Capítulo 6

POV de Emilia

Depois de fazer o anúncio, Sebastian se afastou sem me lançar um segundo olhar, como se escolher uma noiva, uma Luna, não fosse diferente de escolher um animal de estimação.

Cada mulher naquela área de espera ficou atônita.

Os pensamentos delas colidiram na minha mente como um tsunami depois do silêncio pacífico da presença de Sebastian.

[Aquela ninguém?]

[O que ela tem que eu não tenho?]

[Isso só pode ser um erro...]

[Como ela se atreve...]

Ciúme, incredulidade, fúria.

Tudo isso desabou sobre mim.

"Já que o Alfa Sebastian escolheu pessoalmente sua noiva, a seleção termina aqui", a guia disse, dando um passo à frente, embora eu pudesse ouvir a dúvida gritando nos pensamentos dela. [Isso não faz sentido nenhum. Por que ele escolheria ela? Por quê?]

"Sério? Ela?", alguém exclamou, apontando para mim. "Mas ela é... ela não tem loba!"

"Senhoras, por favor", disse a guia com firmeza. "A escolha do Alfa Sebastian não deve ser questionada."

"Pois eu estou questionando!"

A voz ressoou clara e afiada.

Uma mulher de cabelos castanhos abriu caminho até a frente da multidão.

Reconheci ela imediatamente.

Vanessa Sterling, filha do Beta da Alcateia Moonridge.

"Deve haver algum erro", insistiu Vanessa, virando-se para a guia com uma expressão de inocência confusa que teria sido convincente se eu não pudesse ouvir seus pensamentos. [Aquela cadelinha patética. Como se atreve a roubar o que devia ser meu?]

A guia cerrou a mandíbula.

"Senhora Sterling, garanto que não houve erro nenhum. O Alfa Sebastian fez sua escolha com toda clareza..."

"A escolha dele?"

Vanessa riu.

"Você espera que eu acredite que o Alfa Sebastian Simons, um dos Alfas mais poderosos da América do Norte, escolheu ela?"

Apontou na minha direção como se eu fosse algo contagioso.

Murmúrios de concordância percorreram as candidatas restantes. Várias assentiam, encorajadas pela audácia de Vanessa.

"Senhora Sterling", advertiu a guia. "Preciso lembrar que a senhora..."

"Ela é uma bruxa."

As palavras caíram na sala, e todo mundo ficou imóvel.

Os olhos de Vanessa brilharam com um triunfo perverso enquanto se virava para as outras candidatas.

"Emilia Taylor não é apenas sem loba. A mãe dela era uma bruxa. Todo mundo na Alcateia Frostridge sabe disso. Ela é meio bruxa, meio loba. Uma híbrida repugnante que nem deveria existir."

Minhas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo.

"Não estão vendo?", continuou Vanessa, se empolgando com a própria história. "Ela deve ter usado algum tipo de feitiço no Alfa Sebastian. Enfeitiçou ele. É a única explicação para ele escolher ela em vez de qualquer uma de nós."

Várias mulheres soltaram exclamações. Outras pareciam incertas.

"Essa é uma acusação e tanto, Senhora Sterling", disse a guia, fria. "Você tem alguma prova..."

"Não preciso de prova!", Vanessa retrucou. "Olhe para ela! Ela não é nada! A filha bastarda de um Alfa decadente, criada por uma mãe bruxa que dançava em bares. Não tem loba, não tem status, não tem futuro. A única maneira de alguém como ela chamar a atenção do Alfa Sebastian é por meio de bruxaria."

As palavras deveriam ter me ferido.

Mas eu já tinha ouvido coisas piores.

Então, em vez de vacilar, sorri.

"Teoria interessante, Vanessa", eu disse. "Mas deixa eu ver se entendi. Você acabou de ficar diante de todo mundo aqui e chamou o Alfa Sebastian de tão fraco da cabeça que uma garota sem loba conseguiria enfeitiçar ele com um feitiço?"

O rosto de Vanessa ficou em branco por um segundo.

Ela não tinha previsto aquilo.

"Isso... isso não foi o que eu..."

"Foi exatamente o que você disse."

Mantive o olhar sobre ela sem piscar.

"Você não insultou só a mim, Vanessa. Insultou ele. Dentro da casa da alcateia dele. Basicamente disse a todo mundo que acha seu julgamento melhor que o dele."

Uma onda de inquietação percorreu a multidão. Até os olhos da guia se arregalaram um pouco.

"Eu... eu não estava..."

O rosto de Vanessa enrubesceu num tom feio de vermelho.

"Não estava?"

Inclinei a cabeça.

"Porque, de onde estou, é a única maneira de sua historinha fazer sentido. Se o Alfa Sebastian é inteligente o suficiente para comandar uma das maiores alcateias da América do Norte, então é inteligente o suficiente para escolher a própria noiva. A menos que você ache que não é."

Ela abriu a boca.

Fechou.

Abriu de novo.

"Foi o que pensei."

Dei um passo na direção dela e, para minha satisfação, Vanessa deu um passo para trás.

"Vamos ser honestas sobre o que isso realmente é, certo? Você não veio aqui hoje porque ama Sebastian. Veio porque ele é o maior nome da sala. O Alfa mais poderoso, a maior alcateia, a posição mais alta. Teria dito sim para qualquer um, desde que a classificação fosse alta o bastante."

Os olhos de Vanessa se arregalaram.

"Como você se atreve..."

"Ah, eu me atrevo. Porque é preciso ser uma para reconhecer outra, e eu reconheço uma oportunista quando vejo uma."

Dei a ela um sorriso lento.

O rosto dela passou de vermelho a branco em um instante.

Na mosca.

"E, a propósito", acrescentei. "Para alguém que afirma querer ser Luna, você tem instintos terríveis. Uma verdadeira Luna nunca questionaria publicamente o julgamento do Alfa insultando ele. Você não tem material para Luna, Vanessa. E acho que todo mundo nesta sala acabou de perceber isso."

"Você... você..."

Vanessa gaguejou, sem palavras.

"Eu. Eu", eu disse, baixo. "Eu entendo o que significa servir a um Alfa melhor do que você jamais entenderá."

Vanessa perdeu o controle.

Ela avançou.

Moveu-se rápido, as mãos indo direto para minha garganta com clara intenção assassina. Cambaleei para trás, meu ombro batendo na parede enquanto tentava me desviar.

"CHEGA."

A única palavra cortou o corredor, forçando todos a cair de joelhos. Todas as outras mulheres desabaram no mesmo instante, incluindo Vanessa, que caiu no meio do ataque com um gemido sufocado.

A guia se ajoelhou, cabeça baixa, tremendo.

Sebastian Simons estava parado à porta.

A aura de Alfa dele preencheu a sala, tão pesada que o próprio ar parecia denso, difícil de respirar.

Os olhos verdes estavam fixos em Vanessa com uma expressão que prometia violência.

"Eu", disse ele com aspereza, cada palavra lenta e deliberada, "dei permissão para você tocar no que é meu?"

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