Capítulo 3 Capítulo Três: Um pretendente para Savannah.
Capítulo 3: Um pretendente para Savannah.
Savannah voltou furiosa para o escritório; aquela reunião do conselho tinha sido exatamente como ela sabia que seria... e, ainda assim, ela se pegou completamente enojada!
“Filhos da puta!!! Aff!!”
Savannah bateu as mãos na mesa; ela só tinha uma semana e meia para impedir Richard e o conselho. Precisava de um plano, e rápido! Enquanto sua mente começava a traçar o próximo passo, chamou sua assistente, Leeda, de volta ao escritório.
“A reunião com o conselho acabou, Leeda... venha ao meu escritório, preciso que você consiga informações sobre alguém.”
Leeda chegou depressa ao escritório de Savannah. O rosto dela estava tomado pela preocupação; ela conseguia imaginar como tinha sido a reunião. Aproximando-se da mesa, Leeda esboçou um leve sorriso.
“Então... como foi? Qual é o tamanho do estrago?”
Savannah ergueu o olhar para Leeda, o rosto tomado por determinação enquanto retribuía o sorriso.
“Exatamente como esperávamos. Estão me forçando a casar.”
Os olhos de Leeda se arregalaram na hora! Ela já esperava algo assim. Ela e Savannah já tinham discutido essa possibilidade. Mesmo assim... ouvir em voz alta fez com que ela sentisse pena da chefe. Leeda sabia melhor do que ninguém o quanto Savannah trabalhava duro para levar a Carter & Associates a outro nível — e acima dele! Ainda assim, por causa do pensamento torto do conselho... não era o suficiente. Afundando na cadeira diante da mesa de Savannah, Leeda pareceu abatida.
“E o que a gente faz agora?”
Savannah se endireitou, os olhos cheios da determinação de não deixar que o padrasto nem aquele conselho vencessem.
“Agora... eu encontro meu marido. Preciso que você consiga o máximo de informações possível sobre essa pessoa. A agenda de trabalho, onde costuma sair, rotina diária, cor favorita... eu quero tudo! E preciso disso em 48 horas.”
Leeda assentiu rapidamente, estendendo a mão para pegar o papel com o nome da pessoa. Ela imaginou que Savannah já teria alguns pretendentes em mente, já que estava sempre dez passos à frente. Mas, ao abrir o papel para ler o nome, seu rosto perdeu a cor. Era mesmo essa a pessoa que sua senhora queria que ela investigasse? Olhando nervosa para Savannah, Leeda engoliu em seco.
“Hã... minha senhora... esse nome está certo?”
Savannah levantou os olhos para Leeda. A expressão preocupada da assistente a fez soltar um risinho. Ela assentiu e respondeu:
“Está certo, e eu sei o que você está pensando... mas confia em mim dessa vez.”
Leeda era a funcionária mais leal de Savannah. Admirava seu talento nos negócios, sua inteligência, sua criatividade e sua perfeição! Também apreciava sua força e sua firmeza por não deixar uma indústria majoritariamente comandada por homens intimidá-la! Ela confiara em todas as decisões que Savannah tomara durante sua ascensão e durante seu mandato como presidente. Mas agora... exatamente neste momento... ela olhava para a chefe como se ela tivesse três cabeças.
“Presidente Carter... a senhora sabe que eu confio e acredito em tudo o que diz... mas eu estaria mentindo se dissesse que não estou preocupada com isso. A gente tem pouco mais de uma semana para arrumar um pretendente para a senhora... a senhora realmente quer perder tempo com ‘a besta sem coração’?”
Savannah riu alto. Ela sabia que as preocupações de Leeda eram válidas, mas não tinha escolha. No momento, Richard tinha o conselho na palma da mão; ela não podia simplesmente arrumar um noivo — tinha de ficar noiva de alguém que, sem a menor dúvida, rivalizasse com QUALQUER pretendente que Richard pudesse maquinar.
“Deixa essa parte comigo, Leeda. Só se concentra em descobrir tudo o que puder sobre ele... o resto eu resolvo.”
Apesar de preocupada, Leeda assentiu em concordância. Acontecesse o que acontecesse, confiaria na sua senhora. Levantando-se depressa, com determinação no olhar, Leeda foi em direção à porta.
“Não se preocupe, minha senhora! Quando eu terminar, a senhora vai saber até quais eram as histórias de dormir favoritas dele quando era criança!”
Savannah caiu na gargalhada; ela sabia que Leeda seria rápida e eficiente! Assentindo, ela também se levantou para sair.
“Então eu deixo isso com você, Leeda. Vou sair um pouco mais cedo hoje. Se precisar de qualquer coisa, liga no meu celular.”
Quando as duas saíram do escritório, Savannah puxou o celular e ligou para sua melhor amiga, Abbie Waters. Ela e Savannah se conheciam desde a escola primária. As mães delas também eram melhores amigas. Depois da morte da mãe, Savannah passou a maior parte do tempo na casa de Abbie. Todo mundo ficou furioso com Richard por ter levado sua amante e a filha dela para dentro do casarão.
“Se quer saber o que eu acho... aquela pirralha provavelmente é dele! Ele só está mentindo porque sabe que vai ser deserdado!”
Angela Waters, mãe de Abbie, esbravejou no dia em que todos descobriram sobre Darma e Lacy. Savannah também tinha suas dúvidas de que Lacy NÃO fosse filha biológica de Richard, mas, quando levou essa preocupação ao consultor financeiro de sua mãe, Richard apresentou documentos provando que não tinha parentesco com Lacy. Savannah não teve escolha a não ser deixar o assunto de lado.
Abbie atendeu o telefone na mesma hora.
— Oi, oi, mamãe! O que você tá fazendo?
— Na verdade, tô indo aí. Você tá em casa?
Abbie se sentou na cama; dava para perceber que tinha algo errado com a melhor amiga.
— Tô! Acabei de chegar da aula.
Abbie estudava em uma das melhores faculdades de Direito da região. Planejava trabalhar no escritório do pai assim que se formasse. Os Waters eram um dos escritórios de advocacia mais renomados de toda a região. Depois que Savannah completou dezoito anos, demitiu o advogado designado que Richard havia escolhido a dedo e contratou Franklin Waters, o pai de Abbie.
— Beleza. Tô indo praí agora.
Quando Savannah chegou, já era hora do almoço. Abbie aproveitou e pediu comida em um dos lugares favoritos delas.
— Oi, linda! Espero que você esteja com fome! Eu pedi uns tacos de rua, nachos caprichados, tudo que tem direito, do Lupita’s!
Savannah sorriu, radiante; ela sempre podia contar com Abbie para se sentir melhor.
— Eu tô com muita fome, principalmente depois do dia que eu tive.
Abbie encarou a amiga, a preocupação estampada no olhar e na expressão. Ela sabia que tinha coisa errada.
— Ainda nem deu meio-dia e aquele conselho já tá te tirando do sério! O que aqueles desgraçados fizeram dessa vez?
Savannah se sentou no banquinho alto da bancada da ilha e sorriu de leve.
— Eles vão fazer cumprir o acordo matrimonial.
Abbie mal acreditou no que estava ouvindo. Ela sabia da cláusula matrimonial — Savannah tinha procurado o pai dela quando virou presidente para ver se conseguia se livrar daquele acordo. Infelizmente, o contrato era vinculante; não havia nada que ele pudesse fazer.
— Sinto muito, Savie... Sua mãe... isso era uma cláusula à prova de tudo. Na época, ela não tinha escolha; precisava que as ações da empresa fossem compradas para levantar capital. A boa notícia é que você pode escolher seu pretendente. Acho que ela garantiu pelo menos isso, para te proteger.
Naquele tempo, Savannah tinha ficado furiosa com a mãe por aceitar uma coisa dessas. Mas, mais tarde, entendeu o motivo. O pai dela tinha morrido justamente quando a empresa foi lançada; tudo caiu nas costas de Sonya, e ela precisava do financiamento. Agora, mais de vinte anos depois, a conta finalmente tinha chegado.
— Você só pode estar de sacanagem! Por quê?! Por que agora?!
Abbie estava possessa. Sabia que esse dia acabaria chegando, mas não esperava que fosse tão cedo.
— A cláusula dizia que eu tinha que estar noiva até o meu aniversário de vinte e três anos e casada em até sessenta dias depois do noivado.
Os olhos de Abbie se arregalaram de choque enquanto ela colocava uma taça de vinho na frente de Savannah.
— Meu Deus... Savie, eu sinto muito!
Savannah sorriu ao dar um gole no vinho.
— E essa nem é a pior parte. Meu querido padrasto tá liderando a cruzada.
Abbie quase se engasgou com o vinho.
— Você só pode estar de brincadeira!!! O que aquele rato desgraçado tem a ver com isso! Eu achei que aqueles três por cento ridículos dele não davam poder pra decidir nada na empresa!
Embora Richard tivesse três por cento das ações, para garantir que Savannah estivesse sempre protegida, ela mandou incluir uma cláusula impedindo que ele usasse os três por cento para interferir nas decisões da empresa, fosse com o conselho, fosse com Savannah. Foi uma precaução que Sonya acrescentou para garantir que Richard nunca conseguisse fazer o conselho se voltar contra a filha.
— Então o que isso significa? Ele vai começar a te obrigar a sair em encontros às cegas? E por que diabos ele se importa, afinal?!
Savannah tomou mais um gole de vinho, o rosto impassível.
— Não... aquele babaca quer que eu me case com o Kevin.
Dessa vez, Abbie cuspiu o vinho. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
— O QUÊ!!! Você SÓ PODE estar de sacanagem!!!!
Abbie também tinha sido amiga de Kevin na época em que eles eram todos amigos no colégio. Quando cresceram, era Savannah, Abbie, Kevin e Tye. Eram inseparáveis. Com o tempo, Tye se apaixonou perdidamente por Abbie, e Kevin se apaixonou por Savannah. Mas quando Lacy apareceu, a maré da amizade mudou. Todo mundo viu Kevin, aos poucos, se voltar contra Savannah por causa de Lacy. No fim, Abbie e Tye pararam de ser amigos dele, porque enxergavam o quanto Lacy era manipuladora e o quanto Kevin tinha ficado cego.
— Isso é alguma piada! Ele quer que você case com o Kevin! Ah, nem fodendo! Savie, você não pode deixar ele sair ganhando! A gente tem que achar um pretendente pra você o mais rápido possível!
Savannah pousou a taça. O rosto estava sereno e a voz, calma.
— Ah, eu já achei um pretendente. Um que nem a bunda ardilosa do Richard vai conseguir derrotar.
Os olhos de Abbie se iluminaram. Ela sabia que a amiga teria um plano.
— Ah, isso! Eu sabia! Minha bestie é um gênio do caralho! Então... quem é o sortudo?
Tomando mais um gole, Savannah se virou e sorriu para Abbie.
— Darius Kyle.
