Capítulo 4 Capítulo Quatro: Darius Kyle, a Besta Sem Coração.

Capítulo Quatro: Darius Kyle, a Besta Sem Coração.

Das quatro regiões, cada uma tinha uma família que reinava suprema em todo o território. Em Everpoint... era a Família Kyle. O maior conglomerado de hotéis e resorts do mundo, a Kyle Dynasty and Corp, era um dos complexos mais luxuosos do planeta. Pier Kyle era um gênio dos negócios e uma fera corporativa! Ele havia construído todo o seu império do zero, tornando-o um dos maiores do mundo. Depois que se afastou, seu filho Miles assumiu as rédeas, seguindo diligentemente os passos do pai e expandindo o império ainda mais.

Miles Kyle era casado com Gina Rauche. A família dela era o proeminente clã Rauche, dono da maior rede de hospitais e clínicas da região, ocupando o primeiro lugar. Miles e Gina tinham quatro filhos. A filha mais velha, Serena Kyle, que diziam ser uma das mulheres mais bonitas de Everpoint, agora era casada com um cirurgião plástico de ponta e atualmente presidia um dos hospitais da família. Os filhos mais novos, Andrew e Alexander, tinham um ano de diferença e estavam no ensino médio. Ambos eram gênios nos estudos e campeões nos esportes, além de serem dois dos alunos mais populares na prestigiada academia particular em que estudavam.

O segundo mais velho e primogênito... era Darius Kyle. Como os irmãos, Darius se destacava nos estudos e no físico. Formou-se dois anos antes na academia e, depois, um ano antes na faculdade; Darius logo começou a seguir os passos do pai e do avô. No entanto, por mais refinado academicamente e metódico nos negócios que fosse, quando se tratava de sua personalidade... ele ficava abaixo de zero.

Ao contrário dos pais e dos irmãos, que eram muito sociáveis, Darius tinha a personalidade de uma parede de tijolos. E, embora fosse extremamente bonito, por causa da falta de emoções, muitos o apelidaram de “besta sem coração” ao longo de sua carreira acadêmica e profissional. Ao longo dos anos, a família tentou inúmeras vezes arranjar encontros às cegas para que ele se casasse com uma pretendente adequada. Porém, Darius não via motivo.

“Qual é exatamente o benefício de eu me casar?”

Ele perguntou aos pais um dia, quando eles tentaram, mais uma vez, bancar os cupidos com a filha de uma importante banqueira de investimentos.

“B-Benefício... você quer dizer além de passar o resto da vida com alguém que você ama?”

O pai o encarou, incrédulo. Havia muito tempo ele sabia que o filho não era a pessoa mais afetuosa, mas com certeza não pretendia passar o resto da vida sozinho... certo?

Se esse é o único motivo… não vejo por que eu deveria me preocupar com isso agora. Eu ainda tenho tempo para me casar e gerar um herdeiro.

Gina sorriu, nervosa.

Dary… querido, não é só uma questão de gerar um herdeiro. Nós só estamos preocupados com você. Você só tem vinte e cinco anos… Eu sei que você leva o trabalho a sério, mas você devia se divertir mais! Namorar, sair com gente que não seja o Troy.

Troy Thompson era o melhor amigo de Darius desde o ensino fundamental. Era uma das poucas pessoas que não se encolhiam diante do seu jeito frio e uma das poucas, além da família, que ele conseguia suportar. Embora não fosse dos mais afetuosos, Darius amava muito a família. Eles eram os únicos autorizados a ver seu lado vulnerável… nas raras vezes em que ele o mostrara.

Eu não saio só com o Troy, mãe—

O Warren não conta, querido… isso é relacionado ao trabalho.

Warren Peterson era o assistente pessoal de Darius e uma das poucas pessoas que de fato o entendiam.

Mãe… agora eu estou trabalhando em algo enorme para a empresa. Eu acharia que isso vem antes da minha “vida amorosa”.

Darius tinha começado a trabalhar num novo projeto de resort para uma linha de cruzeiros. Ele queria construir os maiores navios de cruzeiro do mundo, incorporando as muitas comodidades que seus hotéis e resorts ofereciam. O problema, porém, era que ele estava esbarrando em dificuldades com o design. Não importava de quantas maneiras diferentes a equipe de arquitetura desenhasse o navio: sempre parecia haver algum risco de segurança ou alguma coisa faltando.

Filho, eu sei que o navio de cruzeiro é um grande projeto para você… mas nós só queremos que você veja que existe mais na vida do que trabalho.

Miles encarou o filho com uma expressão cautelosa, com medo de que ele nunca encontrasse o amor.

Então eu estava pensando… se você está ocupado demais… por que sua mãe e eu não armamos um casa—

De jeito nenhum! Nada de arranjar encontro! Mãe… pai… eu amo vocês dois, mas, por favor, deixem que eu cuide da minha própria vida amorosa. Eu tenho que ir. Tenho uma reunião com o nosso designer-chefe.

Dito isso, Darius se levantou para sair depois de abraçar os pais. Não era que Darius fosse contra namorar. Ele sabia que, eventualmente, teria de se casar e ter filhos, nem que fosse apenas para ter um herdeiro. Mas Darius era um homem que valorizava controle e resultados acima de qualquer coisa. Algumas pessoas tinham a sorte de se casar por motivos como amor e felicidade. Seus pais tiveram essa sorte, assim como sua irmã. Mas, para Darius, casamento não passava de uma transação comercial. Uma transação na qual ele não tinha a menor intenção de entrar até encontrar aquela que serviria ao melhor propósito.

Assim que entrou no carro, Warren ligou para ele.

— Ei, Warren, na verdade estou a caminho do escritório agora.

……….

— Ah, não foi por isso que liguei, senhor.

— Certo… aconteceu alguma coisa?

— Hum… eu diria que é mais interessante do que errado.

— O-o quê… do que você está falando, Warren?

— Eu conto quando o senhor chegar.

Havia um leve toque de humor na voz de Warren, fazendo Darius ficar ainda mais curioso sobre o que estava acontecendo. Saindo da propriedade dos pais, ele seguiu direto para o escritório.

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No dia em que Savannah contou a Abbie sobre o acordo de casamento, ela a informou sobre o pretendente que havia escolhido. Darius Kyle.

Abbie mal acreditou no que estava ouvindo! A Savannah tinha enlouquecido? Todo mundo na região leste inteira sabia que Darius Kyle nunca saía em encontros, quanto mais demonstrava qualquer sinal de que pretendia se casar! Ele era conhecido como a “besta sem coração” e, embora muitas mulheres o achassem bonito, se desanimavam com seu jeito frio e o tom condescendente. Ele não tinha personalidade e não demonstrava interesse nas poucas vezes em que saíra com alguém. Tratava tudo como uma transação comercial: nada de romance, nada de emoções… só negócios.

Abbie se sentou ao lado de Savannah na ilha da cozinha. O rosto dela era puro desconcerto. De todas as pessoas que a amiga podia ter escolhido… tinha que ser justamente a besta?

— Hum… Savie, eu sei que você quer dar o troco no seu padrasto e no conselho… mas você não acha que isso é um pouco drástico?

Savannah terminou o vinho em um último gole e se virou para Abbie.

— Abbie… o Richard já tem o conselho a favor de eu me casar com o Kevin. Se eu quiser vencer… tenho que escolher um pretendente que eles nem ousem recusar. A melhor escolha é Darius Kyle. Sem contar que… eu não vou precisar me preocupar com ele tentando tomar a minha empresa. Ele já tem a própria empresa para administrar.

Abbie ponderou sobre o que Savannah disse, e não era que ela não entendesse… era só que… de todas as pessoas… logo ele?

— Quer dizer… eu entendo o seu raciocínio, mas ele? Não tem mais ninguém?

Savannah balançou a cabeça.

— Não… eles vão achar defeito em qualquer um que eu sugerir. A única pessoa que eles não vão questionar é Darius Kyle. Meu padrasto… ele quer que eu me case com o Kevin porque assim ele vai conseguir controlar a votação.

Os olhos de Abbie se arregalaram, confusos.

— Como assim?

— No momento… eu tenho 40% das ações da empresa, e o conselho tem 40% coletivamente. O Richard tem 3%, mas não pode participar das decisões da empresa.

Abbie assentiu.

— Tá… então, no pior dos casos, você e o conselho ficam empatados na votação?

Savannah assentiu.

— Isso… o que raramente acontece. Na maior parte do tempo… eles concordam com as decisões que eu tomo pela empresa… exceto uma: eu virar CEO. Não importa o quanto eu trabalhe, não importa quanto dinheiro eu traga… aqueles fósseis querem um HOMEM como CEO.

— Parte do motivo de eles estarem pressionando esse casamento é porque eu vou poder oficializar meu pedido para virar CEO depois do meu aniversário de 23 anos, já que terei sido oficialmente presidente por dois anos, o que era uma das cláusulas. Tenho certeza de que aqueles babacas achavam que iam ter mais tempo, mas não contavam que eu fosse me formar mais cedo nem que eu fosse fechar os contratos que fechei.

As sobrancelhas de Abbie se franziram; ela começava a enxergar o quadro geral do que estava acontecendo.

— E onde o idiota do Kevin entra nessa história toda?

As sobrancelhas de Savannah também se franziram.

— Aqueles 17% de ações que faltam… bem, 12% vão para o meu marido depois de um ano de casamento. O conselho pensou nisso como um jeito de evitar empates na votação. E os 5% restantes… vão para o CEO. Se eu tiver que chutar, o Richard planejou me manter casada com o Kevin por um ano, ele ganharia os 12%… e então votaria para CEO, contando que o conselho ficasse do lado dele e não do meu.

Os olhos de Abbie se arregalaram de raiva! Ela não conseguia acreditar que Richard seria tão baixo a ponto de roubar a empresa da amiga!

— E depois o quê! Te demitir!!

Savannah sorriu.

— Essa é a única coisa que eles não podem fazer. Eu nunca posso ser demitida da empresa. Além disso… nem o conselho consegue negar meu talento… eles me deixariam fazendo todo o trabalho pesado enquanto ele ficava de braços cruzados e levava todo o crédito.

— Esses desgraçados!!!

— Pois é… são mesmo… então você entende… eu TENHO que fazer isso… mesmo que signifique me casar com a besta. Dito isso… também não é como se a minha reputação fosse muito melhor.

Abbie riu alto; era verdade, a amiga não tinha exatamente uma reputação favorável com muitos dos solteiros mais cobiçados de Everpoint. Embora a achassem linda, também a consideravam agressiva, implacável, grossa e impaciente.

— Vocês duas são farinha do mesmo saco.

Abbie riu enquanto servia mais uma taça de vinho para ela e para Savannah.

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