Capítulo 3

Capítulo 3; Você drogou ele?

O garotinho bonito entrou correndo de uniforme escolar, segurando a mochila. Era a versão miniatura do pai, exceto pelo cabelo cor de caramelo e os impressionantes olhos azuis. Eldon abraçou a perna do pai.

— Bom dia, papai.

Pondo a mão nas costas do menino, o rosto de Aiden se iluminou de alegria.

— Bom dia, Eldon. Como foi a sua noite?

O pequeno deu de ombros e então pegou a mão do pai.

— Foi boa. Tenho uma coisa para te mostrar.

Eles se sentaram na cama. Os olhos curiosos do garotinho examinaram o ambiente. Ele torceu o nariz para a cama bagunçada, as roupas no chão e o cheiro estranho no quarto.

Naquele momento, isso não importava. Ele estava bem nervoso com sua apresentação que se aproximava. Eldon limpou o rosto com as costas da mão. Depois de remexer na mochila, tirou um papel verde.

— Papai, essa é a minha redação. A professora disse que a gente deveria escrever sobre nosso pai favorito.

O peito de Aiden se aqueceu de orgulho ao ler o parágrafo que o filho havia escrito. Com cerca de cinco anos, Eldon tinha um QI alto e era o melhor aluno da turma. Além disso, já sabia soletrar muito bem, o que era impressionante para uma criança da idade dele.

— O que o meu garoto escreveu?

De repente tímido, Eldon escondeu o papel atrás das costas.

— Hum... não fica bravo comigo.

— E por que eu ficaria? — perguntou ele, divertido com a timidez do filho, que claramente havia herdado da mãe, Elsie.

Eldon mordeu o lábio inferior, com o olhar preso ao chão de mármore.

— Eu escrevi sobre a mamãe.

A expressão de Aiden permaneceu gentil e compreensiva.

— Isso é maravilhoso. Eu não estou bravo nem um pouco.

Com os lábios comprimidos, Eldon foi se animando devagar outra vez.

— Mas eu sei que você me ama e a mamãe me odeia. Mesmo assim, eu amo muito ela e quero mostrar, na minha redação, que eu amo ela.

No banheiro, Elsie escutava com uma dor aguda no coração. Seus lábios tremeram. Seu menino achava que ela o odiava?

Na vida passada, ela foi bastante distante dele porque queria fazer Aiden se divorciar dela o mais rápido possível. Trix a havia convencido disso. Às vezes, quando estava bêbada, descontava sua frustração na criança, que era a cara do pai.

No fim das contas, ela tinha sido uma mãe horrível. Como o menino poderia pensar outra coisa?

Para sua surpresa, Aiden não a culpou. Soltando uma risadinha, comentou:

— Sua mãe não te odeia, campeão. Eu já te disse que ela está triste e precisa resolver algumas coisas. Depois disso, ela vai ser uma boa mãe para você.

— Ela já me amou algum dia? — perguntou ele, preocupado, brincando com os dedos e mantendo os olhos baixos. Seus olhos brilhantes agora estavam vermelhos, cheios de lágrimas que ainda não haviam caído.

Isso partiu o coração dos pais.

Puxando o filho para um abraço, Aiden o consolou com uma voz suave:

— Claro que sim. Ela te amou desde o momento em que descobriu que você estava na barriga dela. Ela te amava. Você é o orgulho dela, ela fala de você para todas as amigas. Quando você nasceu, ela te levava para todo lugar. Você só não consegue se lembrar.

Atônita, Elsie piscou para afastar as lágrimas. Esse homem era real? Ele a entendia tão bem.

O que havia acontecido era que Aiden estava prometido a Trickson Dale.

Depois que a mãe de Elsie salvou a vida do avô de Aiden, ele, como forma de demonstrar gratidão, os deixou noivos. Obviamente, Trickson a odiava porque ela amava Aiden.

Quando se conheceram, Aiden e Elsie não tinham interesse um no outro — pelo menos era isso que ela pensava. A herança de Aiden o forçou ao casamento, enquanto Elsie aceitou para realizar o último desejo da mãe. Os dois fizeram um acordo para se separar depois de um ano, alegando diferenças irreconciliáveis.

Uma coisa levou à outra numa noite de Ano-Novo, e eles acabaram consumando o casamento. Alguns meses depois, ela descobriu que estava grávida. Embora não o quisesse, ela amava Eldon e, ao mesmo tempo, se apaixonou por Aiden. Até que Trix apareceu com suas mentiras e armações.

À medida que ele crescia, Elsie tirava fotos do filho todos os dias e o levava para todo lugar. Ela não conseguia parar de falar dele para as pessoas. Até que Trix disse para ela fingir odiar o próprio filho, para que Aiden a expulsasse de casa. Infelizmente, não importava o que ela fizesse, Aiden nunca concordava com o divórcio.

"Eu do passado era tão idiota e tratei mal meu filho biológico. Nesta vida, vou fazer melhor", pensou.

—Sério? — a cabeça de Eldon se ergueu num sobressalto de surpresa. Um sorriso imenso se espalhou por seus lábios.

Aiden retribuiu o sorriso do filho e assentiu.

—Claro. Ela ama você muito.

De repente, as lembranças das interações passadas com a mãe vieram à tona, e isso o deixou triste. Seus ombros caíram, e ele suplicou:

—Se é assim, por que ela sempre briga comigo e às vezes manda eu ir embora? A mamãe fica o dia inteiro no quarto e nunca toma café da manhã com a gente nem cozinha para nós como a mãe do meu amigo faz. Parece até que ela odeia a gente.

Naquele momento, o maxilar de Aiden se contraiu. Ele se lembrou de todas as vezes, no passado, em que o filho chorou por causa da própria mãe. Isso o fez apertar o lençol no punho. Acorrentando as próprias emoções, ele falou com a voz suave:

—Campeão, eu já te disse que sua mãe está de luto. Ela perdeu a mãe dela e está triste.

De luto pela minha mãe? Há! Minha mãe morreu quando eu tinha dezessete anos, ela suspirou por dentro.

O garotinho suspirou.

—Eu entendo, mas parece que estou perdendo ela. Sinto muita falta da mamãe.

—Ela também sente sua falta — respondeu Aiden, beijando sua testa.

Um rangido chegou aos ouvidos de Aiden, e ele olhou na direção do banheiro, encontrando a esposa observando os dois. Seus olhos escureceram, e ele disse ao filho:

—Sua mãe vai ao seu recital.

—Sério? A mamãe nunca foi à minha escola. E se ela se perder?

—Nós vamos juntos — Aiden garantiu em tom firme.

Estava decidido: Elsie teria de comparecer àquele recital. Mesmo que fosse em troca do favor de que ela precisava, ou ele mesmo a arrastaria até lá.

Os olhos de Eldon se iluminaram, e ele ergueu os braços para o alto em comemoração. Abraçou o pai com força.

—Eba! Obrigado, pai. Você é o melhor!!!

—De nada. — Aiden sorriu de volta para o menino.

Ele não era o tipo de homem que sorria muito, mas percebeu que fazia isso com frequência perto da esposa e do filho. Eles eram o mundo dele.

No banheiro, Elsie olhava ao redor desesperadamente, procurando algo para vestir. Eles ficavam em quartos separados, então nenhuma das coisas dela estava ali. Pelo canto do olho, encontrou uma camisa azul. Rapidamente, a vestiu. Estava muito animada para ver o filho.

De repente, o menino perguntou, examinando o quarto:

—Pai, por que seu quarto está tão bagunçado? Nunca fica bagunçado.

—Ahh. O papai estava procurando um arquivo muito importante — respondeu ele com calma.

Olhando para o relógio, Aiden pegou o celular e o filho com a outra mão.

—Vamos. Você precisa ir para a escola.

—Tá bom, pai. — Ele sorriu sem reservas.

—Eldon, querido...

Infelizmente, quando ela saiu, eles já tinham ido embora. Seu sorriso desabou.

—Para onde eles foram?

Erguendo os olhos, ela fitou o relógio antigo de corda preso à parede. Era o mesmo que tinha dado a ele quando se conheceram oficialmente. Era constrangedor. Elsie era péssima em dar presentes. Ainda assim, isso a fez sorrir.

—Acho que eles já foram para a escola, já está na hora. Vou falar com ele mais tarde, então. Primeiro preciso lidar com ___

Suas palavras foram interrompidas pelo toque repentino do celular. Ela caminhou até o peitoril da janela, onde o havia deixado. O aparelho pareceu estranho em suas mãos, porque, no futuro, a tecnologia tinha mudado demais. Os celulares novos eram transparentes e sem peso. O nome do contato apareceu correndo na tela: “Trixson Sis”.

Só de ler aquilo, seu sangue ferveu. Aquela mulher maligna, que havia feito vários homens a estuprá-la por mais de dez anos. Elsie queria despedaçá-la. No entanto, desta vez, a escolha seria diferente. Nesta vida, ela faria todos eles se arrependerem de ter nascido.

Com certeza.

—Alô — atendeu ela, desconfiada, sem saber por que Trix estava ligando.

Uma vozinha veio do outro lado. Soava tão inocente e pura que poderia derreter o coração de qualquer um.

—Elsie? É você?

Em carne e osso!, pensou Elsie, rangendo os dentes.

Embora seu temperamento tivesse se inflamado, Elsie conseguiu respirar fundo e responder no mesmo tom:

—Sim, irmã mais velha. Por que está me ligando?

—Por quê?! — a voz antes calma se ergueu numa raiva desenfreada. Sua verdadeira face mostrou as garras. Percebendo que tinha se descuidado, Trixson Dale começou a tossir. — Minha tosse está piorando, preciso consultar um otorrino. Você esqueceu? Henry Rowan está no hospital distrital por causa de um acidente. Você precisa correr para lá com a conta. Já drogou Aiden?

Instantaneamente, os olhos de Elsie se arregalaram.

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