresse de todo dia. Acredita que ainda não conseguimos uma secretária? Estou a ponto de enlouquecer. — passo a mão no rosto e suspiro pesadamente.
— Relaxa, cara. Amanhã chego com novidades maravilhosas e vamos nos acabar na boate. Enquanto não chego, você acalma seus nervos com algum de seus casos de uma noite.
— É o que temos para hoje... — sento de forma mais relaxada, encostando no recosto da cadeira.
— Se importa de me buscar no aeroporto?
— Sabia que tinha um interesse por trás dessa ligação.
— Pode ou não, por.ra? — dou uma risada nasal, porque paciência não é uma das virtudes do Jason.
— Ok, eu vou. Que horas você embarca? — batuco a caneta na mesa.
— Às sete.
— Tudo bem, está ficando tarde, até amanhã.
— Nossa! É assim que trata seu melhor amigo? — reviro os olhos com o drama dele.
— Tchau, Jason. — escuto a risada dele e encerro a ligação.
Antes de sair da empresa, penso em ir para casa, mas ficar sozinho não é meu ponto forte, pois, toda vez que estou sozinho, aquelas malditas lembranças vêm me atormentar. E apesar do cansaço extremo, não tenho conseguido dormir bem nos últimos meses. O que me leva a fazer algo que eu realmente não queria...
Quando dou por mim, já estou ligando para um dos meus casos, o melhor deles.
— Olá, Collin. A que devo a honra de sua ligação? — a voz dela soa sedutora.
— Que tal sairmos hoje? Relembrar os velhos tempos... — minha voz soa mais rouca do que o normal, propositalmente.
— Vou com você em qualquer lugar, gato. — tenho vontade de revirar os olhos.
Essas mulheres são tão fúteis, não é preciso muita coisa para ganhá-las. Basta ter uma conta recheada, ser conhecido e aclamado pela mídia e elas caem aos seus pés.
— Te pego às oito. Até mais. — não espero por resposta e desligo a chamada.
Sei que procurei por ela, mas verdade seja dita que minha única intenção com isso é uma boa tran.sa e nada mais.
Após isso, organizo minha mesa, pego a chave do meu carro sobre a mesa e sigo até o estacionamento, com destino ao apartamento da Julia.
