ESPOSA SUPLENTE DO CEO

ESPOSA SUPLENTE DO CEO

Jhomairyn Castro · Concluído · 119.1k Palavras

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Introdução

Sim, eu aceito sua proposta, senhor Harrison. Aquelas palavras acabariam mudando sua vida.

Ele lhe oferece um contrato de casamento por dois anos, mas ela... ela quer um amor para sempre.

Gianna Santos sempre foi boa, doce e carinhosa. Tem grandes sonhos na vida, mas, sem nenhuma dúvida, o maior deles é se casar com o namorado e ter uma vida tranquila, viajando pelo mundo, conhecendo os lugares mais exóticos ao lado do homem que ama. Gianna desconfia que em breve vai receber um pedido de casamento, mas está longe, muito longe da realidade, porque tudo está prestes a desmoronar.

Alexander Harrison é um empresário conhecido, famoso por ser duro nos negócios, diretor implacável da Harrison Corporation e dono do coração da belíssima Adara Black, uma modelo deslumbrante que conseguiu conquistá-lo com sua doçura, seu encanto e suas curvas maravilhosas.

O destino está prestes a aprontar das suas e a juntar, de forma inesperada, a vida de uma órfã sofrida e a de um CEO em apuros, sedento de vingança. Ela precisa fugir, ele precisa de uma esposa. Um contrato vai dar a saída para os problemas dos dois: dois anos de casamento e depois o divórcio. Mas o que vai acontecer quando o amor ultrapassar a fronteira dos limites legais? Em teoria, é um casamento com data de validade, só que Gianna quer um amor para sempre. Ela quer dizer: Sim, eu aceito, mas desta vez, para a vida toda.

Capítulo 1

Gianna sorria feliz ao se ver rodeada pelas muitas crianças que se aproximavam dela para lhe dar uma pequena demonstração de carinho ou agradecimento. Ela gostava de passar horas e horas da semana dedicadas às crianças do orfanato Ignacio Santos, lugar onde ela havia crescido. Nunca tinha conhecido pais, irmãos ou qualquer outro familiar. Sua família eram as muitas crianças e as freiras que viviam dentro do orfanato Ignacio Santos. Ninguém ali tinha sobrenome, então, como consequência, todos adotavam o sobrenome do orfanato. Gianna Santos, esse era seu nome, e ela se sentia feliz que, sendo apenas um bebê, tivesse podido contar com o apoio e respaldo daquele lugar.

Ethan Maxwell, seu namorado há já três anos, não fazia outra coisa senão pedir que ela se afastasse daquele lugar, que esquecesse seu passado. Para ele, era simples a ideia de dar um passo atrás e começar do zero, e que sua vida começasse a contar desde que ela atingiu a maioridade e, consequentemente, teve que sair do orfanato, encontrar um lugar para viver e um trabalho para se sustentar. Para sua sorte, ela contou com Melly, uma companheira de orfanato, um ano mais velha que ela, e ao expor sua situação, Melly não hesitou em aceitá-la em seu pequeno apartamento. Era um lugar pequeno, mas confortável, o suficiente para ambas. Melly também a recomendou na cafeteria onde trabalhava, assim que logo se viu desfrutando de uma nova vida fora do orfanato, o único lugar que conhecia como lar.

Foi naquela cafeteria que ela conheceu Ethan Maxwell. Seu jeito rude e masculino a impressionou. Seu corpo atlético e bem trabalhado, além de sua excelente estatura, lhe davam uma aparência perfeita para ser intimidante. Ele cursava o último ano da universidade, dedicava-se ao rugby e logo se formaria para ingressar nos negócios da família. Os Maxwell eram uma família importante que se misturava com o que havia de melhor na cidade. Foi por isso que ela não compreendeu como Ethan tinha se interessado por ela. Não se menosprezava, considerava-se bastante bonita, mas não ao ponto de enlouquecer de amor e paixão um jovem de mundo como ele.

Ethan começou a frequentar a cafeteria durante os turnos dela. Seus lindos olhos verdes cheios de brilho estavam sempre fixos nela, e não demorou para convidá-la a sair. Gianna, no início, se sentiu coibida e insegura, mas acabou aceitando. Pouco tempo se passou antes de ambos terminarem muito apaixonados. Um ano e meio mais tarde, Gianna havia se mudado para um apartamento espaçoso para iniciar sua vida ao lado de Ethan. Se havia algo que a desiludia ou, que chegava a ofuscar seu mundo de felicidade, era que os pais dele não a olhavam com bons olhos. Para eles, ela era apenas a diversão momentânea do filho, a garota com quem ele se divertia enquanto eles encontravam a mulher adequada para ele. Por isso, viam aquela relação com maus olhos. Gianna não era mais que uma órfã, sem família, sem dinheiro, sem nada que pudesse acrescentar à família Maxwell...

—Não se preocupe, meu amor —ele havia dito—, eles acabarão te aceitando mais cedo ou mais tarde, quando perceberem o quanto eu te amo.

Aquilo a fez suspirar com pesar. Ela queria fazer parte de uma família, ser recebida com amor, poder formar aquele núcleo familiar do qual tinha carecido. Ainda assim, manteve a esperança de que seus futuros sogros a aceitariam, esperança que se desfez quando, há cerca de nove meses, a mãe de Ethan se apresentou no apartamento que eles compartilhavam e, como em uma telenovela, jogou aos seus pés um cheque com uma quantia considerável para que ela se afastasse de Ethan.

—A senhora está muito enganada —disse ela—, meu amor por Ethan não tem preço, então… —pegou o cheque e o entregou de volta—, tome seu dinheiro e saia da minha casa, minha dignidade não está à venda. Se você não me quer, eu aceito, mas não pretenda manchar o amor que sinto por seu filho.

—A enganada é você —ela a olhou com desprezo—, esse passatempo do Ethan já durou demais, deve acabar agora.

—Talvez seja exatamente isso, não é um passatempo, nós nos amamos, senhora.

—Esqueça meu filho, para o seu próprio bem, caso contrário você será infeliz —ela advertiu—, já encontramos a candidata perfeita para ser a esposa de Ethan, você não tem nada a oferecer à família, é uma pobre jovenzinha que não tem nada na vida —Gianna a olhou furiosa—, meu filho é o único herdeiro dos Maxwell —a olhou com desprezo—, e não permitirei que nosso dinheiro termine nas suas mãos.

—Eu não ligo para o seu dinheiro, peço que saia da minha casa gentilmente —estava mais irritada do que gostaria de demonstrar—, saia, agora mesmo.

—Entendo que você não compreenda a importância do nosso legado e sobrenome, afinal de contas, você carece de qualquer um dos dois —essas palavras a fizeram olhar para a mulher como se tivesse sido ferida—. Meu filho nunca poderá ter algo sério com você —jogou o cheque novamente—, fique com ele, vai precisar —e dito isso, saiu, deixando-a entristecida e humilhada. Aquilo gerou uma forte discussão entre Ethan e seus pais, discussão pela qual a mãe o culpava. Depois disso, tudo se acalmou, Ethan continuava afetuoso como sempre e lhe garantia que não havia motivos para se preocupar, e assim os meses passaram.

Nos últimos dias, Ethan parecia misterioso, falava muito sobre casamentos e futuros filhos, e Gianna sempre terminava sorrindo. Começou a suspeitar que Ethan estava preparando uma proposta de casamento, e isso a enternecia. Era óbvio que se casaria com ele, mesmo contra a opinião de seus futuros sogros, como Ethan havia dito, cedo ou tarde, eles terminariam aceitando-a.

—Você vai embora tão cedo, Gianna? —lhe perguntou docemente uma das crianças— disse que estava livre no café —a olhou triste.

—Eu disse, querida, e é a verdade— acariciou suavemente o cabelo escuro da criança— mas esta tarde vou trabalhar em um evento com a Melly, sabe, gente rica fazendo suas festas, mas prometo— deu-lhe um enorme sorriso— que voltarei muito em breve, talvez amanhã ou depois, e trarei um lanche delicioso. Agora, tenho que ir.

—Você virá com o Ethan?

—Não, Lucy, o Ethan foi viajar com o pai— sorriu— tinha que resolver assuntos fora do país, mas vai voltar logo e prometo que viremos juntos, agora preciso ir ou a Melly vai me matar por chegar tarde...

Ela saiu apressada para casa a fim de tomar um rápido banho e colocar o uniforme que deveria usar no evento, ofereciam um bom pagamento e estavam à procura de muitas garotas, então Melly não demorou em sugerir trabalharem juntas naquele dia, ao que ela aceitou, sempre era bom ter uma renda extra. Prendeu seu longo cabelo loiro em um rabo de cavalo alto, no qual colocou uma fita azul marinho, para combinar com o uniforme, pouco maquiagem para destacar seus lindos olhos azuis e um brilho labial, pegou sua bolsa e saiu em busca de um táxi, rezando para evitar o trânsito da tarde e chegar logo.

Não teve tanta sorte e, para sua infelicidade, chegou uns vinte minutos atrasada, entrando apressada pela porta dos fundos, com a intenção de se integrar rapidamente...

—Você chegou tarde— disse-lhe secamente a mulher encarregada.

—Desculpa, desculpa, o trânsito estava horrível, sinto muito, mas já estou aqui...

—Apresse-se, as mesas não vão se servir sozinhas— olhou para ela com desaprovação— os noivos, a família e os convidados já estão aqui.

—Vou...

—Ali— apontou para um armário— guarde suas coisas e vá imediatamente para o bar— e saiu. Gianna escolheu rapidamente um armário, colocou suas coisas e, pegando a pequena chave, trancou, jogando a chave no bolso superior de sua camisa, precisava ter cuidado para não perdê-la. Ajustando seu uniforme, dirigia-se ao salão de festas quando sua amiga Melly entrou;

—Gianna...

—Cheguei atrasada— disse em um sussurro— conversamos depois.

—Você precisa ir embora, querida— disse olhando para ela com preocupação, foi então que Gianna percebeu que sua amiga estava muito pálida, parecia agitada e seus olhos enormes estavam cheios de lágrimas.

—Do que você está falando, Melly? Está tudo bem, amiga, falamos depois, tá? A encarregada já está bastante irritada.

—Não, Gianna— ela a segurou pelo braço, impedindo-a de seguir— você precisa ir agora, não pode entrar lá.

—Não diga bobagens, Melly, eu vim para trabalhar e...

—É um casamento...— disse sua amiga quase num sussurro. Gianna a olhou franzindo a testa.

—Tudo bem, sem problemas, casamentos são lindos e eu adoro— sorriu.

—Não este, Gianna, o noivo é... o Ethan— Gianna sentiu que parava de respirar por um momento, seu coração parou por um instante, antes de começar a bater forte.

—Do que você está falando, Melly? Isso é uma brincadeira de muito mau gosto.

—Eu gostaria que fosse, Gia — ele segurou ambas as mãos dela — ele está lá fora, vestido de... noivo, toda a família dele está lá fora na celebração, ele se casou Gianna, Ethan se casou...

—Isso... isso não pode ser verdade. Ethan está viajando, Melly... — ela conteve um soluço de dor.

—Gianna, eu não brincaria com algo assim — ele a olhou com dor — você deve sair agora mesmo, na verdade, eu não posso mais trabalhar aqui, deveríamos sair juntas e...

—Eu preciso vê-lo — disse com o coração batendo a mil contra seu peito e os olhos cheios de lágrimas — eu preciso vê-lo com meus próprios olhos, Melly.

—Não faça isso consigo mesma, Gia... o melhor seria... — ele quis impedi-la, poupando-a da dor de ver o amor da sua vida celebrando sua união matrimonial com outra.

—Eu preciso vê-lo, Melly — ela puxou seu braço com força.

—Tudo bem... — com os batimentos acelerados, ele começou a caminhar em direção à saída, indo em direção ao salão de festas, lutando para conter as lágrimas e para que seu lábio inferior não tremesse.

Era Ethan?

Realmente poderia ser ele? Era possível que ele se atrevesse a machucá-la daquela maneira?

Ele teve a coragem de se casar sem lhe dizer nada? Sem sequer terminar com ela primeiro?

Ele a havia traído?

Era Ethan... seu Ethan, seu amor?

Não, não poderia acreditar, não até que visse com seus próprios olhos...

O lugar estava elegantemente decorado, cheio de pessoas igualmente elegantes, ela ouvia a música ao fundo, via rostos, sem se fixar em detalhes. A pista de dança estava sendo inaugurada pelos recém-casados. Gianna focou neles... A mulher... ela conhecia, claro que conhecia, era a escolhida de Ronald e Helen Maxwell... o noivo... ali estava Ethan, com aquela mulher em seus braços, dançando uma valsa delicada, sorrindo para todos, enquanto fotógrafos imortalizavam o momento...

—Gia... — a voz de Melly estava carregada de preocupação, mas parecia distante, como se viesse de outro mundo — Gia, vamos sair daqui... — Gianna levou uma mão ao peito, não conseguia respirar, estava com muita dificuldade, precisava de oxigênio...

—Eu... eu... — ela caminhou rapidamente, afastando-se do salão e voltando para o lugar dos casilleros, as lágrimas descendo desesperadas por suas bochechas.

—Gia, espere por mim...

—Eu preciso... ficar sozinha... — ela abriu o armário e pegou seus pertences, tomando a bolsa. Virou-se para a amiga.

—Vou com você, Gianna... — ela apenas negou, antes de sair, tentando manter a compostura. Assim que saiu para a rua, olhou para todos os lados.

Não, meu Deus...

Isso não pode estar acontecendo comigo... não comigo, por favor...

Enquanto caminhava, estava sufocada em prantos, os soluços começando a sair de sua garganta, não podia acreditar, Ethan a havia enganado, havia um ano e meio que moravam juntos e... quando ele pensava em lhe dizer que ia se casar com outra?... Como uma autômata, ela caminhava soluçando, algumas pessoas a olhavam com preocupação, outras com confusão. Ela começou a correr, sem saber para onde estava indo, mas seus saltos batiam na calçada, enquanto ela tentava fugir de seu cruel destino...

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