Capítulo 8 Capítulo 4 - parte 2
Quando ela finalmente levanta a cabeça, não acredito no que vejo, eu poderia imaginar tudo, menos que a mulher de ontem a noite, a mesma que vi no bar, que atrapalhou minha noite de prazer e invadiu meus sonhos, estaria aqui, bem na minha frente.
— Me desculpe... — ela diz constrangida, mas ao ver meu rosto, empalidece, parecendo ter visto um fantasma.
Eu poderia fingir que não a conhecia, mas seria idio.tice da minha parte. Pigarrei, me recompondo.
— Não há com o que se preocupar, senhorita. Essas coisas acontecem. — forço um sorriso sem mostrar os dentes, diante da situação, pois, estou tão desconcertado quanto ela.
— É... Sempre acontece comigo, sou muito desastrada. — ela resmunga envergonhada, me fazendo ter vontade de rir, porém, me contenho.
— Como já disse, não precisa se preocupar. Agora, se me der licença, tenho que ir, senhorita. — me apresso em sair dali.
Sim, eu fugi, porque se ficasse mais um segundo ali, poderia colocar tudo a perder.
No caminho até o carro, percebo que minhas mãos estão suando.
— Que merda é essa? Desde quando você fica sem jeito na frente de uma mulher, Collin? — repreendo a mim mesmo assim que chego onde deixei meu carro.
Piso firme no acelerador e apresso-me em ir ao aeroporto.
(...)
— Porque demorou tanto, cara? Estava quase pegando um táxi... — Jason está visivelmente irritado.
— Desculpa, acabei me enrolando com umas coisas na empresa. Mas estou aqui, não estou? — eu jamais diria o que realmente aconteceu. Conhecendo o Jason como conheço, seria assunto para o mês inteiro e ele certamente pensaria bobagem.
— Que seja! — ele bufa e abre a porta do meu carro entrando.
Termino de colocar a mala dele no bagageiro e entro no carro também.
— E aí, quais são as novidades? A viagem foi proveitosa? — lhe indago enquanto dirijo.
— Nossa! Foi demais — ele sorri abertamente — Estive em uma casa noturna lá na Itália e me interessei por algumas das dançarinas de lá, tentei fazer negócios com o dono, mas ele quer visitar a Queenz primeiro, para garantir que está fazendo um bom negócio.
Escuto atentamente suas palavras sem tirar os olhos da direção.
— Ele não está errado, mostra que realmente é um homem sério. — Jason meneia a cabeça em concordância.
— Agora chega de falar de mim... O que tá rolando? E nem vem dizer que não tem nada, porque te conheço suficientemente bem para saber que tem algo errado. — passo a língua nos lábios, sentindo-me um pouco nervoso.
Tenho convicção de que estou com a mente longe, mas falar sobre o motivo disso com ele seria o mesmo que fazê-lo plantar caraminholas na cabeça.
Preciso afastar essa mulher intrigante da minha mente.
— Você está vendo coisa onde não tem, Jason. — mantenho firmeza na voz, a fim de fazê-lo acreditar em mim.
— Você sabe que isso não vai colar, né? O assunto deve ser mulher, para te deixar com essa cara de bun.da que está. — ele dá uma risada nasal.
— Deixa de bobagem, cara. Acha mesmo que se tivesse algo eu não te contaria? — tiro rapidamente os olhos da estrada, o encarando para não lhe restar dúvidas de que estou falando a verdade.
— Não sei... Me diga você! — ele ergue a mão esquerda, apontando para mim e arqueia as sobrancelhas.
Estalo a língua na boca, impaciente.
— Fica tranquilo, estou bem.
— Ok, não irei insistir. Quando quiser conversar, estarei aqui. Sabe disso né, docinho? — Jason solta um beijo em minha direção e eu reviro os olhos.
Com ele é sempre assim. Mas não posso reclamar, gosto do jeito dele. Jason é mais brincalhão, já eu sou mais fechado. Acredito que essa diferença torna a nossa amizade tão show como é.
— Vai ficar em casa ou na boate?
— Na boate. Preciso resolver algumas coisas, já que não abrimos esses dias. — meneio a cabeça em concordância e dirijo até lá.
(...)
Deixei o Jason na boate, depois segui caminho de volta para a Campbell Technology.
Estou em meu escritório, e vez ou outra, meu pensamento vai até a mulher do bar. A mesma com quem esbarrei hoje pela manhã, isso já está ficando sério. Tenho muita coisa para pensar, não posso me dar o luxo de ficar pensando em uma mulher que nem mesmo conheço.
O som de batidas na porta me fazem despertar.
— Entre. — em seguida a porta é aberta.
— Senhor, podemos conversar? Estava te esperando chegar. — Zoe vem se aproximando da minha mesa.
— Claro. Sente-se. — aponto para a cadeira em frente à minha mesa.
Ela o faz.
— Então, como foram as entrevistas? As candidatas eram boas? — lhe pergunto enquanto bato a caneta na mesa.
Percebo uma certa expectativa em minha voz, mas certamente é relativo a preocupação de ter essa situação resolvida o quanto antes.
— Bem, todas são maravilhosas. A maioria foi muito bem na entrevista, contudo, tenho que ser sincera em dizer que apenas duas delas se destacaram. — ela comprime os lábios, parecendo estar receosa.
— Quem seriam? — arqueio as sobrancelhas.
Zoe coloca dois papéis sobre a mesa, dois currículos, para ser mais específico. Ambos tem fotos das candidatas. Engulo em seco ao encarar a imagem daquela mulher.
— A minha preferência continua sendo a que mencionei anteriormente, mas a decisão final é sua.
Isso não poderia ficar pior. Ou será que poderia? Não quero escolher a tal mulher para trabalhar conosco, pois, teria que conviver com ela diariamente. Porém, não posso negar suas capacidades, ela é muito estudada. A outra candidata também não fica atrás, no entanto, a mulher que vem perturbando minha mente tem algo a mais.
Estou num beco sem saída.
