Capítulo 3

Ponto de vista de Olivia

Três dias depois.

— Ding-dong...

A campainha interrompeu a conversa animada na sala de jantar da Mansão Sterling.

Richard estava enterrado no Wall Street Journal, Elizabeth cortava os ovos com delicadeza, e Arthur e Mia trocavam juras melosas, como adolescentes tarados.

— Primeiro Paris, depois Roma... — Arthur beijou a mão de Mia. — Quando a gente estiver oficialmente noivo, quero que todo mundo saiba que você é minha esposa.

— Você é o melhor, Arthur. — Mia riu baixinho e se aninhou no ombro dele.

Ninguém disse meu nome. Como se Olivia Sterling nunca tivesse existido.

— Senhor, tem gente da NYPD aqui para falar com o senhor. — O mordomo entrou correndo, com o rosto abalado.

Richard nem levantou os olhos. — Policiais? A gente não faz nada ilegal. O que eles querem? Manda embora.

— É um detetive da Divisão de Crimes Graves. Diz que é urgente.

Arthur bufou. — Deixa eu adivinhar: a Olivia aprontando alguma merda de novo.

— Ela deve ter corrido pra polícia com alguma historinha idiota sobre como a gente trata ela. — Elizabeth revirou os olhos. — Aquela vadia adora bancar a vítima.

Mia enfiou o rosto no peito de Arthur na mesma hora. — Arthur, e se ela estiver tentando me fazer ser presa? Eu só experimentei o colar...

— Relaxa, amor. Ela não pode fazer porra nenhuma com você.

Um homem de meia-idade, de casaco cinza, entrou na sala de jantar, examinando todos.

— Detetive Davis, NYPD, Crimes Graves. — Ele mostrou o distintivo. — Olivia Sterling mora aqui?

Elizabeth largou o garfo. — Detetive, nós estamos tomando café da manhã. Se você veio por causa de alguma coisa de caridade, ligue para a minha assistente. Caso contrário, seja rápido.

— Que merda aquela vadia maluca aprontou agora? — Arthur se levantou. — Ela registrou uma denúncia falsa de abuso? Detetive, não perca seu tempo com aquele monte de merda mentiroso. Ela só está fazendo drama.

O detetive Davis franziu a testa. — Senhor, Olivia não registrou nada. Ela está desaparecida há três dias. O telefone está desligado, não houve atividade no cartão de crédito.

Richard tamborilou os dedos na mesa. — E daí? Ela é adulta. Se quer fazer birra, problema dela. Volta quando estiver com fome. Olha, se é só isso...

Eu flutuava acima deles, encarando a expressão entediada do meu pai. Meu próprio pai. A filha desaparecida há três dias, e ele acha que é só drama.

— É pior do que o senhor imagina. — A voz do detetive Davis endureceu. — Ontem à noite encontramos um corpo queimado num complexo químico abandonado em West Brooklyn. Feminino.

A sala ficou em silêncio absoluto.

Então Elizabeth caiu na gargalhada. — Detetive, o senhor está falando sério? O senhor acha que aquilo é a Olivia? Ah, pelo amor de Deus! Aquela pirralha egoísta? Isso é totalmente mais um joguinho idiota dela!

— Um jogo? Ela se queimou viva por um jogo? — O detetive estava furioso.

— E quem disse que é ela? — Arthur abriu um sorriso de canto. — Ela provavelmente comprou o corpo de alguma mendiga e fez vocês encontrarem! Ela faria qualquer coisa pra me prender num casamento! Detetive, olha os extratos dela — aposto que tem pagamentos por compra de cadáver!

Eu tinha que admitir a criatividade do Arthur. Comprar um cadáver? Eu não conseguia nem pagar um Starbucks sem implorar pra Elizabeth — de onde eu tiraria dinheiro pra comprar corpo?

O detetive Davis respirou fundo, claramente chocado com a frieza deles.

Ele tirou uma bolsa transparente de evidências e a bateu com força na mesa chique.

— O rosto da vítima foi carbonizado. A cena foi limpa, sem identificação. — Ele apontou para o que havia dentro. — Mas o legista encontrou isto fundido ao dedo anelar esquerdo queimado.

Todos encararam a bolsa.

Lá dentro havia um anel de diamante.

A pedra estava preta de fuligem, o ouro branco retorcido num emaranhado deformado, coberto de carvão e de pedaços vermelho-escuros de carne.

Aquele anel... Arthur tinha pegado numa prateleira de promoção quando me pediu em casamento. Era do tamanho errado, vivia cortando meu dedo, mas eu usava todo santo dia como se fosse uma joia da coroa.

O detetive cravou os olhos em Arthur. — O anel tem “A & O” gravado por dentro. Arthur e Olivia. Seu anel de noivado, certo?

Arthur parecia ter visto um fantasma.

— Ainda acha que ela está fingindo, senhor Winston?

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