Capítulo 2
- Capítulo 2: Não vou poupar você
“Eu... Henry... hen...”
“Está tão apaixonada por ele que está pensando nele quando está comigo?”
A voz áspera e furiosa dele ecoou pelo quarto dela, enquanto o barulho da cama por causa do que faziam ficava cada vez mais alto. A dor e o prazer imenso a forçaram a abrir os olhos. Eles encontraram o homem sobre ela e congelaram.
Não podia ser. Podia?
Ela estava no quarto do ex-marido. Como isso era possível? Ele não tinha morrido junto com ela naquele porão frio e sujo?
Ela piscou, afastando as lágrimas dos olhos, e perguntou em tom hesitante:
“Aiden?”
“Sim”, Aiden respondeu, desacelerando. Seus olhos cinzentos encontraram os dela, cor de caramelo. Ela percorreu com o olhar a linha bem desenhada da mandíbula dele e o cabelo castanho-dourado, desgrenhado. Uma eletricidade faiscante percorreu sua espinha, exatamente como no primeiro dia em que se conheceram.
Ela estava confusa. Ele não estava morto?
Aquilo era um sonho ou uma lembrança?
“Aiden Scott?” Ela se ergueu de repente e perguntou.
“O único. Quem você acha que está fazendo amor com você?” A voz dele endureceu, e ele aumentou a pressão para punir sua pequena esposa. Movendo-se para dentro e para fora até que ela mal conseguia respirar. Os dedos dele seguraram o rosto dela com suavidade, e sua voz saiu rouca e furiosa. “Ele consegue fazer você se sentir tão bem assim?”
Ela abriu um sorriso largo. Só o marido dela podia ter uma confiança daquelas.
“Não, s-só você”, ela rebateu depois de um gemido alto. Os braços dela se fecharam com força ao redor do pescoço dele enquanto ele continuava. Os olhos dela se encheram de lágrimas, e ela soluçou contra o pescoço dele.
Tudo fez sentido. Ela havia renascido. Hoje, ela tinha feito um plano para encontrar Henry no dia seguinte e decidido agradar Aiden para que ele a deixasse sair sozinha. Era para ser só um beijo, mas acabou virando algo mais.
Seus soluços ficaram mais altos, e ela o abraçou com mais força, respirando o cheiro de pinho dele. Ela passou as mãos pelas costas largas dele, espiando a tatuagem de cruz ali. Era ele. Mais lágrimas escorreram por seu rosto.
Ao sentir as lágrimas dela caindo em suas costas, Aiden parou, ergueu o olhar e perguntou:
“Por que você está chorando? Quer que eu pare?”
Instantaneamente, um sorriso surgiu em seus lábios; ela colou os lábios nos dele e sussurrou com carinho:
“Não. Não... não para. São lágrimas de felicidade.”
Embora surpreso com a atitude dela, Aiden continuou a noite inteira, até que ela desmaiou de exaustão.
No dia seguinte, a luz intensa do sol do meio-dia atravessava as cortinas e se refletia no casal enroscado na cama. Aiden já estava acordado havia horas, observando a esposa com perplexidade.
Ela o beijara ontem por vontade própria, depois de cinco anos de casamento.
Ele devia ficar feliz ou preocupado?
Seus pensamentos foram para os papéis do divórcio já assinados, que ela escondera no armário.
Ontem tinha sido uma despedida?
“Nunca!” Ele franziu a testa profundamente, cerrando os dentes. Aquela era a esposa dele e a mãe do filho dele. Ele nunca a deixaria ir, acontecesse o que acontecesse.
Nem era preciso dizer que logo descobriria as verdadeiras intenções dela. Em cinco anos juntos, ele podia contar nos dedos de uma mão quantas vezes consumaram o casamento. Toda vez que ela tomava a iniciativa, no dia seguinte pedia milhões ou algum favor, e tudo tinha a ver com Henry Rowan. Aquele pestinha tinha o coração da esposa dele.
Ao pensar nisso, seu coração doeu. Aiden decidiu se levantar e sair da cama. Ela sabia onde encontrá-lo.
De repente, mãos pequenas e suaves agarraram seu pulso por trás.
“Onde você vai, Rodnaya?”
Rodnaya?
Era um apelido que ele dava a ela, mas que tinha deixado de usar havia mais de três anos. Significava “amada”. O coração dele azedou; ela estava usando aquele apelido.
Seria hoje o dia em que ela levantaria a ideia do divórcio depois de cinco anos? Justo no quinto aniversário de casamento?
Ele não permitiria.
Puxando a mão para longe, ele disse:
“Tomar banho.”
“Quer que eu vá junto?” ela perguntou, animada, sentando-se na cama. O que ela não percebeu foi que todos os seus atributos, escondidos sob o lençol, agora estavam completamente à mostra. O longo cabelo preto estava preso num coque bagunçado. E Aiden podia sentir que estava ficando duro de novo.
“O quê?” Ele franziu a testa para esconder o desejo que sentia. Era mais forte do que a tentação dela, embora nunca conseguisse se saciar dela.
O que o surpreendia era que ela quisesse outra rodada depois de tudo o que tinham feito ontem. O favor devia ser grande.
A princípio, ela fez uma careta diante do comportamento dele, mas depois se lembrou de como ele sempre fora paciente com ela e falou de modo manhoso:
“Por que não? Vai economizar água.”
Instantaneamente, ele se lembrou de quando ela chamou o nome de outro homem na cama dele. A raiva atravessou seu rosto, e ele respondeu:
“Sou um multibilionário, caso tenha esquecido. Posso pagar por isso.”
Esse homem era difícil demais de convencer.
Sem saber o que fazer, ela estendeu os braços e fez um gesto para chamá-lo de volta. Sua voz era suave e melodiosa.
— Bebê, volta.
— Não — Aiden retrucou, ríspido, enquanto tirava as roupas do guarda-roupa. Era melhor fingir que estava concentrado nelas do que naquela criatura tentadora na sua cama. Então, desnorteado, insistiu: — Desde quando você ficou tão grudenta assim? Que jogo é esse desta vez? Qual é o favor?
— Eu não estou jogando. Eu só estou obcecada pelo meu marido. Desde o dia em que eu percebi o partidão que você é — ela respondeu na hora, com um sorriso contagiante.
Vendo-o tão indiferente, os ombros de Elsie murcharam. Ela era tão pouco atraente assim a ponto de ele preferir fingir que estava fazendo alguma coisa sem sentido a olhar para ela?
A relação do casamento deles estava tão ruim assim?
Fazia sentido ela ter se recusado a se aproximar do próprio filho, porque ele parecia exatamente com o pai. O homem que ela mais odiava por tê-la amarrado a esse casamento. Provavelmente por isso ele desconfiava.
Uma risada satisfeita vibrou no peito dele. Fingindo indiferença, Aiden retrucou com arrogância absoluta:
— Eu venho te dizendo isso há anos.
Era verdade. Infelizmente, a Elsie de antes era burra e preferia ouvir o que gente de fora achava do casamento e do marido, em vez de prestar atenção no que ele a fazia sentir.
Mesmo assim, ele não olhava para ela. Aquilo a entristecia. Elsie calçou os chinelos ao lado da cama e marchou até ele. Parou atrás dele, com a garganta apertando.
— Desculpa. Eu não acreditei em você.
Por algum motivo, Aiden acreditou que as palavras dela eram sinceras. Ele se virou, com as sobrancelhas franzidas.
— Por quê?
Ao lembrar da própria burrice anterior, um risinho vazio escapou dos lábios dela. Ela começou, com lágrimas não derramadas brilhando nos olhos:
— Eu era burra e jovem. Eu escolhi ouvir alguém de fora em vez da minha família. Meu pai traía minha mãe o tempo todo quando eles eram casados, e isso levou à depressão que a matou. Eu cresci sozinha, achando que todos os homens eram iguais e me recusando a acreditar que você fosse tão diferente. Me perdoa, Aiden, meu amor. Me dá uma chance de passar a vida inteira compensando você e o Eldon.
— Por favor, rodnaya, fala alguma coisa — ela implorou, chorando nas próprias mãos. Só esperava não estar tarde demais para consertar as coisas.
Dando um passo à frente, ele segurou o rosto dela com a mão, com o polegar repousando bem diante da orelha, e envolveu a cabeça dela com os dedos num carinho suave. As pontas dos dedos se enroscaram de leve nas mechas do cabelo dela. Sua voz era tranquilizadora:
— Eu te perdoo. Eu nunca guardei rancor; você só precisa compensar o nosso filho.
Em todos os anos juntos, Aiden não conseguia odiá-la, por mais que tentasse. Ele se apaixonou por ela de verdade, profunda e sinceramente, mas só desejava que ela aceitasse o amor dele e tratasse o filho deles de outro jeito. Quem mais sofria era o pequeno Eldon, porque acreditava que a mãe o odiava. Aiden não acreditava nisso nem um pouco. Ele só queria fazê-la parar de chorar.
— Pai, pai. Abre a porta — uma voz jovem clamou, esmurrando a porta e quebrando o silêncio entre o casal.
Ao ouvir aquela voz, o coração de Elsie deu um salto de alegria. Ela não a ouvia havia dez anos. Só o via por fotos quando ele fez quinze. No porão, ela se arrependia todas as noites de ter abandonado o seu filho precioso. Agora, o filho era um menino de novo, e ela não perderia seu crescimento por nada neste mundo.
Enxugando o canto dos olhos, os lábios dela se abriram num sorriso enquanto ela ergueu o olhar para o marido.
— Obrigada. Vai tomar banho; deixa que eu abro a porta.
Ele a encarou com uma expressão complicada e retrucou:
— Deixa comigo.
Ela parou e perguntou. O rosto dela tremeu, revelando o medo. Ele não queria que ela visse o Eldon?
— Você está nua, rodnaya — ele disse, direto, reprimindo um sorriso de se formar nos lábios. A coelhinha dele não fazia ideia do quanto era difícil manter uma conversa séria com ela sem roupa, quando tudo o que ele queria era puxá-la de volta para a cama.
Imediatamente, o olhar dela desceu para o próprio peito, e o vermelho subiu às bochechas. Sem pensar, ela cruzou os dois braços sobre o peito e correu para o banheiro.
Observando-a ir, Aiden fechou a boca, com a dúvida evidente nos olhos. Ele suspirou:
— Eu não sei que jogo você está fazendo agora, Elsie, mas não machuque meu filho no processo. Porque, por isso, eu não vou te poupar.
No banheiro, Elsie desabou ao ouvir aquilo. Ela sabia que não conseguiria convencê-lo tão rápido de qualquer jeito. Ainda assim, sorriu ao pensar que Deus estava lhe dando outra chance de desfazer seus erros.
Ele abriu a porta, e uma versão em miniatura dele saiu correndo para dentro. O pequeno Eldon gritou:
— Pai, pai!
