Capítulo 3

Entrei no nada, despencando do penhasco. No instante em que eu ia cair no abismo, uma mão poderosa se fechou ao redor do meu pulso.

—Alexander! —ergui a cabeça num tranco, uma euforia pura de sobrevivência me inundando na mesma hora.

No topo do penhasco, Alexander olhava para mim lá de cima. Mas o rosto dele estava duro como pedra. A outra mão cobria meus dedos.

Então, um a um, ele abriu meus dedos de propósito e me empurrou para baixo.

—Não—

Girando na queda livre e veloz, vi com clareza ele se virar. Ele puxou Elena para a segurança da beira do penhasco, tirou o manto, envolveu-a apertado e a acalmou num sussurro baixo.

Meus olhos se escancararam. Eu puxei o ar com força, o peito arfando.

Meu peito doía como se tivesse sido rasgado ao meio. O presságio do sonho e a realidade gelada se encaixaram perfeitamente naquele instante.

Meus pulsos e tornozelos estavam presos por correntes pesadas.

—Acordou? A companheira descartada, só de nome.

Um escárnio frio veio de cima. O líder caçador, cheio de cicatrizes, se agachou e deu tapinhas na minha bochecha com a adaga.

—Alguém pagou dois milhões de dólares pra comprar essa emboscadinha. As palavras exatas do contratante foram: “Testa ele. Vamos ver quem Sua Alteza, o Príncipe, realmente escolhe quando a questão é vida ou morte”.

Minhas pupilas se contraíram.

—Pelo visto, o contratante apostou certo. —O líder zombou de mim. —Seu Príncipe pegou ela e saiu correndo sem nem olhar pra trás. Mas aquela mulher não achou que bastava. Pagou mais pra te arrastarem pra cá, só pra você assistir a um bom espetáculo.

A porta foi empurrada e se abriu. Elena entrou.

No segundo em que nossos olhares se encontraram, o ciúme e o veneno no olhar dela estavam totalmente escancarados.

—Apertem os cadeados —ordenou Elena.

As correntes de prata morderam com brutalidade os ossos dos meus pulsos. A força imensa quebrou minha sustentação e me fez desabar de joelhos na água barrenta. A dor lancinante fez meu corpo inteiro se contorcer sem controle.

Elena se agachou e deu uma risadinha no meu ouvido.

—Os olhos da irmã, seu status de alquimista da família, sua posição elevada e o seu homem... eu vou pegar tudo agora, um por um.

Encarei-a, sem expressão.

Foi a primeira vez que vi com tanta clareza a ganância pura nos ossos da minha irmã gêmea.

Só restava um silêncio oco e morto no meu coração.

Não muito depois, as portas enferrujadas do cais abandonado foram explodidas e escancaradas.

Alexander irrompeu lá dentro com guardas vampiros fortemente armados. Os olhos dele estavam injetados de sangue, fedendo a intenção assassina.

—Ryan, você passou dos limites! Diga o seu preço. Eu vou levar o meu povo.

O líder caçador deu uma risada, sem pressa, e apertou o controle remoto em sua mão.

Dois refletores ofuscantes caíram ao mesmo tempo, iluminando por completo Elena e eu, em lados opostos.

—Você só pode escolher uma.

Alexander ficou paralisado. Olhou para mim, o olhar varrendo o sangue no meu abdômen e as marcas prateadas queimando fundo na minha carne.

O pomo de Adão dele subiu e desceu com violência.

Mas ele não se mexeu.

E, naquele momento, um único segundo de hesitação já era fatal.

—Dez segundos no relógio. Se não escolher, a gente corta primeiro uma das mãos dela —o caçador fez a contagem regressiva, frio. —Dez, nove...

—Ai... dói! —do outro lado, Elena de repente apertou o próprio ventre e gritou. —Me salva... Alexander, salva o nosso bebê...

O conflito no olhar de Alexander desabou na hora.

—Três, dois...

—Eu escolho a Elena! —a voz dele saiu rouca.

No instante em que aquelas palavras ficaram suspensas no ar, meus dedos, cerrados com tanta força, foram se abrindo devagar.

O caçador cumpriu a palavra e destrancou as algemas do outro lado. Chorando, Elena se atirou nos braços de Alexander.

E o que me aguardava era uma saraivada de tapas e cotoveladas cruéis.

Três chutes seguidos. O caçador pisoteou sem piedade a parte baixa do meu abdômen, com força.

No meio daquela dor que rasgava, eu senti com clareza —uma força de vida escaldante sendo arrancada do meu corpo depressa demais.

Eu estava grávida.

Eu devia ter contado a ele. E agora essa criança morreu por causa da escolha dele.

Alexander deu, instintivamente, meio passo na minha direção.

—Dói tanto, Alexander... me tira daqui... —Elena puxou-o.

Ele travou. No segundo seguinte, tomou Elena, com as pernas bambas, nos braços e saiu às pressas.

Na minha visão embaçada, as costas dele se afastavam cada vez mais.

De repente, eu ri. No começo foi só um leve estremecer dos ombros. Depois, suspiros quebrados misturados a espuma de sangue engasgaram no fundo da minha garganta. Eu ri até meus ombros sacudirem.

—Se houver uma próxima vida, eu nunca mais vou te amar.

—Teste encerrado. —O caçador me largou ali como se eu fosse lixo.

Forçando meu corpo espancado a se mover, voltei para a mansão e deixei para trás três coisas.

A primeira era o microgravador do cais dos caçadores —ele captou com nitidez a gravação original de Elena dando a ordem do sequestro.

A segunda era o laudo médico que eu tinha conseguido antes —declarando claramente que eu estava grávida de seis semanas.

A terceira era o anel da família, o símbolo do meu status como companheira do Príncipe Vampiro.

Depois de fazer tudo isso, me preparei para ir embora.

Um carro parou diante dos portões. Um homem de preto desceu com passo rápido e abriu a porta.

—O mestre mandou a gente vir buscá-la.

Ao entrar no carro, não olhei para trás, deixando a mansão sumir por completo no retrovisor.

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