Capítulo 2
Ponto de vista da Nadia
De pé aqui, estou congelando até os ossos.
Os amigos dele me olharam com curiosidade. Billy fez um gesto para eles irem embora. “Tenho que ir. Até amanhã.”
Billy veio na minha direção devagar, como se estivesse se aproximando de uma desconhecida.
Quando ele chegou perto, eu não consegui falar; minha garganta tinha travado.
“Vamos”, ele resmungou.
Caminhamos em silêncio por dois quarteirões. Eu fiquei esperando ele explicar, dizer que era uma brincadeira, dizer qualquer coisa.
Ele não disse.
“Por quê?”, eu finalmente consegui perguntar. Minha voz falhou. “Por que você falou pra eles que eu era a empregada?”
Billy soltou um suspiro. “Mãe, dá pra você simplesmente não aparecer mais na escola?”
“O quê?”
“Se olha.” Ele fez um gesto vago na minha direção. “Suas roupas são velhas e todas amassadas. Seu cabelo tá um caos. A Kelsey tá sempre arrumada, ela usa maquiagem, roupas bonitas e cheira bem.”
“Ter você como minha mãe é vergonhoso”, Billy disse.
Meu coração ainda estava disparado pelo que ele tinha falado. “Ter você como minha mãe é vergonhoso.” As palavras ficavam se repetindo na minha cabeça, e a cada vez doía mais, como se cortasse mais fundo.
Eu pisquei com força; meus olhos ardiam. Eu não queria fazer escândalo na rua, então não falei nada.
Quando finalmente viramos na nossa rua, eu tentei firmar a voz.
“Billy. A gente pode conversar sobre o que aconteceu lá?”
Ele não respondeu.
“Você me chamou de empregada”, eu disse. “Na frente dos seus amigos.”
“Eu sei o que eu falei.”
Meu peito apertou. “Por que você—”
“Porque é vergonhoso!” Ele se virou de uma vez pra me encarar. O rosto dele estava vermelho.
Eu parei de andar. “Eu sou sua mãe.”
“É, só que você se veste tipo...” Ele fez aquele gesto de novo, o mesmo aceno displicente. “Você parece cansada o tempo todo.”
Uma lágrima escorreu pela minha bochecha.
Eu virei o rosto rápido, limpando com as costas da mão.
Quando a gente chegou em casa, Billy foi direto pro quarto dele. Eu fiquei na sala, e o meu reflexo me encarou no espelho do corredor. Rabo de cavalo desarrumado. Sem maquiagem. Um cardigã velho que eu vinha usando fazia três dias.
É isso mesmo que eu virei?
Eu me sentei no sofá. Minhas mãos tremiam. Eu as pressionei no meu colo, tentando parar o tremor.
Meu próprio filho tinha vergonha de mim. Ele preferia dizer que uma estranha era a mãe dele do que admitir que eu era.
Lágrimas novas se juntaram nos meus olhos.
A porta da frente abriu.
Eu limpei o rosto depressa com a manga. Levantei, tentei parecer normal.
Connor entrou, com o celular na outra mão. Ele ainda estava digitando alguma coisa quando levantou os olhos e me viu.
“Você chegou cedo”, ele disse.
“Eu fui buscar o Billy na escola.”
“Ah.” Ele guardou o celular. “Que... legal.”
Houve uma pausa. Connor olhou na direção do quarto do Billy e depois voltou os olhos pra mim.
“Na verdade”, ele disse, animando-se, “ótima hora. Tem uma coisa que eu queria conversar com você.”
Meu estômago afundou.
Connor se sentou de frente pra mim. “O Billy tem uma oportunidade”, Connor disse. “Um programa de pai e filho no exterior. Três meses no interior do Canadá.”
“É educativo”, Connor continuou. “Focado em atividades ao ar livre, trabalho em equipe, esse tipo de coisa. Muito bom pro desenvolvimento dele.”
“Três meses”, eu repeti.
“Eu sei que parece muito tempo, mas—”
“Quando isso apareceu?”
Connor piscou. “Como assim?”
“Quando o Billy te contou sobre esse programa?”
“Há algumas semanas.” Ele falou com tanta naturalidade. “A gente vem pesquisando junto.”
Eu virei a cabeça na direção da porta do quarto do Billy. “Billy!”, eu chamei. “Você pode vir aqui um instante, por favor?”
A porta abriu.
Billy entrou na sala devagar. Ele não olhou pra mim.
“Seu pai disse que você tem um programa”, eu falei. “No Canadá.”
