Capítulo 3
“A Sicília inteira está rindo de mim!” Luca me jogou no sofá como um louco, as mãos apertando a minha garganta. “Até o Vincent, aquele desgraçado napolitano, tem coragem de dizer que eu casei com uma puta rodada!”
Ele começou a rasgar meu camisola com brutalidade. “Fala, sua vadia! Quantos homens te comeram naquela noite?”
Encarei os olhos dele, injetados de sangue, e as palavras da adega ecoaram na minha cabeça: Só casando com ela eu podia herdar toda a fortuna da família.
Perguntei com calma: “Aquele juramento de sangue daquela noite… foi porque você me amava de verdade, ou foi pela herança?”
As pupilas dele se contraíram de repente. Os lábios se mexeram, como se fosse explicar, mas o corpo amoleceu e ele desabou no sofá.
Vendo o estado de bêbado dele, algo definitivo se assentou no meu coração.
Voltei para o meu quarto, fechei a porta e fiquei sentada no chão gelado até amanhecer.
Eu mal tinha entrado na cozinha quando ouvi passos na escada.
Isabella desceu devagar, com a camisola escorregando do ombro, o cabelo despenteado.
Quando me viu, apoiou a mão na cintura, fazendo de propósito uma cena, como se o corpo estivesse dolorido de tanto sexo.
“Avelina, acordada tão cedo?” Ela sorriu com maldade. “Você tá com uma cara péssima. É porque faz tempo que um homem não te ama direito?”
Os empregados na cozinha começaram a cochichar:
“Eu sempre disse: qualquer homem se incomoda se a mulher dele não for… direita.”
Isabella não se aguentou e riu dessas palavras.
Tentei passar por ela para sair da cozinha, mas ela bloqueou meu caminho na hora.
“Que estranho. Você tá casada há tanto tempo… por que essa barriga não mexe?” Ela inclinou a cabeça, com uma falsa inocência. “Eu ouvi dizer que algumas mulheres que passam por… esse tipo de coisa ficam com problema e nunca mais conseguem engravidar.”
A raiva explodiu na mesma hora. “Sai daqui! Sua sem-vergonha!”
O sorriso de Isabella ficou ainda mais vitorioso. Ela sussurrou no meu ouvido: “Você acha que tem moral pra me chamar de sem-vergonha?”
Antes que eu reagisse, ela agarrou meu braço.
Ela usou a minha mão pra se dar um tapa forte no próprio rosto, as unhas deixando arranhões sangrentos.
“Socorro! Luca! Ela enlouqueceu!” Isabella gritou na mesma hora.
Passos apressados vieram da escada. Luca desceu correndo, viu as marcas vermelhas no rosto de Isabella, e os olhos dele pegaram fogo de ódio.
Sem dizer nada, ele levantou a mão e me deu um tapa na cara. O estalo ecoou pela sala.
“Vadia maluca do inferno! Como você tem coragem de encostar nela!”
Uma dor ardida se espalhou enquanto meus ouvidos zuniam.
Luca já tinha virado, acariciando o rosto de Isabella com cuidado. “Meu amor, eu tô aqui.”
A voz dele estava mais suave do que eu jamais tinha ouvido. “Você precisa aprender a se proteger quando eu não estiver por perto.”
“Ela é muito forte… eu não consegui sair.” Isabella soluçou.
“Então ela precisa aprender o que é consequência.” Luca enxugou as lágrimas dela com o dedo, crueldade faiscando no olhar. “Mike, Antonio, segurem ela.”
Dois homens correram até mim sem hesitar, agarraram meus braços com brutalidade e me mantiveram no lugar.
Eu me debati desesperada, mas eles me prenderam com força, e eu não consegui me mexer.
“Deixa eu te ensinar.” Luca veio por trás de mim, pegando a mão de Isabella. A voz dele era baixa e mandona. “Assim.”
Sob o controle dele, a palma de Isabella bateu no meu rosto, de novo e de novo.
Tapa!
Uma dor aguda explodiu na minha bochecha esquerda. Cerrei os dentes, mas não consegui impedir meu corpo de tremer.
“Perfeito. Você aprende rápido.” A voz de Luca carregava uma satisfação doentia.
“Boa. De novo.”
Tapa!
Minha bochecha direita inchou rápido. A dor quase me sufocou. Tentei virar o rosto, mas o aperto dos homens não deixou. Só me restou aguentar cada golpe.
Cada tapa vinha acompanhado da voz aprovadora de Luca. Os empregados cochichavam, como se estivessem assistindo a um espetáculo.
Cinco tapas seguidos, até o sangue começar a escorrer do canto da minha boca, e só então ele mandou parar.
“Deixa eu ver se você machucou a mão.” Luca segurou a palma de Isabella, acariciando com cuidado, procurando qualquer marca vermelha.
Isabella se aninhou nos braços dele. “Dói muito… eu nunca bati em ninguém.”
“Minha pobre anjinha,” ele beijou a mão dela. “Você precisa aprender essas coisas.”
Enquanto isso, eu ainda estava presa pelos homens dele, o sangue pingando do meu queixo no tapete.
Luca subiu a escada com Isabella nos braços, sem olhar pra trás. “Põe gelo nela. O rosto dela tá inchado.”
Foi só isso. Nenhuma preocupação, nenhuma explicação.
Observei as duas se afastando. Isabella olhou por cima do ombro com um olhar provocador e depois sussurrou alguma coisa no ouvido de Luca. Os dois riram, de um jeito leve, como se tudo fosse uma brincadeira.
Na noite seguinte, com os hematomas nas minhas bochechas ainda bem visíveis, eu ouvi a conversa deles no patamar da escada.
— Hoje tem um leilão privado especial. — Luca ajeitava as abotoaduras. — Só gente do círculo de dentro pode participar. Você vem comigo.
Isabella se agarrou ao braço dele, toda manhosa.
— Acho que a gente devia levar a Avelina. Afinal, ela é a senhora da casa Coleone. Precisa aparecer em público. — Ela fez uma pausa. — Além disso, eu preparei uma roupa especial pra ela.
Luca arqueou uma sobrancelha.
— Que tipo de “especial”?
— Você vai ficar satisfeito, eu garanto... bem adequada ao status dela.
Uma hora depois, Isabella entrou no meu quarto carregando uma caixa de vestido.
— Este é o vestido que o Luca escolheu pessoalmente pra você. — Ela tirou um vestido dourado da embalagem. — Ele disse que isso valoriza melhor as suas... qualidades.
Eu encarei o tal “vestido”: no busto, duas peças triangulares de tecido, presas apenas por uma fita amarrada no pescoço; na cintura, mais fitas do mesmo jeito. A roupa inteira parecia um presente cuidadosamente embrulhado, que podia ser “desembrulhado” a qualquer momento.
— E aí? Perfeito pra você, né? — Isabella admirou a própria “obra-prima”.
Eu quis recusar, mas nenhum som saiu da minha garganta. Eu não aguentava mais as consequências de resistir.
Diante do espelho, com aquela roupa, eu já não via mais a senhora Coleone, e sim um item de vitrine cuidadosamente embalado.
— Sai e deixa eu ver. — A voz de Luca veio do lado de fora da porta.
Eu abri. O olhar dele passeou por mim; as pupilas se dilataram de leve antes de voltarem, rápido, à frieza.
— Vulgar. Não importa o que você vista, você tem essa... cara de coisa barata.
No carro de luxo, me colocaram no banco do passageiro, enquanto Luca e Isabella foram atrás.
Na garagem, Luca disse de repente:
— Você sobe primeiro. A gente vai logo atrás.
Eu desci sem entender, andando em direção à entrada, equilibrada no salto alto. A segurança me barrou.
Era o clube privado de mais alto nível da família Coleone, acessível apenas aos membros do núcleo da máfia.
Então eu tive que esperar do lado de fora.
Passou uma hora até as portas do elevador finalmente se abrirem. Luca e Isabella saíram — os botões da camisa dele estavam abertos, o batom dela tinha sumido por completo, e os olhos ainda carregavam um resto de satisfação.
Eu entendi na mesma hora o que tinha acontecido, e a náusea virou no meu estômago.
— Por que você ainda não entrou? — Luca ajeitou a gola sem nem olhar pra mim. — Teve um... assunto urgente pra resolver.
Isabella piscou pra mim, com os lábios levemente inchados.
— Muito urgente mesmo. E resolvido bem... a fundo.
Quando entramos no salão principal, todas as conversas pararam de repente. Centenas de olhos se voltaram pra nós — mais precisamente, pra mim.
— A loira do lado do Luca é a senhora Coleone, né?
— Dá pra ver pela roupa dela que tipo de mulher é.
— Meu Deus, é mesmo apropriado ela se vestir assim?
— Parece uma puta de rua.
Luca circulava entre as mesas com Isabella, e eu ia atrás como uma sombra silenciosa.
Durante o leilão, eu fiquei quieta num canto, vendo Isabella apontar para várias joias enquanto Luca dava lances sem hesitar.
— O último item. — a voz do leiloeiro ecoou. — Um retrato artístico de uma dama misteriosa, com especial... valor de colecionador.
— Uma fotografia de arte intitulada “Coelhinha Tímida”, lance inicial de cinco milhões.
As pessoas lá embaixo começaram a comentar em voz baixa sobre o “valor artístico” da foto.
Quando a imagem apareceu no telão, foi como se todo o sangue do meu corpo congelasse. O rosto da mulher estava escondido pelo cabelo comprido, mas a marca nítida de uma mordida no seio esquerdo... era a minha marca, a vergonha permanente daquela noite.
— Começam os lances.
Foi então que eu vi o sorriso de Isabella, e o medo subiu pelo meu peito.
— Por favor... — eu agarrei a manga de Luca, tremendo. — Compra. Por favor...
Luca sacudiu minha mão sem piedade.
— Não tenho interesse em foto pornográfica.
Eu me levantei às pressas pra fugir, mas Isabella “sem querer” pisou na barra do meu vestido.
As alças douradas arrebentaram na hora. O vestido caiu no chão, expondo completamente a cicatriz da mordida no meu seio esquerdo diante de centenas de pessoas.
Eu tentei me cobrir, desesperada, mas já era tarde.
O salão inteiro do leilão caiu num silêncio chocado e, em seguida, explodiu em uma enxurrada de flashes.
Incontáveis câmeras e celulares apontaram pra mim.
