Capítulo 2

Ponto de vista de Ethan

— Anda logo... Ethan! Acorda. Já são 6h30 — minha mãe grita no meu ouvido enquanto me sacode com força.

— Aaaah...! Vai embora, mãe. — resmungo, afastando as mãos dela e enfiando a cabeça fundo no travesseiro, tapando os dois ouvidos com as palmas para bloquear a voz alta e estridente dela. Por que diabos ela tá gritando no meu ouvido? Mãe idiota.

— Ethan! Já são 6h30. Mesmo que você saia daqui agora, só vai chegar lá às 9. E o táxi já está esperando no portão faz cinco minutos.

— O quê!? 6h30? — pulo da cama na mesma hora, de repente entendendo por que ela está gritando. São quase duas horas e meia de viagem até a minha escola, e eu preciso chegar lá antes das 9, pegar a chave nova do meu quarto e deixar minha bagagem no quarto antes de ir para a aula.

— É, 6h30. — Minha mãe aponta para o despertador.

— Ah, droga! Eu não te disse pra me chamar às 6? Onde você tava, mãe? — pergunto, exasperado, enquanto jogo meu cabelo rebelde para trás.

Minha mãe solta um suspiro de desdém.

— Você não me disse que ia colocar o despertador para as 6 e que eu não precisava te chamar? Achei que você estivesse tomando banho — ela diz, furiosa.

Olho para o despertador. Eu realmente tinha colocado o alarme na noite passada. Talvez tenha desligado sem perceber.

Minha mãe continua, irritada:

— E agora, como é que você vai chegar à escola a tempo? Você precisa primeiro pegar a chave do dormitório na secretaria, não é? Eu não te disse pra ir ontem mesmo? Agora olha o que aconteceu. Por que você é tão irresponsável, Ethan?

— Ah... tá bom, tá bom, para. Eu vou chegar lá a tempo. Só preciso me trocar — digo e corro até o guarda-roupa. — Não se preocupa, mãe. Eu deixo minha bagagem na secretaria ou em algum lugar e vou pro quarto à noite — falo enquanto tiro às pressas uma camisa e uma calça jeans. Minha mãe só revira os olhos para mim.

— Rápido! É o seu primeiro dia do último ano — ela me lembra antes de sair do quarto.

Escovo os dentes rapidamente e visto a camisa e a calça que peguei. Ainda bem que já tomei banho ontem à noite. Depois puxo minha mala para fora do quarto às pressas e saio correndo, decidindo pentear o cabelo no táxi.

Olho para o quarto ao lado do meu. O quarto da minha irmãzinha. Como eu poderia ir embora sem me despedir dela? Mas se eu for dar tchau agora, vou me atrasar ainda mais. Na verdade, eu nem me importo tanto de chegar atrasado na escola, já que nunca fui muito bom com disciplina desde o começo. No ano passado, eu geralmente chegava dez ou quinze minutos atrasado na aula. Mas o problema agora é que o táxi está me esperando lá embaixo.

Droga! Que espere. Eu pago mais pra ele, se insistir. Corro para o quarto da Eveline. Não tem como eu ir embora sem falar com ela. Senão ela vai me dar um soco daqueles quando eu voltar neste fim de semana. E eu realmente não quero virar saco de pancadas dela.

— Ei, Eve! — grito, entrando correndo no quarto. Ela estava dormindo tranquilamente na cama, encolhida de um jeito fofo. Ela tem só seis anos.

Eve abre os olhos devagar enquanto eu a sacudo. Sorrio para ela quando abre os olhos e sorri para mim.

— Bom dia, Eve. Olha só, seu irmãozão já está atrasado para a escola logo no primeiro dia.

— Oh...! — ela suspira, olhando para o despertador ao lado dela. — Então corre! Eu não quero t-te atrasar.

Sorrio e beijo as duas bochechas dela.

— Tchau, Eve. Tenha um bom dia na escola.

— Tchau, Eddie — ela diz e beija minhas bochechas.

— Ah... Ethan! Sem pressa! — minha mãe diz da porta, segurando uma lancheira nas mãos. Eu me viro rápido e saio correndo do quarto.

— Aqui... Eu fiz um sanduíche pra você. Come no carro. — ela diz, me entregando a marmita. — Não pule o café da manhã. — adverte, com um olhar ameaçador.

— Valeu, mãe. — eu sorrio, pegando a marmita das mãos dela e depositando um beijo rápido na bochecha antes de descer as escadas correndo, gritando: — Tchau, mãe!

Não tive tempo de me virar nem de observar a reação dela, mas aposto que ficou ali, sorrindo para mim.

Entro no táxi depois de jogar minha bagagem no porta-malas. Logo o motorista gira a chave na ignição e liga o carro, soltando um suspiro enquanto sai da lateral e segue na direção da minha escola, a Westview High, no Texas.

O motorista, o Sr. John, é conhecido, porque é ele quem me leva para a escola depois dos fins de semana. Eu até tenho carro, mas não preciso de carro na escola, já que fico no dormitório. Então minha mãe usa o meu carro enquanto eu estou lá e, quando volto nos fins de semana, eu uso para encontrar meus amigos antigos e também para levar a Eve ao parque, ao shopping e essas coisas.

Minha mãe é advogada, uma das mais famosas da nossa região. Eu não gosto de falar sobre o meu pai. Mas vou contar um pouco. Faz três anos que ele nos deixou e se casou com outra mulher. Às vezes ele liga e manda mensagem, e me visita na escola uma ou duas vezes por ano. Então minha mãe e minha irmã são tudo o que eu tenho.

Além disso, eu estudo na Westview com uma bolsa esportiva de futebol americano. Não tem taxa nenhuma. A mensalidade e a estadia no dormitório são totalmente gratuitas. Consegui a bolsa quando eu estava no segundo ano e, claro, eu não seria idiota de deixar passar a oportunidade de ouro que apareceu para mim. A Westview é uma escola tão renomada, com um corpo docente excelente e uma infraestrutura incrível. Também temos um técnico de futebol americano altamente qualificado e recebemos um treinamento excelente.

Eu me recosto no banco e fecho os olhos, decidindo tirar um cochilo, já que leva quase duas horas e meia até a universidade.

Acordo com o Sr. John chamando meu nome. Olho pela janela e vejo que já estamos quase chegando em Westview. Vai levar só mais quinze minutos para chegar. O Sr. John sempre me chama quinze minutos antes para eu poder tomar meu café da manhã.

Abro rápido a lancheira que a minha mãe me deu e como o sanduíche. Quando termino, já estamos em frente à minha escola. Olho no relógio de pulso e vejo a hora: 9h05.

— Droga! Estou atrasado. — digo, tirando a carteira do bolso de trás. Pago o Sr. John rapidinho pela corrida e depois tiro minha bagagem do porta-malas.

Depois de me despedir do Sr. John, corro em direção ao escritório do dormitório, onde a nossa secretária, a Srta. Rose, está sentada na cadeira em frente ao computador, lendo um livro. Ela levanta os olhos do livro e me encara, provavelmente ao ouvir minhas passadas apressadas.

— Ah, Ethan, você está atrasado de novo. — ela comenta. Ela me conhece muito bem, já que eu sou do time de futebol americano e sou popular na escola e no dormitório.

— É. — eu confirmo com um sorriso. — Ei, posso deixar minha bagagem aqui e ir pra aula agora? Eu venho pegar depois, junto com a chave do meu quarto, de noite.

A Srta. Rose solta um suspiro.

— Tudo bem. — ela concorda com a cabeça. — Agora corre pra aula.

— Obrigado. — eu sorrio para ela e saio correndo do escritório. Minha primeira aula começa às 9h15 e já passou das 9h15. Então corro procurando a minha sala, sem querer me atrasar logo no meu primeiro dia.

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