Capítulo 1 Capítulo Um: O Plano dos Sonhos.
Violetas pela liberdade: Savannah Carter tem um sonho, e apenas um: comandar a prestigiada empresa de arquitetura da falecida mãe! Mas, quando o padrasto escandaloso se une ao conselho misógino da companhia para tentar forçá-la a um casamento... Savannah só tem uma escolha... encontrar seu próprio pretendente! E ela escolhe... o cruel e sem emoções Darius Kyle, um dos maiores magnatas de hotéis e resorts da região! Será que Savannah vai conseguir convencer esse príncipe, normalmente tão frio, a entrar nesse casamento com ela?!
Capítulo Um: A Planta dos Sonhos.
Savannah Carter parou à entrada do escritório da falecida mãe, o olhar varrendo o cômodo ensolarado que ainda carregava, de leve, o perfume de violetas. As paredes, decoradas com plantas emolduradas e prêmios, sussurravam o legado que ela estava determinada a honrar. A Carter & Associates, a firma de arquitetura que seus pais construíram do zero, agora estava sob sua tutela... e o futuro dela repousava em suas mãos.
Nos últimos três anos, Savannah trabalhou como a principal designer da empresa, o que levou o conselho a elegê-la presidente. Um verdadeiro prodígio, herdara da mãe o dom do design. Também dedicara toda a vida escolar ao desenho arquitetônico, à gestão de negócios e à engenharia. Determinada a garantir que aquela empresa não caísse nas mãos de mais ninguém.
TOC. TOC.
A batida na porta do escritório arrancou Savannah de seus pensamentos. Quando ela se virou depressa, sua assistente, Leeda Barton, acabara de entrar com uma pilha de papéis.
— Desculpe a interrupção, senhora. Tenho aqueles contratos do projeto Bloomberg que a senhora pediu.
Savannah sorriu de leve ao pegar os documentos das mãos de Leeda. Passou os olhos por eles rapidamente, e seu sorriso se alargou.
— Não tem problema, Leeda. Você deu uma olhada neles? Vejo que Chester aceitou nossos valores.
Leeda abriu um sorriso com uma pontinha de presunção.
— Claro que aceitou. A assistente dele tentou fazer jogo duro, mas assim que eu o informei que também estávamos sendo procuradas pelos concorrentes dele, dispostos a pagar QUALQUER valor que cobrarmos... eles arriaram na hora, dobrando igual uma camisa bem passada.
Savannah não conteve a risada; um dos motivos de ter contratado Leeda como sua secretária pessoal era justamente porque ela era implacável.
— Bem... isso deve deixar o conselho satisfeito. Envie os documentos para o jurídico. Vamos começar o projeto no começo do mês que vem.
Leeda sorriu, radiante, para a chefe e saiu do escritório quase saltitando.
Embora Savannah tenha herdado a empresa dos pais, ela sempre quis conquistar seu lugar como presidente e, por fim, como CEO. Durante toda a vida escolar, dedicou-se aos estudos, tornou-se oradora da turma e concluiu tanto o ensino médio quanto a faculdade antes do tempo. Quando completou 19 anos, Savannah Carter já tinha dois mestrados — em negócios internacionais e em design e engenharia arquitetônica. Ela trabalhou duro na Carter & Associates, começando de baixo como estagiária, até fechar um dos maiores contratos da empresa, quando o Cedar Place Mall foi construído.
A partir daí, ela virou uma força com a qual se precisava contar, ganhando o prêmio de melhor designer por dois anos seguidos. Com tantos elogios e conquistas, qualquer um pensaria que o conselho administrativo estenderia o tapete vermelho e lhe concederia o título de CEO. Mas havia só um problema... o conselho era cheio de um bando de babacas misóginos, autoritários, de mentalidade atrasada do interior. Por mais talentosa que Savannah fosse, o conselho não gostava nem um pouco da ideia de uma mulher jovem assumir a coroa de CEO. Um fato do qual seu padrasto se deleitava.
O pai de Savannah, Zander Carter, morreu quando ela tinha apenas dois anos, num acidente de carro fatal. Por mais de quatro anos, sua mãe, Sonya, trabalhou incansavelmente para transformar a empresa que eles criaram em um dos maiores escritórios de arquitetura das quatro regiões. Sonya dizia a si mesma que nunca mais amaria nem se casaria, até que um dia o conselho convocou uma reunião.
— Sonya... por favor, tente entender. Achamos que você está fazendo um trabalho maravilhoso como presidente, mas no mundo dos negócios... os homens costumam ser os líderes dos negócios.
Sonya encarou o conselheiro Norman Connors com desprezo. Nos últimos anos, ela vinha se matando para garantir contratos, quase triplicando os lucros da empresa. Em apenas três anos, o valor de mercado da companhia já passava de bilhões. Agora, ao apresentar sua candidatura a CEO, aquele conselho ainda teve a cara de pau de dizer: “não sem um marido”.
O conselheiro Robert Carroll falou em seguida.
— Sonya... nenhum de nós quer que você substitua Zander. Estamos apenas apontando que um marido fica melhor para a empresa. Pense na Savannah... um lar nuclear não seria mais apropriado para ela?
Por um instante, Sonya se imaginou pegando a prancheta e estalando na cara de Robert, de lado a lado! Como ele ousava trazer sua filha para a conversa! Acima de tudo, por mais ocupada que estivesse e por mais duro que trabalhasse, Sonya sempre fez questão de colocar a filha em primeiro lugar! Sugerir que Savannah seria prejudicada simplesmente por não ter um pai era revoltante. Para apaziguar o conselho, porém, e receber o cargo de CEO, Sonya concordou em se casar de novo.
Ela conhecia Richard Hawkins de encontros e eventos. A família dele não era exatamente de baixa classe, mas também não era influente. Para Sonya, isso era perfeito. Ela não precisava de algum magnata corporativo cheio de si e autoritário tentando tomar o controle da empresa que ela e o marido construíram. Ela sabia que o conselho não pensaria duas vezes antes de colocar um homem como CEO. Richard, porém, não tinha grandes conexões, nenhum poder de verdade e lhe faltava ambição... perfeito.
Desde o momento em que ela apareceu com a proposta, ele sempre soube que aquilo era apenas para manter as aparências.
— Escuta, Richard... eu não espero que você me dê seu coração... não é por isso que estou fazendo isso. Eu preciso de um casamento por razões políticas. Então não vou tentar te controlar. Tudo o que eu peço é que você me respeite. Nada de filhos fora, nada de casos públicos. Você comparece comigo a todos os compromissos importantes, e nós parecemos apaixonados na frente das câmeras... combinado?
Richard mal conseguia acreditar na própria sorte! Ele já queria se casar com Sonya Carter fazia um tempo. Sabia que, com ela como esposa, conseguiria subir na escala social!
— Sonya... você tem um combinado!
Sonya apertou a mão de Richard, com um sorriso satisfeito no rosto. Agora ela podia voltar ao que importava. Construir seu império e Savannah.
— Ah... Richard, só para você saber... eu não vou mudar o meu sobrenome nem o da minha filha. Carter é o que continuaremos sendo.
Richard sorriu, concordando.
— Zander Carter foi um grande homem. Eu entendo de verdade. Vamos fazer esse casamento dar certo!
Mas, por dentro, Richard fervia. Ele sabia que era difícil, mas tinha esperança de que ela adotasse o sobrenome dele.
“Merda! Vou viver para sempre na sombra daquele desgraçado morto desse jeito!”
E foi isso. Sonya e Richard fizeram uma cerimônia pequena e, na superfície, parecia que estava tudo bem. Richard nunca destoava. Dizia sempre as coisas certas, era o cavalheiro perfeito e uma figura paterna impecável. Aos poucos, derretendo o gelo em volta do coração de Sonya.
Com o tempo, os três foram virando, devagar, uma família de verdade. Richard paparicava Savannah como se ela fosse filha dele. Nunca exigiu nada de Sonya, nunca reclamou que ela trabalhava demais. Estava tudo perfeito... perfeito demais. Porém, tudo chegou ao fim pouco depois de Savannah completar 16 anos. Depois de dez anos de casamento e da imagem de uma família perfeita, tudo parou de forma violenta quando Sonya morreu numa queda trágica durante uma viagem de acampamento com Richard.
Savannah nunca esqueceria aquele dia fatídico. Ela tinha acabado de chegar em casa depois de visitar a melhor amiga, e a polícia estava toda na casa dela. Seu coração afundou na hora, sabendo que tinha algo errado. Quando correu para dentro, o padrasto estava falando com os policiais. Os olhos dele estavam vermelhos, injetados, enquanto as lágrimas continuavam a cair. Em pânico, Savannah correu direto para ele.
“Pai! Pai, o que aconteceu!!! Cadê a mamãe!”
Richard olhou para Savannah; mágoa e dor tomavam seu rosto, e as palavras pareciam entalar na garganta. Num instante, ele puxou Savannah para um abraço.
“Savie... eu... eu sinto muito... sua mãe, ela...”
Savannah sentiu como se o mundo estivesse tombando. Sua melhor amiga, sua heroína, a mulher que ela queria ser... tinha ido embora.
Depois do funeral, a mãe dela não estava enterrada havia nem uma semana quando Richard já levou a nova família para dentro de casa. Uma mulher chamada Darma e a filha dela, Lacy. Savannah ficou furiosa!
“Que porra é essa?! A mamãe nem faz uma semana que se foi e você já traz essa família pronta pra cá! Você estava traindo a mamãe?!”
Richard agarrou a mão de Savannah antes que ela pudesse recuar.
“Não! Savie! Não é assim! Eu amava muito a sua mãe! Ela era minha melhor amiga. Mas nós tínhamos um acordo. Ela sabia que Darma era meu amor verdadeiro, assim como o seu pai era o dela! Olha... aqui ainda somos uma família, tá bom?”
Mas Savannah não via daquele jeito. A partir daquele momento, ela nunca mais olhou para Richard da mesma forma. Parou de chamá-lo de pai e continuou desconfiada da morte da mãe. Nos anos seguintes, Savannah manteve distância da família postiça. Ela aprendeu muito rápido que tipo de gente Darma e a filha eram. Do tipo falso, sempre se fazendo de sonsa, sempre fazendo papel de vítima, sempre bancando a inocente em público enquanto, em particular, eram deploráveis. E ficou dolorosamente claro que Richard escolhia elas em vez de Savannah. Logo ela entendeu que o único motivo de ele continuar presente como padrasto era para seguir colhendo os benefícios de ser um Carter.
Como uma ladra na calada da noite, Lacy foi tentando, aos poucos, roubar tudo o que Savannah tinha: as roupas, as joias, até os amigos e o namorado. Savannah namorou Kevin Alburn por mais de dois anos no ensino médio. Eles se conheciam desde o primário. No entanto, assim que ele conheceu Lacy, o relacionamento começou a azedar. De repente, tudo era sobre a “pobrezinha da Lacy”. Quando Lacy conseguiu admissão antecipada na Universidade Cardow e terminou o ensino médio mais cedo, aquilo praticamente selou o destino deles, já que não iam mais se ver ao longo do ano letivo. No começo do ano seguinte, embora nunca confirmassem um relacionamento, Kevin estava praticamente grudado em Lacy.
Agora... parecia que a família postiça estava mirando a empresa dos pais dela. Savannah já suspeitava havia algum tempo de que o padrasto estava de conluio com o conselho, porque eles não queriam que ela virasse CEO. Respirando fundo, ela tomou um gole de água e seguiu para a sala de reuniões.
“Hora de lidar com esse circo.”
