Capítulo 1

Ponto de vista de Avia

Minha mãe estava de joelhos.

Eu nunca a tinha visto assim — Catherine Rhinehart, Luna da alcateia Rhinehart. Agora, a máscara dos cílios escorria em trilhas pretas pelo rosto, e as mãos dela se agarravam aos meus pulsos com uma força que doía.

"Por favor, Avia. Por favor." A voz dela falhou. "Três anos. Três anos, e você não consegue nem dar um filho para a alcateia Cross."

Minha garganta se fechou. Eu queria contar a verdade — que a culpa não era minha, que Alexander nunca tinha realmente me tocado, não de verdade. Só aqueles momentos humilhantes em que ele se esfregava em mim por cima da minha camisola, fazendo com que eu sentisse mais o desprezo dele do que qualquer outra coisa.

Mas eu não conseguia dizer. As palavras ficaram presas na minha boca como cacos de vidro.

"Mãe, levanta..."

"Não." Ela apertou ainda mais. "Estamos perdendo contratos, Avia. Alexander está nos cortando porque você não consegue fazer essa única coisa simples."

Simples. Claro.

Atrás dela, meu pai estava parado junto ao corrimão da varanda. Um dos pés já estava apoiado na barra de baixo.

Meu coração parou.

"Pai..."

"Se você não vai fazer isso", disse Roger, com a voz fria e sem expressão, "então qual é o sentido? Eu pulo agora mesmo. Deixo toda a alcateia saber que minha filha me levou a isso."

"Pai, por favor, não..." Minhas mãos tremiam quando estendi a mão na direção dele.

As unhas de Catherine afundaram no meu braço. "Você nos odeia? É isso? Prefere nos ver destruídos a simplesmente... simplesmente cumprir o seu dever?"

Dever. Aquela palavra de novo.

San Loris. A cidade onde lobos se escondiam atrás de logotipos corporativos e impérios de bilhões de dólares. Onde as alcateias sobreviviam jogando o jogo dos humanos melhor do que os próprios humanos jamais conseguiriam.

E a minha família estava perdendo.

As contas da Rhinehart Design Company estavam afundando no vermelho. Todos os contratos que ainda nos restavam dependiam da boa vontade da alcateia Cross. De a família de Alexander continuar nos mantendo à tona.

De eu ser valiosa o bastante para ser mantida.

Fechei os olhos. Meu peito estava apertado demais, como se minhas costelas estivessem esmagando meus pulmões.

"Eu faço isso", sussurrei.

A mudança foi instantânea. As lágrimas de Catherine cessaram como se alguém tivesse acionado um interruptor. Ela soltou meus pulsos e se levantou, alisando a saia. De dentro da bolsa Hermès, tirou um cartão-chave de hotel e um livro de capa creme.

"The Crown Hotel, quarto 908. Nove horas da noite." Ela pressionou os dois itens nas minhas mãos. "Este livro... escolhi especialmente para você. Estude. Garanta que ele goste o bastante para terminar o serviço."

Olhei para baixo. Como Agradar um Homem estava gravado na capa em letras elegantes.

O calor inundou meu rosto. Eu queria arremessar aquilo do outro lado do quarto.

"E, Avia?" A voz da minha mãe ficou afiada. "Você toma a iniciativa. Entendeu? Faça com que ele te queira."


Às 20h55, eu estava parada do lado de fora do quarto 908, o cartão-chave escorregadio de suor na palma da minha mão.

O corredor era claro demais. Silencioso demais. Cada respiração que eu dava parecia alta demais.

Passei o cartão. A fechadura apitou em verde.

O quarto estava escuro por dentro, com apenas um abajur ao lado da cama lançando uma luz amarela e quente. Um homem estava em pé diante da janela do chão ao teto, de costas para mim, com o celular encostado no ouvido.

"Estou aqui", ele disse, com a voz grave e áspera. "Ela ainda não apareceu. Confira de novo o—"

Ele ouviu a porta e se virou, encerrando a ligação na mesma hora.

Eu congelei.

Puta merda.

Ele era... quer dizer, eu estava com Alexander havia três anos, e Alexander era bonito daquele jeito frio e corporativo. Mas esse homem...

Alto. Talvez com um metro e noventa. Ombros largos repuxando uma camisa social preta de mangas dobradas, revelando antebraços que pareciam capazes de quebrar ossos. Maxilar bem definido. E os olhos... cinzentos, como gelo, como tempestades de inverno.

Esses olhos se prenderam ao meu rosto, e a garganta dele se moveu quando engoliu em seco.

Baixei o olhar rápido, com o rosto em chamas. "Eu..." As palavras morreram. O que eu deveria dizer? Oi, estou aqui para engravidar de um estranho porque meu marido não me toca?

Se esta é a única coisa que posso fazer pela minha família... se isso impedir que eles se machuquem...

Ele estava me encarando como se tentasse resolver um enigma. O olhar dele percorreu meu rosto — meus olhos, meus lábios, meu pescoço — e cada lugar em que tocava parecia quente demais.

Então ele se aproximou, e eu senti o cheiro dele. Cedro e algo selvagem, algo que fez minha loba ganir no fundo da minha mente.

A voz da minha mãe ecoou na minha cabeça: Você toma a iniciativa.

Minhas mãos tremiam quando levei os dedos aos botões do meu casaco.

Ele não se mexeu. Não ajudou. Só ficou ali, me observando com aqueles olhos cinza e frios enquanto eu me atrapalhava com os botões feito uma idiota. O casaco escorregou dos meus ombros e caiu no chão.

Comecei a desabotoar a blusa.

— Você sabe o que está fazendo? — A voz dele era baixa. Perigosa.

As lágrimas arderam nos meus olhos, mas eu assenti.

Mentirosa. Você não faz ideia do que está fazendo.

A blusa se juntou ao casaco. Fiquei ali, de sutiã e saia, cada músculo travado, querendo correr e sabendo que não podia.

Ele se moveu tão rápido que eu engasguei — num segundo estava a uns sessenta centímetros, no seguinte as mãos dele já estavam na minha cintura e eu estava no ar. Minhas costas bateram no colchão e ele ficou por cima de mim, o peso dele me pressionando contra lençóis caros.

— Espera… — comecei, mas então a boca dele estava na minha clavícula e meu cérebro entrou em curto.

Isso é errado. Eu sou casada. Estou traindo o Alexander…

Mas a língua dele traçou o vão da minha garganta e minhas costas arquearam sem permissão. A mão dele deslizou pelas minhas costelas, o polegar roçando a parte de baixo do meu seio, e eu soltei um som que nunca tinha soltado antes.

O Alexander nunca tinha me tocado assim. Nunca tinha feito minha pele parecer que estava pegando fogo.

O peito daquele homem pressionou contra o meu — músculo duro e calor — e quando os dedos dele encontraram o fecho do meu sutiã, eu devia ter parado. Devia ter dito alguma coisa.

Em vez disso, levantei os ombros para ele conseguir tirar.

O que há de errado comigo?

A boca dele desceu mais. Os dentes rasparam no meu mamilo e eu não conseguia respirar, não conseguia pensar; só conseguia sentir o jeito como meu corpo respondia a ele como se tivesse esperado por isso a vida inteira.

Eu me odiava por isso. Odiava o quanto eu estava ficando molhada, o quanto meus quadris já se mexiam inquietos sob ele.

Ele empurrou minha saia para cima, a palma áspera contra a parte interna da minha coxa, e eu mordi o lábio com força o bastante para sentir gosto de sangue.

— Você está tremendo — ele disse, contra a minha pele.

— Eu… — Aterrorizada. Culpada. Excitada demais, como se eu fosse morrer.

Os dedos dele fisgaram minha calcinha e a puxaram para baixo. O ar frio atingiu entre minhas pernas e eu quis fechá-las, me esconder, mas ele já estava ali, a mão me cobrindo, um dedo deslizando pela umidade que fez a vergonha queimar no meu peito.

— Tão pronta — ele murmurou. — Seu corpo sabe o que quer.

Então ele estava abrindo o cinto, empurrando a calça para baixo, e eu vi — grosso e duro e, meu Deus, isso estava mesmo acontecendo —

Ele entrou e eu gritei, minhas mãos se fechando nos lençóis.

Isso é errado. Tão errado. O rosto do Alexander piscou na minha mente…

Mas então o homem se mexeu e o prazer atravessou a culpa, agudo e avassalador. Meu corpo não se importava com certo ou errado. Só queria mais.

Eu sou nojenta. Eu estou mesmo gostando disso…

— Relaxa — ele disse, mas não esperou; só continuou entrando mais fundo até eu me sentir tão cheia que não conseguia respirar. — Você me recebe tão bem. Me apertando tão gostoso.

Ele começou a se mover. Devagar no começo, quase gentil, mas depois mais forte, mais rápido, e cada estocada fazia faíscas subirem pela minha coluna.

Para. Você precisa parar de reagir assim…

Mas meus quadris se ergueram para encontrá-lo mesmo assim. Meu corpo traía cada moral que ainda me restava.

A mão dele deslizou entre nós, os dedos encontrando meu clitóris, e eu me despedaçei.

O orgasmo veio como um golpe físico — minha visão ficou branca, meu corpo inteiro se retesando enquanto o prazer me atravessava em ondas que não paravam.

Por entre a névoa, senti ele estocar mais uma vez, forte, e então ficar rígido ao terminar dentro de mim.


Eu me vesti com as mãos trêmulas enquanto ele estava no banheiro. Não esperei ele sair. Só peguei meu casaco e corri.

O elevador tinha uma placa de “fora de serviço”.

Perfeito.

Peguei as escadas de emergência, meus saltos batendo alto demais no concreto. Minhas coxas estavam grudando. Eu me sentia usada e suja e —

Uma risada ecoou lá de baixo.

Eu conhecia aquela risada.

Pela janelinha na porta da escada, eu pude ver o braço do Alexander em volta de uma loira num vestido vermelho.

Mira. Meu marido e sua “melhor amiga”, que ele jurava ser só amiga, nada mais.

Espera — o que ele está fazendo aqui?

O pensamento me atingiu frio e afiado. O mesmo hotel. A mesma noite.

Não. Não pode ser…

— Alex, você tem certeza de que isso vai funcionar? — a voz de Mira subiu. — E se ela não engravidar?

A risada de Alexander foi gélida. — Eu contratei o melhor garanhão que eu consegui achar. Aquela vadia só precisa abrir as pernas.

Próximo Capítulo