Capítulo 1 ONE
Capítulo Um
Ponto de vista de Lena
Estou ansiosa para finalmente transar com o Wes. Mal posso esperar.
Esse é o primeiro pensamento martelando na minha cabeça enquanto ajeito a peruca sobre o cabelo, conferindo meu reflexo uma última vez no espelho dourado da cobertura do Wes. A roupa gruda em mim de todos os jeitos que eu sei que ele gosta — saia curta, meia 7/8 e a réplica exata do uniforme da waifu de anime favorita dele. Já consigo imaginar o brilho nos olhos dele quando entrar por aquela porta e me vir esperando, não nas arquibancadas, não torcendo no meio da multidão, mas aqui, na cobertura dele, pronta para ele.
A animação se agita no meu peito só de pensar nisso, e eu faço uma dancinha de vitória na minha cabeça. Essa é a melhor compensação de todas por ter perdido o jogo dele.
Eu perdi o jogo dele. Eu tinha uma entrevista muito importante hoje mais cedo, que caiu exatamente no mesmo horário do jogo. Era uma oportunidade única na vida, que eu não podia jogar fora. Apesar de ele ter ficado bravo comigo, eu sei que me ver assim é tudo o que vai precisar para derreter que nem um bichinho de pelúcia.
Ouço o ronco grave do motor dele lá fora, familiar e elegante, e ainda mais empolgação me atravessa como bolhinhas de champanhe. Com o coração disparado, pego meu celular, pronta para gravar a reação dele para a Avery depois. Ela vai morrer quando vir.
A porta da frente se abre com um clique, e eu disparo para dentro do closet, segurando uma risada. O plano é simples — ele entra, larga as chaves, eu apareço fantasiada e, pronto, a melhor surpresa da vida dele.
Só que…
A porta não se abre de um jeito casual. Ela bate contra a parede, como se ele não aguentasse esperar mais um segundo. Eu seguro a maçaneta do closet, pronta para empurrar a porta, mas congelo com um som.
Um gemido.
É agudo, ofegante, e definitivamente não é meu.
“Mas que porra?”, sussurro, colando o olho na fresta de luz entre as portas.
Meu mundo vira de lado.
Lá está ele, Wesley, meu namorado, socando em alguma mulher por cima do encosto do sofá caro de couro que escolhemos juntos. As unhas feitas dela se enterram nas almofadas enquanto ela joga a cabeça para trás, gemendo mais alto, incentivando ele.
O choque me atravessa, me pregando no lugar. Meu cérebro não consegue processar o que estou vendo. Esse é o homem que eu estava prestes a surpreender, o homem que eu defendi quando a Avery disse que ele era “polido demais para ser fiel”.
“Ai, meu Deus, Wes”, a mulher geme, a voz macia como veludo, sensual. “Sua namoradinha deve ser a garota mais burra do mundo, deixando um homem como você. Você merece alguém que saiba como te segurar. Mais forte, bebê — me fode mais forte.”
Meu estômago se revira. É como se um caroço de cinzas tivesse acabado de cair lá dentro. O calor queima por trás das minhas pálpebras. Por um segundo, eu acho que vou vomitar.
A maçaneta do closet está fria contra a minha palma, meus nós dos dedos brancos de tanto apertar. Mas aí alguma coisa estala dentro de mim.
Eu empurro as portas e saio, meus saltos estalando no piso de madeira.
“Que porra é essa?” Minha voz corta o ambiente, afiada e, ao mesmo tempo, trêmula.
Wes ainda está no meio da enfiada. A mulher solta um arquejo, se virando para me olhar. Os olhos dele se arregalam, como se tivesse visto um fantasma.
Eu nunca me senti uma idiota do caralho na minha vida.
Wes fica paralisado, a boca abrindo e fechando como se procurasse palavras, mas tudo o que eu consigo ver sou eu mesma — parada ali com uma saia barata de poliéster e meias até a coxa, vestida como a porra da waifu de anime dele enquanto ele está metendo fundo em outra mulher.
Uma risada rasga de dentro de mim, áspera e quebrada. “Eu realmente achei que você ficaria animado de me ver.” Minha voz treme, a garganta grossa de lágrimas que eu me recuso a deixar que ele veja. “Que idiota eu sou.”
“Lena, espera—” ele diz, se compondo.
Mas eu já estou arrancando a peruca da cabeça, puxando aquelas meias idiotas, e atirando a tiara no chão como se ela tivesse me queimado. Cada pedaço da fantasia parece um espinho contra a minha pele. Minhas mãos tremem enquanto eu me livro de tudo até ficar só… eu. Pequena. Exposta. Ferida.
Ele chama meu nome de novo, pânico no tom, mas eu não dou a ele a satisfação de olhar para trás. Pego minha bolsa, passo à força pelo sofá e disparo porta afora antes que as lágrimas transbordem. A voz dele vira um borrão ao fundo e, quando eu chego ao meu carro, os soluços já abriram caminho arranhando minha garganta. Meus dedos tremem quando eu disco para a única pessoa que pode me impedir de dirigir rumo a um precipício hoje à noite com os olhos cheios de lágrimas.
“Avery”, eu engasgo quando ela atende, a voz quebrando. “Eu preciso de você. Agora. Antes que eu faça alguma coisa muito, muito estúpida.”
“Amor, onde você está? O que aconteceu?”
“No meu carro. Na cobertura do Wes”, consigo dizer, rouca.
“Você consegue dirigir?” A voz dela é calma, mas firme, como se ela estivesse se segurando por mim.
“Eu consigo”, eu sussurro, embora pareça que meu peito vai desabar.
“Então vem direto pra cá. Sem desvios, Lena. Direto. Pra. Cá.”
O apartamento dela cheira a baunilha e vinho, a segurança, quando eu chego. No instante em que a vejo, eu desabo, contando o que aconteceu. Ela me envolve nos braços, e eu choro no ombro dela até meu corpo não ser mais nada além de tremores e exaustão.
“Não desperdiça mais nenhuma lágrima com aquele babaca”, Avery murmura, alisando meu cabelo. “Ele não te merece. Nunca mereceu.”
Eu solto uma risada sardônica, embora seja oca. “Eu me vesti pra ele, Ave. Como uma personagem do anime de merda dele. E o tempo todo… ele estava comendo outra pessoa.”
Ela se afasta um pouco, os olhos em chamas. “Então ele é um idiota maior do que você pensa. Porque, querida, se eu chegasse em casa e visse isso—” ela faz um gesto na minha direção, “—eu não deixava você sair da cama por uma semana. O Wes é um escroto.”
As palavras dela vão me costurando de volta, pedaço por pedaço. Eu respiro e limpo o rosto.
“Olha, Lena, eu quero que você esqueça que esse imbecil sequer existiu, e acho que eu conheço um jeito perfeito”, Avery diz.
Eu ergo uma sobrancelha.
“Tem uma festa hoje à noite no clube em que eu estou trabalhando, e eu acho que ir vai ser exatamente o que você precisa pra esquecer ele. Pelo menos por hoje. E quem sabe? Você pode até aprontar com alguém que realmente saiba te tratar do jeito que você merece.”
À primeira vista, a sugestão da Avery parece uma péssima ideia, mas, pensando melhor, acho que ela tem razão. Além disso, eu pretendia transar hoje à noite. A única diferença é que vou transar com outra pessoa. Eu posso decidir escolher a pessoa mais gostosa que eu encontrar no clube hoje.
Uma faísca imprudente tremula no meu peito com a ideia. “Talvez aprontar seja exatamente do que eu preciso.”
