CAPÍTULO 5
SABRINA
Estou grávida de sete meses e esperando gêmeas. Eu sabia que aquela longa noite de prazer, onde fiquei grávida, não poderia ter sido de outra forma.
Minha amiga Lúcia está maluca, comprando de tudo para minhas filhas. É como se ela soubesse que são suas netas ou pelo menos pressentisse isso. Ela me acompanha a cada consulta e me faz comer nos horários certos.
Ela não permite que eu exagere no trabalho. Já pensei em contar a verdade a ela, mas tenho medo de perder sua amizade por ter me envolvido com seu filho. Por isso não digo nada.
Meu filho diz que será um irmão muito ciumento e que não deixará ninguém machucar suas irmãs. Que vai mimá-las e que, em três anos, quando voltar, vai enchê-las de beijos, embora tenha prometido ficar aqui quando chegar a hora do parto.
Depois de vinte anos, estou assustada. A verdade é que é difícil começar do zero com fraldas e mamadeiras, noites sem dormir e tudo isso. Depois de vinte anos, é algo muito complicado, especialmente agora que tudo será em dobro.
Minha gravidez tem sido boa. Não tive náuseas nem qualquer desconforto, apenas desmaiei quando descobri a gestação e nada mais.
Acho que sei o motivo. Quando falo com Mauricio, ele me conta que Fabio tem tido vômitos, enjôos e está sempre querendo dormir.
Acho que ele está sentindo todos os desconfortos da gravidez. Sei que ele foi a uma infinidade de médicos em Londres. Mas ninguém encontra nada de errado com ele, se soubesse que todos esses desconfortos são porque ele será pai.
Não posso revelar nada agora; ele é jovem demais e merece construir o próprio futuro sem esse peso. Talvez, um dia, eu reúna coragem para admitir que temos duas filhas juntos.
— Bom dia, chegou a tia mais coruja do mundo — disse Lúcia, muito alegre, entrando no meu escritório. Se ela soubesse que é a avó e não a tia.
— Oi, o que te traz aqui? — perguntei com um sorriso.
— Vim te levar para fazer compras para as minhas sobrinhas. Seu filho me ligou e quer que o quarto das gêmeas esteja pronto para o nascimento, então vamos lá, faltam alguns detalhes — Lúcia, que se tornou cúmplice do meu filho em tudo.
— Está bem, vamos devagar, mal consigo andar com essa barriga grande — respondi, levantando com muito esforço.
— Bom, vamos — Lúcia me pegou pelo braço.
Lúcia me arrastou para fora do escritório do meu café e me levou a um shopping, onde comprou praticamente tudo para meninas. Os lojistas pareciam em festa, pois as mercadorias se esgotavam por causa dela. Dinheiro não lhe faltava, além da pensão que o ex-marido, pai de Fabio, enviava mensalmente.
Ela também tinha ações em diversas empresas e poderia viver sem trabalhar pelo resto da vida, se quisesse. Ela diz que seria muito chato ficar o dia todo sem fazer nada, por isso trabalha meio período e no outro período vai às compras.
Nos últimos meses, ela só compra coisas para bebês. O ex dela ligou para saber se ela estava grávida, porque se estivesse, ele não pagaria mais a pensão, Ao descobrir que não era o caso, ficou frustrado por ter de continuar sustentando minha amiga.
Depois de um dia exaustivo de compras, minha amiga me levou para casa, já que o encarregado do café ficaria responsável por fechá-lo. Eu estava cansada e meu corpo doía, então tomei um banho, coloquei meu pijama e fui para a cama.
Imediatamente adormeci. Acordei com uma forte dor no ventre e senti um líquido escorrer pelas pernas.
Reconheci o que estava acontecendo, pois já havia passado por aquilo quando Mauricio nasceu, mas desta vez eu tinha apenas sete meses. Peguei meu celular e liguei para minha amiga Lúcia.
—Amiga vem rápido, minha bolsa estourou — falei assim que ela atendeu
—Meu Deus, já estou indo — respondeu Lucía
A dor era insuportável, sabia que havia o risco de os bebês nascerem antes do tempo. Mas esperava conseguir levar a gravidez até o fim. Acho que isso não será possível.
Depois de alguns minutos, Lucía chegou e me levou ao hospital. A dor era intensa, mas eu conseguia tolerá-la. Ao chegarmos, a doutora disse que eu estava pronta para fazer força e me levou para a sala de parto.
"Vamos, Sabrina. Quando sentir a contração, faça força", orientou a médica, e eu apenas concordei com a cabeça.
Depois de fazer força por alguns minutos, nasceu minha pequena Fabiola e, em seguida, minha princesa Sofia. Chorei ao vê-las, são lindas, o único problema é que são idênticas ao pai.
Sei que são bem pequenas, mas já se parecem com ele. Só resta esperar que abram os olhos e que não sejam como os dele. E se forem, espero que ninguém desconfie quem é o pai.
Depois de ver minhas bebês, elas foram levadas para as incubadoras e eu para um quarto. Elas são prematuras, então teria que esperar para levá-las para casa.
No quarto, eu não conseguia parar de pensar na semelhança que elas têm com Fabio e rezava para que não tivessem os olhos dele. Estava imersa nessas preocupações quando Lúcia entrou, radiante.
—Amiga, já as vi, são lindíssimas. Sabe, me lembraram meu filho quando nasceu — comentou Lucía e eu quase tive um infarto ao ouvir a comparação.
—Amiga, elas são lindas e se te lembraram o Fabio é porque todos os bebês se parecem — respondi nervosa.
—Você tem razão, mas elas realmente se parecem um pouco com ele. Não importa, vou mimá-las e amá-las muito. Afinal, são minhas sobrinhas — respondeu Lucía.
Ela ficou comigo até que eu pegasse no sono. O que não demorou para acontecer, já que eu estava exausta. Trazer dois bebês ao mundo não é nada fácil.
Então eu dormi profundamente enquanto minhas bebês estavam na incubadora, sendo cuidadas pelas enfermeiras e monitoradas por um pediatra. Não sei quanto tempo dormi, mas quando abri os olhos já era quase meio-dia.
Foi um sono de quase doze horas. Uma enfermeira trouxe minha refeição e avisou que depois me levaria para ver minhas filhas.
Quando terminei de comer, esperava pela enfermeira ou pela minha amiga Lucía. Mas fiquei surpresa ao ver meu filho e o melhor amigo dele, Fabio. Estava feliz em ver meu filho, mas preocupada que Fabio pudesse perceber de quem as meninas eram filhas.
—Mãe, já vimos as meninas e elas são lindas — comentou meu filho, me abraçando, enquanto eu sentia que ia desmaiar.
—Sim, Sabrina. São duas princesas, já que sua mãe é uma rainha — elogiou Fabio, e eu estava morrendo de nervosismo.
—Quando chegaram? Eu não estava esperando vocês — perguntei nervosa, enquanto recebia o abraço dos dois e seus presentes.
—Minha mãe ligou ontem à noite, antes de ir buscar você em casa — respondeu Fabio.
—Então pegamos o primeiro voo para poder vê-las — respondeu meu filho.
—Fico feliz que estejam aqui — falei nervosa, à beira de um ataque de pânico.
—Com licença, mamãe, pronta para ver seus bebês? — perguntou a enfermeira ao entrar no quarto.
—Sim, estou pronta — respondi com uma vontade louca de sair do quarto.
—Eu ajudo — Fabio me ajudou a passar para a cadeira de rodas e meu filho a empurrou enquanto a enfermeira caminhava ao nosso lado.
Sentir Fabio tão perto me deixa realmente nervosa, mas eu precisava manter a calma. Minhas filhas precisam de mim e meu filho está aqui.
Não posso levantar suspeitas. Ainda não estou pronta para enfrentar todos, não estou pronta para dizer a todos que engravidei do melhor amigo do meu filho.
