Capítulo 2 Fotos de nudez forçada

[Sera]

Senti minha alegria momentânea desmoronar. "Pai, eu... eu não quero me casar com alguém que não amo. Não consigo imaginar passar minha vida com um estranho apenas por negócios."

A expressão dele endureceu. "Amor? Você acha que casamento é sobre amor?" Ele zombou. "Que noções infantis." Seu tom ficou frio. "Nossa construtora precisa dessa aliança. Trata-se de garantir o futuro da família, proteger nossos interesses comerciais."

Respirei fundo, tentando encontrar outra saída. "Pai, fui aceita no programa de arquitetura da universidade. Bolsa integral. Posso ajudar a empresa com habilidades e conhecimentos reais. Sempre tive talento para o design — meu portfólio me rendeu essa bolsa. Quero contribuir de forma significativa."

Ele realmente riu — um som áspero e zombeteiro. "Você? Ajudar um império da construção?" Ele balançou a cabeça. "O que exatamente você acha que uma garotinha com alguns desenhos bonitinhos pode fazer? Projetar casas de boneca? Nossa empresa lida com empreendimentos comerciais, projetos de infraestrutura. Isso não é sobre suas ambições juvenis."

"Não sou mais uma garotinha! Posso aprender sobre o negócio, modernizar nossa abordagem. O setor está mudando, e precisamos..."

"Chega!" ele esbravejou. "O que precisamos é de influência e parcerias estratégicas, não das suas fantasias de faculdade. Esse casamento trará exatamente isso. Seja grata por eu ter encontrado um propósito que está realmente dentro das suas capacidades."

Algo desafiador brilhou em meus olhos. "Eu não vou fazer isso", eu disse, minha voz ganhando força. "Não vou me casar com um estranho que nunca nem vi. Eu vou fugir — vocês não podem me pegar. Nenhum de vocês pode!"

A expressão dele ficou fria como gelo. Ele desviou o olhar para Harold e Meredith, que estavam de pé, tensos, atrás de mim durante toda a ligação.

"Ouviram isso?" ele disse, com a voz mortalmente calma. "Ela acha que pode fugir." Ele se inclinou ligeiramente para a frente. "Preciso que ela seja entregue ao meu motorista amanhã à tarde, completamente ilesa. Sem nenhum arranhão. Vocês conseguem lidar com isso, ou preciso encontrar tutores mais competentes?"

Harold se endireitou imediatamente. "Claro, Sr. Ginger. Nós vamos garantir..."

"Ótimo. Haverá dez mil a mais para vocês se ela chegar exatamente como deveria." Seus olhos não saíam dos rostos deles. "Mas se ela ganhar um único hematoma tentando escapar sob a vigília de vocês, terão que se explicar para mim pessoalmente."

A ameaça em sua voz fez até Harold empalidecer.

"Alguém vai buscá-la amanhã às 15h em ponto. Preparem-na adequadamente."

A chamada de vídeo terminou, deixando o quarto em um silêncio pesado. Levantei os olhos para ver três pares de olhos me encarando — predatórios, calculistas. Como lobos circulando sua presa.

Arrastei-me para trás, meu coração martelando. "Fiquem longe de mim!"

Harold deu um passo à frente com uma corda nas mãos. "Agora, não torne isso difícil..."

Peguei a coisa mais próxima que consegui encontrar — um livro pesado da minha escrivaninha — e o atirei na cabeça dele. Ele se abaixou, xingando, enquanto eu tentava alcançar qualquer outra coisa ao meu alcance. Um abajur, meu despertador, um porta-retratos — qualquer coisa para mantê-los afastados.

"Vadiazinha!" Zack avançou, segurando meu pulso quando tentei acertá-lo com uma escova de cabelo. Harold agarrou meu outro braço e, juntos, me forçaram em direção à cama, apesar de eu me debater e chutar.

"Saiam de cima de mim! Me soltem!" eu gritei, mas Zack tapou minha boca com a mão enquanto Harold tentava amarrar minhas mãos nas minhas costas.

No momento em que Harold estava prendendo a corda em volta dos meus tornozelos, Meredith levantou a mão. "Esperem", ela disse, com os olhos brilhando de malícia. "E se ela se casar e decidir vir atrás de nós depois? E se ela contar ao novo marido como a tratamos todos esses anos?"

Ela fez uma pausa, um sorriso cruel se espalhando por seu rosto. "Vocês não ouviram o que o pai dela disse? O futuro marido dela se importa muito com a pureza. Então, devemos tirar algumas... fotos de garantia. Para ter certeza de que ela nunca ouse falar contra nós."

Os olhos de Zack brilharam de excitação, sua respiração ficando mais pesada. "Ah, eu gostei dessa ideia", ele disse, lambendo os lábios. "Finalmente vou poder ver o que eu tanto esperava."

Harold entendeu na mesma hora, sacando o celular com um sorriso predatório. "Bem pensado, Meredith. Só mais uma coisa antes de terminarmos de te amarrar...", ele disse, com a câmera já aberta.

Antes que eu pudesse reagir, Meredith avançou e agarrou a gola da minha blusa de pijama gasta. "Tira. Agora." A voz dela soou ríspida, sem deixar margem para discussão, enquanto seus dedos cravavam no tecido.

Recuei horrorizada, com o coração martelando no peito. "Não... por favor!" Minha voz falhou, o desespero tomando conta de mim enquanto eu me prensava contra a parede, agarrando a barra da blusa como se fosse uma tábua de salvação.

O rosto de Harold se contorceu em um sorriso de escárnio, o celular ainda apontado para mim. "Não piore as coisas, garota. Só vamos tirar algumas fotos. Mas se você contar para alguém que nós te maltratamos", ele ameaçou, com um tom baixo e ameaçador, "essas fotos vão parar em todo lugar. Você vai se arrepender de ter aberto a boca."

"Deixa eu ajudar", Zack disse, ansioso, suas mãos alcançando a barra da minha blusa pelo outro lado. "Eu esperei tanto por isso."

Meredith deu um passo à frente, apertando ainda mais os dedos ao puxar bruscamente a minha gola, enquanto Zack puxava por baixo, fazendo os botões arrebentarem. "Fica quieta", ela esbravejou, com as unhas arranhando a minha pele enquanto eu tentava me desvencilhar daquelas mãos que me agarravam. Senti o ar frio bater nos meus ombros quando o tecido começou a ceder, com os braços tremendo enquanto eu lutava contra os dois. As lágrimas queimavam nos meus olhos, embaçando minha visão, mas eu ainda conseguia ver o olhar faminto de Zack e a satisfação cruel no rosto de Meredith enquanto trabalhavam juntos para me expor.

"Para de resistir", Harold rosnou, ajustando o celular para pegar um ângulo melhor. O flash disparou uma, duas vezes, e cada clarão me fazia estremecer como se fosse um golpe físico. Meu estômago revirava de vergonha e medo, cada clique da câmera gravando-se a fogo na minha memória. Eu queria gritar, empurrá-los para longe, mas meu corpo parecia congelado, preso sob o peso do controle deles.

"Lembre-se, nós somos os seus pais adotivos amorosos", Meredith sibilou, a voz destilando veneno ao finalmente recuar, satisfeita com o estrago feito. "Você tem sido muito feliz aqui. Entendeu?" Ela ajeitou o cabelo, o sorriso falso voltando ao rosto como se nada tivesse acontecido, enquanto eu continuava ali, tremendo, puxando o tecido rasgado da minha blusa de volta sobre os ombros.

Harold abaixou o celular, lançando-me um último olhar gelado. "Fica quieta, e isso morre entre nós. Uma palavra em falso, e todo mundo vai ver essas fotos. E não pense que você pode simplesmente ir embora e esquecer da gente", ele acrescentou, estreitando os olhos. "Nós somos a sua família agora. Quando ficarmos velhos, é bom não virar as costas para nós. Nós investimos em você e esperamos retorno. O seu pai, a sua nova família chique... todo mundo vai saber o tipo de garota ingrata que você realmente é."

Naquela noite, amarrada à cama, apertei o pingente da minha mãe e chorei em silêncio, sentindo o metal frio marcar a palma da minha mão. Eu nunca escaparia deles, não de verdade. Aquelas fotos sempre existiriam, e as ameaças deles me seguiriam aonde quer que eu fosse.

Mas, à medida que as lágrimas secavam no meu rosto, algo mais sólido se cristalizou no meu peito. Raiva. Um ódio puro e ardente pelos três monstros que me atormentaram durante anos.

Amanhã eu iria embora de Harper Town para sempre — mas jurei a mim mesma que aquele não seria o fim. Custasse o que custasse, não importava com quem eu tivesse que me casar ou quais alianças tivesse que fazer, eu me tornaria forte o suficiente para destruí-los. Eles achavam que eram meus donos, achavam que poderiam usar aquelas fotos para me controlar para sempre.

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