Vestido Broken Vows Beneath Diamond

O salão de baile mais luxuoso de North Shore City. Lustres de cristal lançavam uma luz afiada como lâmina sobre cada rosto sorridente.

Eu me sentei no fundo, o terno de três peças abotoado com perfeição, o prendedor de gravata dourado frio como uma bala contra o peito.

Sem seguranças. Só um copo de uísque intocado e olhos que já tinham enxergado através de cada joguinho que eles faziam.

A música parou.

A multidão na entrada se abriu como o Mar Vermelho.

Elizabeth Montague fez sua entrada.

Diamantes despencavam em cascata pelos ombros e pelo pescoço dela, roubando toda a luz do salão. Ela se agarrava ao braço de Vincent, andando devagar e com intenção, como uma rainha inspecionando o próprio reino.

Ela não olhou para mim primeiro.

Em vez disso, ajustou a gravata de Vincent, as pontas dos dedos deslizando pela garganta dele com um sorriso ao mesmo tempo inocente e cruel.

Vincent a puxou mais para perto pela cintura, sussurrando alguma coisa no ouvido dela que a fez inclinar a cabeça para trás com um murmúrio baixo e satisfeito.

Cada representante de família, chefe sindical e figurão da política na sala viu aquilo.

Ninguém disse nada. Estavam esperando a minha reação.

Só então Elizabeth virou, como se de repente se lembrasse de uma relíquia esquecida num canto.

Ela se aproximou da minha mesa, inclinando-se por cima, o perfume dela abafando o ardor do uísque.

— Marco — a voz dela era um veneno doce, o tom que se usa com um bichinho —, eu voltei. Você deveria estar feliz.

Eu ergui o olhar, o canto da boca subindo num sorriso que nunca chegou aos olhos.

Vincent ficou ao lado dela, a mão ainda possessiva na cintura de Elizabeth, o tom polido, mas cortante:

— Herdeiro Leventino, você tem estado... quieto demais nesses últimos três anos. Estão dizendo que você amoleceu. Esta noite é território Montague — não deixe ninguém pensar que você não tem coluna. Você deveria esperar mais três anos pela Elizabeth. Prove que cresceu.

Elizabeth continuou sem reconhecer meu olhar gelado:

— Vincent tem razão. Eu preciso de tempo. Três anos. Espere mais três anos e eu vou considerar seriamente o casamento.

Ela fez uma pausa e então acrescentou a mais doce das facas:

— Não faça birra. Você sempre foi tão... compreensivo.

Três anos. Era isso que eu recebia depois de três malditos anos.

Três anos atrás, ela tinha me abandonado na nossa própria festa de noivado para fugir para a Europa com Vincent.

Três anos depois, a primeira coisa que ela faz é me pedir para esperar mais três anos.

Ainda bem que eu tinha desistido dela no dia em que ela foi embora.

Do contrário, eu seria o maior idiota vivo.

Vincent ergueu o copo num gesto que parecia um brinde, mas tinha gosto de insulto.

—Se você ainda quer ser um jogador neste jogo —disse Vincent, devagar—, peça desculpas em público e continue servindo à família Montague. Afinal, contrato é contrato.

Sussurros e risadinhas discretas ondularam pela multidão.

A regra não dita do salão de baile: manter a dignidade acima de tudo. Quem quebrar primeiro, perde.

Os olhos de Elizabeth faiscaram, esperando que eu baixasse a cabeça.

Ela adorava essa sensação — um homem poderoso, domado para diverti-la.

Eu não fiquei com raiva.

Cheguei até a sorrir, como se tivesse acabado de ouvir uma piada especialmente ruim.

Enfiei a mão no paletó e tirei uma caixinha de veludo.

Dentro havia um velho anel de sinete de prata, com os dois brasões da família gravados na face; os pequenos arranhões da cerimônia de vinculação ainda estavam visíveis — abençoado diante de relíquias sagradas, testemunhado por fiadores, sangue misturado ao vinho e selado em prata.

A sala inteira prendeu a respiração.

A vitória brilhou nos olhos de Elizabeth: —Você ainda carrega isso. Viu? Você não consegue viver sem mim—

—Eu carrego —cortei, a voz baixa, mas afiada como uma arma sendo engatilhada— por hoje.

Coloquei o anel de sinete na palma da mão. Meu polegar pressionou—

Crac.

A prata se partiu, limpa, entre meus dedos.

O som do metal se quebrando ecoou mais alto que a orquestra.

Eu me levantei, o olhar varrendo cada rosto como se eu estivesse fazendo chamada: —O noivado entre Leventino e Montague acabou.

Deixei o anel quebrado cair no meu copo de uísque. A prata tilintou contra o gelo com um som áspero, definitivo.

O rosto de Elizabeth ficou branco e, em seguida, ruborizou, a voz cortando o salão: —Você enlouqueceu? Quem você pensa que é pra— você devia pedir desculpas! Como se atreve a fazer isso no evento do meu pai—

O sorriso de Vincent congelou. Ele não esperava que eu destruísse um sinete de vinculação em público. No nosso mundo, isso equivalia a declarar: Você não vale mais nem uma negociação.

Ele mudou de tática na mesma hora, elevando a voz para o registro de “vítima”: —Marco, você está insultando os fiadores, insultando a tradição! Você—

Ele nem terminou a frase.

Vincent, de repente, se atirou para a frente como um animal acuado, arremessando o corpo direto contra um pilar de mármore.

BANG!

Sangue escorreu pela testa enquanto ele cambaleava e desabava, segurando o ferimento, arfando como se estivesse sendo assassinado.

Ele ergueu o olhar para a multidão com olhos úmidos, feridos, uma atuação digna de Oscar: —Eu só estava defendendo a honra dos Montague... o herdeiro dos Leventino quer me matar por isso?

Murmúrios explodiram ao nosso redor.

As pessoas franziram a testa, hesitaram, começaram a calcular de que lado ficar. O maior medo da alta sociedade é a narrativa de “forte oprimindo o fraco”. Quando essa história pega, a sua reputação é despedaçada.

Elizabeth aproveitou a oportunidade, correndo para se colocar na frente de Vincent enquanto lágrimas de crocodilo surgiam sob comando:

— Olha o que você fez com ele! Marco, você mudou! Você nunca foi assim!

Ela ergueu o rosto, chorando com uma beleza ensaiada:

— Você só está com ciúme, não está? Admita — você não consegue me deixar ir!

Eu encarei ela como se fosse um cadáver empalhado de pó.

— Peça desculpas ao Vincent agora mesmo! Ou eu nunca vou te perdoar!

Eu ajustei lentamente as abotoaduras, o gesto tão casual que chegava a ser cruel.

— Fraude de seguro? — eu disse baixo. — Alvo errado.

No segundo seguinte, eu me movi.

Atravessei o espaço entre as mesas num único passo fluido. Ninguém viu o soco chegando — só ouviu o impacto.

Um golpe.

Não foi um golpe de briga de rua, mas um ângulo brutal, profissional — o maxilar levantado, a coluna cervical comprimida, a respiração cortada na hora.

O corpo inteiro de Vincent saiu do chão, as costas dele batendo numa mesa do banquete. Taças explodiram, estilhaços de cristal se espalhando pelo mármore. Ele nem chegou a gemer — só se debateu como um peixe jogado em terra seca, tossindo espuma de sangue.

Silêncio absoluto.

A multidão “digna” só conseguiu produzir o som de engolir em seco, nervosa.

Elizabeth ficou paralisada, as lágrimas ainda penduradas no rosto, como se tivesse esquecido as falas.

Eu me abaixei e tirei de dentro do paletó uma pilha fina de livros-caixa e registros manuscritos — páginas amareladas pelo tempo, com cheiro de tinta e fumaça de cigarro. Joguei os documentos direto na cara ensanguentada de Vincent.

— Para de encenar — minha voz era aço frio. — Homens como você morrem de medo de papelada.

Os olhos de Vincent se encheram de pavor. Ele tentou agarrar as folhas, mas eu pisei no pulso dele, os ossos estalando baixinho sob o meu salto.

Eu me inclinei, como um juiz lendo as acusações:

— O acordo de armas da Ponte Sul. Você vendeu nossos números, rotas e horários de entrega para um informante da polícia. Achou que ninguém lembrava?

Ergui o olhar para vários representantes das famílias da velha guarda na multidão:

— Naquela noite, sob fogo, eu arrastei esse homem para fora da mira. Depois, ele tentou me mandar pra cadeia por dez anos em troca de uma identidade limpa.

Alguns rostos empalideceram. Uns reconheceram o caso antigo. Outros sabiam o que “cooperar com a polícia” significava no nosso meio — não só sujeira, mas morte.

Os lábios de Vincent tremeram, o sangue se misturando à saliva:

— Você... você está armando pra cima de mim... você não tem testemunhas...

Eu arranquei uma página e pressionei contra o ferimento, deixando o sangue dele encharcar as palavras:

— Testemunhas? O sangue na sua testa não é prova suficiente? Então eu vou te dar prova.

Endireitei-me e me virei para Elizabeth.

Elizabeth tentou vestir sua expressão habitual de "princesinha inocente", mas seus olhos corriam de um lado para o outro. Pela primeira vez, ela percebeu que eu não estava fazendo birra — eu estava acertando contas.

"Marco..." a voz dela tremeu, então ela forçou a velha arrogância de sempre: "você destruiria tudo por causa de um mal-entendido..."

"Mal-entendido?" Eu a interrompi.

Ergui o pé e pressionei lentamente a sola do sapato contra o rosto de Vincent, esmagando até o nariz dele quebrar e o sangue jorrar de suas narinas.

Olhando para baixo, meu tom era calmo como numa transação comercial: "Essa sua encenação me dá nojo."

Elizabeth cambaleou para trás, os diamantes dela tremendo em fragmentos de luz. Ela quis pedir ajuda, mas percebeu que ninguém estava se movendo.

No nosso mundo, traidores não valem nada. Principalmente os que trazem a polícia para os negócios.

Tirei o pé e me virei para ir embora. Ninguém ousou me impedir.

Ao passar por Elizabeth, parei por um segundo, desferindo o golpe final: "Esperar mais três anos? Você não vale nem três segundos do meu tempo."

Elizabeth abriu a boca, mas sua garganta parecia estrangulada, produzindo apenas um suspiro humilhado.

Saí do salão de baile. Só depois que as portas se fecharam atrás de mim o caos explodiu — gente ajudando Vincent, outros procurando os capangas dos Montague, alguns já trocando olhares carregados de significado como lobos farejando sangue.

As portas do elevador se fecharam, isolando tudo.

Do lado de fora do hotel, a porta de um sedã blindado se abriu. Entrei no banco de trás, endireitando os punhos da camisa, com a respiração perfeitamente controlada.

Quando o carro arrancou, tocou a linha internacional criptografada de mais alto nível — tons curtos e cortantes, como uma faca batendo no vidro.

Atendi.

A voz de uma mulher veio do outro lado — fria, elegante, mas com um fundo de posse sufocante, como veludo enrolado em arame de aço.

"Lindo trabalho no noivado, querido."

Meus olhos vacilaram, mas eu não me surpreendi: "Você estava ouvindo?"

"Eu estou sempre ouvindo." Ela riu baixo, como se acariciasse metal de arma. "Embora eles ainda pareçam achar que você pode voltar rastejando."

Depois de um breve silêncio, a voz dela ficou mais leve, porém mais cruel: "Quando vamos começar a cortar a fonte de dinheiro deles? Já está na hora de mostrar a eles como é o inferno."

Observei as luzes de néon passarem pela janela, minha voz fria como o inverno: "Em breve."

A mulher do outro lado sussurrou: "Eu vou estar esperando. Não me faça esperar por muito tempo."

Clique — a linha caiu.

Eu cumpriria essa promessa.

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