Capítulo 5 Sr. Sebastian

Meu corpo inteiro estremeceu de medo. “Vamos ver como é sentir a carne se partir”, ainda ecoava em minha mente atormentada. Se eu ao menos soubesse quem era Pax, jamais teria me envolvido naquela situação, mas agora era tarde demais. Eu já não podia fugir do meu próprio pesadelo. Eu não poderia fugir do destino que me aguardava, como um tormento que parecia nunca acabar, e não poderia fugir do destino reservado a Pax.

O que aquela mulher havia feito na cidade para que fosse odiada com tamanha intensidade? Eu não obtive respostas, embora meus olhos clamassem por elas. Mesmo assim, fui amarrada pelos pulsos e arrastada até a cidade. A notícia de que eu havia mentido sobre a gravidez tinha se espalhado por todos os lugares, e ninguém sentiria pena de mim.

Os risos dos homens que me arrastavam como um animal pareciam ofensivos, e eu temia minha própria sorte. Foi a primeira vez que realmente pensei sobre a proposta absurda do meu antigo noivo. Foi a primeira vez que ponderei se não deveria ter aceitado o acordo.

A sensação de ser arrastada como uma escrava não poderia ser definida como nada além de humilhação, mas a forma como as pessoas me encaravam, cheias de ódio no olhar, me deixou ainda mais desesperada. O que havia acontecido naquele lugar? Por que eu deveria morrer? O que aconteceria se eu dissesse a verdade?

— Agora você vai pagar, maldita cadela!

Deixei que meus olhos se enchessem de lágrimas. Eu não merecia pagar por nenhum crime. Eu não deveria ser punida por algo que nunca fiz, e não poderia sofrer por algo que sequer sabia que havia acontecido naquele lugar.

— Eu não sou a mulher que você está pensando.

Uma longa gargalhada ecoou como um assombro, e senti cada parte do meu corpo tremer como um terremoto. Minhas pernas estavam quase falhando depois de andar tanto. Eu já não podia mais aguentar.

— Você não muda nunca! — o homem afirmou.

Rapidamente me lembrei das palavras da mulher que havia ido procurar: “Ele não vai acreditar em você”. Ninguém vai, concluí tarde demais.

Meus joelhos cederam quando o vislumbre da cidade surgiu diante dos meus olhos verdes intensos. Minha cabeleira ruiva, completamente bagunçada pelo vento, assemelhava-se a labaredas de fogo em sua própria dança, mas era meu peito que queimava com a dor da antecipação.

Vi o olhar de ódio de cada pessoa que parava seus passos enquanto eu caminhava. Pareciam pobres e magros, e concluí que não deveriam ser daquela maneira. O que estava acontecendo naquela cidade?

— Por que me olham assim?

— Cala a sua maldita boca, vadia! — um dos homens exigiu.

— Nós deveríamos nos aproveitar dela.

— Melhor não. Ela é do Sr. Black agora.

Uma longa gargalhada se seguiu, enchendo meu peito com uma dor que eu jamais havia sentido antes. Nem mesmo a possibilidade da minha morte me tinha deixado tão amedrontada, e me perguntei se não deveria mesmo ter me deixado levar pela doença.

— Acha que o Sr. Sebastian Black se importa com ela? Todos na cidade sabem que ele só se casou por obrigação...

O outro homem me encarou, sentindo todo o ódio o dominar:

— Bebê que não existe... Como se tudo o que ela já lhe fez não tivesse bastado! — O rancor tomou conta das palavras, e senti o ódio em cada sílaba.

Então um dos homens simplesmente me agarrou pelos braços e rasgou a roupa que protegia meu corpo da nudez. As marcas da noite anterior os fizeram rir.

Uma atrocidade estava prestes a ser cometida naquela cidade, mas nem sequer uma única pessoa parecia se importar com aquilo. Foi quando tive a certeza de que não teria qualquer chance de escapar viva.

Para Sebastian Black, livrar-se de mim seria uma grande bênção, então por que alguém deveria se preocupar que ele ficasse bravo? Por que alguém acharia que aquele homem importante se vingaria deles por tomar o que lhes era de direito? Afinal, não fariam nada que o pai de Pax já não tivesse feito. Não fariam nada que a própria Pax não tivesse ajudado o maldito ditador a fazer.

Cruzei os braços em frente ao corpo, cobrindo meus seios pequenos. Meu corpo magro ainda era esbelto e atraente, e um deles saboreou minha pele macia, ao passar os dedos nojentos pelo sulco das minhas costas.

Eu esperava que ele abrisse a calça e me tocasse por baixo, e aquilo seria meu maior pesadelo, mas a dor aguda me atingiu como uma surpresa ingrata. Gritei desesperadamente.

As pessoas ainda estavam paradas, observando e suspirando profundamente. Eu sequer parecia representar um ser humano para elas, e me perguntei se meu marido me via da mesma maneira.

Muitos haviam morrido de fome por causa do pai da senhorita Pax, a dama de fogo — a mulher de cabelos vermelhos que aterrorizava qualquer morador da cidade, mesmo enquanto ainda era uma criança. Mas bastou apenas um jogo de sorte para que Sebastian se apoderasse de tudo. Desde então, a vida daquela mulher havia se tornado miserável; ela precisava aplicar-lhe mais um golpe certeiro, como no passado, em que arruinou a vida e a carreira dele.

Uma lágrima solitária percorreu o caminho do meu rosto. Fui curvada sobre uma mesa cheia de frutas. Minha roupa foi erguida e meu corpo exposto em partes que eu odiava imaginar que todos pudessem ver. A humilhação, os olhares, nada se comparava ao medo que senti quando o homem fétido se encostou em mim, tocando-me com suas malditas partes íntimas, ainda por cima da calça.

Fechei os olhos, mas não consegui mantê-los fechados por muito tempo. Eu havia perdido qualquer esperança. Sabia que jamais seria salva. Sabia que ninguém me ajudaria naquele lugar.

Quanto mais ele se esfregava em mim, mais minhas costas doíam, e eu poderia jurar que as marcas de cinto fizeram escorrer sangue. Eu não deveria me ferir. Não deveria perder sangue. Eu não podia de forma alguma me machucar, e sabia que perder aquele líquido vital me faria morrer, mas, naquele momento, era tudo o que eu mais desejava que acontecesse.

Meus olhos encontraram o único rosto familiar no meio da multidão, e eu o encarei como se já estivesse morta.

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