Capítulo 5

Capítulo 5: Ele não é meu namorado

Aiden Scott tremia de raiva, lutando para manter a expressão neutra. Aquela mulher tinha o dom de provocá-lo. Mais cedo naquela manhã, fizera incontáveis promessas, apenas para quebrá-las em questão de horas.

Será que esse era o plano dela desde o começo? Seduzi-lo para que ele baixasse a segurança da casa e, então, escapulir para encontrar o amante? Era uma falta de vergonha, usar o próprio corpo para manipulá-lo. E, para piorar, ainda tinha se arrumado e passado maquiagem para vê-lo, como se estivesse zombando da estupidez dele. A dor foi funda.

Ele não podia negar que a decisão de forçar aquele casamento por causa de Eldon tinha sido egoísta. Era errado mantê-la confinada em casa contra a vontade dela. Mas ele a amava, profundamente. Ainda assim, ficava cada vez mais claro que, por mais que tentasse, não conseguiria fazê-la amá-lo de volta.

Reprimindo a dor no peito, Aiden se recompôs, virou-se para o assistente e ordenou:

— Ligue para a residência. Avise aos guardas para recuarem.

Joseph, seu assistente, coçou a orelha, incrédulo. Ele tinha ouvido direito? Se fizessem isso, aquela mulher irritante ficaria livre para ir embora. Ele não dava a mínima para ela, mas o presidente dava e, por isso, ele também tinha de dar.

Joseph lançou um olhar para o hospital e suspirou por dentro. “Coitado do menino, com uma mãe tão dada a flertar.”

— O senhor tem certeza, presidente? A madame com certeza vai fugir — Joseph perguntou, evitando encarar Aiden, sem querer ultrapassar limites e levar uma bronca.

— Se é isso que a faz feliz, então que seja. Remarque todas as minhas reuniões para hoje à noite — respondeu o presidente com calma, um sentimento estranho cintilando nos olhos.

— Presidente, isso vai levar a noite inteira — Joseph retrucou, contrariado; seus próprios planos para a noite tinham sido arruinados por causa das ações daquela mulher tola. Ele queria sacudi-la para ver se ela criava juízo. Tinha um bom homem ao lado.

— Não me importo — Aiden bufou, enfiando as mãos nos bolsos e continuando a encarar a janela. A lembrança dela se arrumando para Henry Rowan fisgou seu coração.

Ele precisava se distrair daquela dor.

— Presidente, se a madame vive traindo o senhor com esse tal de Yam, por que o senhor não trai ela de volta?

Joseph tremeu de medo diante do olhar de lado que Aiden lhe lançou em resposta. Baixou a cabeça na hora, com as pernas bambas. Conforme a temperatura do ambiente parecia cair:

— Perdoe-me, presidente. Às vezes eu falo sem pensar. Passei dos limites.

Aiden permaneceu em silêncio, caminhando com determinação até o armário cinza do escritório. Pegou uma garrafa de uísque e serviu um pequeno copo. O calor do líquido amenizou parte do tumulto dentro dele enquanto descia queimando pela garganta.

Ele tinha sido ingênuo ao acreditar que um dia ela o amaria.

Ele se apaixonara por ela, mas ela nunca correspondeu.

Cinco anos de casamento, e ela só tinha um homem no coração: Henry Rowan.

Pegando o celular, ele procurou o contato do advogado de divórcio. Fazia um ano que trocavam mensagens. Sempre que pensava em se divorciar dela, não conseguia ir até o fim.

“Se você ama alguém, deixe-a ir”, lembrou a si mesmo em silêncio.

Soltando um longo suspiro, ele fez a ligação.

Dentro do quarto do hospital, um homem estava sentado com indiferença na cama, balançando os pés. Tirou um cigarro de um maço dourado de aparência cara. Era Henry Rowan. Seus olhos castanhos se fixaram na mulher à porta, que andava de um lado para o outro, resmungando coisas sem nexo.

Quando seus olhos se encontraram, ela correu até ele e arrancou o cigarro de sua boca. “É só pra isso que você serve, não é? Você nem consegue trazer aquela garota idiota até aqui.”

Saltando da cama, ele flexionou os músculos e lançou um sorriso charmoso para Trix. “Relaxa, gata. A Elsie é obcecada por mim. Ela faria qualquer coisa pra me ajudar, até vender os próprios rins. Então fica de boa e respira.”

Trix apenas riu. “Você é tão arrogante, não é? Estou com um mau pressentimento sobre isso, e você está aí fumando!” Ela reconheceu a marca do maço, e seu rosto ficou vermelho de frustração. “Esses cigarros não custam cem dólares o maço? Você está só jogando dinheiro fora.”

Henry Rowan deu de ombros com descaso, rindo. “E por que não? Minha namorada é casada com um bilionário. Um dia, vou fumar os cigarros mais caros e ficar com as mulheres mais bem pagas!”

Era verdade. Eles sempre usavam o abuso de drogas como meio de extorquir milhões de Elsie. Ela era a vaca leiteira deles.

Enfurecida, Trix ergueu as mãos em frustração. “Você não tem jeito! O que aquela imbecil vê em você, afinal?”

“Minha personalidade. Coisa que o marido gelado dela não tem”, disse ele com orgulho, tirando mais dois cigarros para acender dessa vez, enquanto Trix entrava no banheiro para retocar a maquiagem.

Elsie bateu de leve à porta do quarto de hospital de Henry. Quando ele atendeu, ela ficou surpresa com a aparência horrível dele.

Foi por esse homem que ela se apaixonou?

Embora ele ainda fosse bonito até certo ponto, ela conseguia ver os resultados evidentes do abuso de drogas. Como, nesta vida, ela ainda não conhecia a verdade sobre ele e precisava manter a encenação, assumiu uma expressão preocupada, com lágrimas brilhando em seus olhos.

“Henry, o que aconteceu? Trix me disse que você sofreu um acidente... mas você parece saudável!” Suas palavras morreram ao perceber Trix saindo do banheiro com toda a naturalidade. Os olhos de Trix se arregalaram ao ver Elsie, e então se voltaram para Henry, que estava de pé, fumando dois cigarros ao mesmo tempo. O que ele tinha aprontado agora?

Ela precisava consertar aquilo. Tentou se aproximar, mas Elsie ergueu a mão para detê-la. “Você mentiu pra mim!” Elsie lhe deu um tapa forte no rosto, tão forte que seus dedos doeram. Ela bateu nele de novo, com as costas da mão, ainda mais forte que da primeira vez. E mais uma vez; não era o bastante para o ódio profundamente enraizado em seu coração.

Um dia ela os faria se ajoelharem e implorarem. Eles pagariam por destruírem sua família.

Eles mereciam. Lágrimas de crocodilo escorreram por seu rosto, e ela chorou: “Eu te odeio! Como você ousa mentir pra mim? Acho que era o destino, já que eu vim aqui para acabar tudo entre nós. Acabou!”

Essa mulher inconveniente tinha terminado o relacionamento deles?

Ela ainda tinha dado tapas nele?

Aquilo era um pesadelo?

O cérebro de Henry não conseguia processar nada daquilo. Como aquela mulher idiota ousava bater nele? Ele queria lhe dar uma lição, mas Trix fez um sinal para que ele contivesse a raiva.

Vestindo uma fachada de arrependimento, ele jogou os cigarros numa lixeira e correu para abraçá-la, mas foi empurrado. “Não é o que você está pensando, baby! Eu... eu...”

“Não. Não me chama de baby! Eu percebi o meu valor e o do meu marido. Adeus, Henry.” Elsie saiu correndo do hospital, cobrindo o rosto com as mãos. Quando finalmente ficou fora de vista, escondeu-se atrás da porta dos funcionários. Seu plano estava se desenrolando aos poucos. Ela sorriu docemente, lançando um olhar para o relógio de pulso.

Trix também correu atrás dos dois pombinhos. Ela precisava garantir que eles fizessem as pazes. “Trixson Dale”, chamou uma voz desconhecida atrás dela. Trixson se virou por reflexo. Seus olhos se arregalaram ao ver a quantidade de câmeras disparando flashes em sua direção.

“O que eles estão fazendo aqui?”

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