Capítulo 5 Capitulo 5
Pensar nele me faz questionar como estão as coisas entre os dois, e o dar de ombros dela, fingindo desinteresse, me dá certeza que seu coração está dilacerado. Kim colocou o irmão de Blake contra a parede sobre o não-relacionamento deles e, aparentemente, o filho da mãe não gostou, optando pela distância, nem se dando ao trabalho de falar com ela.
— Você ainda vai encontrar uma pessoa que te mereça, Kim. Tudo no seu tempo! — Ela dá de ombros. — Pense no Jacob, que precisa de você. — refiro-me ao seu filho de um ano e seis meses, fruto de um relacionamento conturbado com um homem irresponsável, que nunca se interessou pelo crescimento dele.
Ela começa a falar sobre estar cansada dos relacionamentos conturbados que está constantemente envolvida, mas logo é cortada por Blake, que aparece como um fantasma atrás de nós:
— Senhorita Miller, preciso que revise a questão dos funcionários novos com a Ava.
— Sim, senhor! — Com agilidade, Kim pega as cópias da máquina, enquanto eu me esforço para digitalizar um documento o mais rápido que consigo. Duas loucas para fugir da inspeção trabalhista do chefe.
Saímos rapidamente, batendo a porta de vidro atrás de nós, conforme caminhamos devagar até nossas mesas, sem pressa alguma para trabalhar.
— De onde ele surgiu? — Olho para trás uma última vez e vejo-o através da porta de blindex, notando seu olhar compenetrado, especialmente em mim.
— Eu sei lá! O homem parece um mutante do X-Men, surgindo do nada! — cochicha, conforme viro-me novamente para frente, com os olhos intensos de Blake na mente.
— Parece um inquisidor.
— Prefiro ditador… — ela sussurra, arrancado-me uma risada.
Voltamos para as nossas mesas e observo que a minha está repleta de bilhetes e rosas. Annie brinca que o cupido passou pelo nosso setor, conforme abro cada um dos papéis e percebo que nenhum deles tem identificação.
Olho em volta e de fato há um homem vestido como o símbolo do dia dos namorados, distribuindo bilhetes e rosas; todos enviados pelos funcionários da empresa. E a mesa de Kim é a prova viva que há várias pessoas interessadas nela na empresa por causa da quantidade de presentes espalhados.
— A sua presença aumenta a minha vontade de trabalhar. — Leio um dos bilhetes em voz alta e reviro os olhos, enquanto Annie e Kim se acabam na gargalhada.
— Melhor que: “Seus cabelos parecem o fogo que arde em meu peito”. — Kim dispara.
— Mas eles são escuros. — Annie retruca, rindo. — O que o homem não faz por amor…
— Ou uma foda! — disparo, voltando para as minhas tarefas, observando-as fazerem o mesmo.
Algum tempo depois, sou obrigada a interromper o meu trabalho para atender o telefone e franzo a testa ao perceber que se trata de Blake.
— A senhorita está ocupada?
— Não, senhor, pode falar. — Ele demora um tempo para responder e isso me causa ansiedade ou nervosismo, ainda não me decidi.
— Ontem pedi que limitasse o acesso de alguns funcionários de algumas salas da presidência, incluindo a copiadora, porque eles possuem metade do décimo quinto andar para isso, correto? — Sua voz denota irritação, e eu faço o que sei fazer de melhor: calcular a merda da vez, antes mesmo de receber a advertência. Mas, sinceramente, não faço ideia do que poderia ser, por isso, limito-me a responder que sim e ele continua:
— Então… — solta a respiração devagar. — Poderia me informar por que estou preso nesse momento? — Levanto-me em um rompante, guiando os meus olhos até a sala da copiadora, lembrando que Kim e eu o deixamos lá dentro há, pelo menos, quarenta minutos e sinto os olhos de Blake queimarem sobre mim. — Será que vai demorar para alguém me tirar daqui, Gallagher?
— Não, senhor! — Devolvo o gancho do telefone ao aparelho, instantaneamente, e noto que as meninas me observam sem entender nada.
Eu não sei como, mas consigo pular a minha mesa em questão de segundos e corro pela recepção sob olhares de vários funcionários, esbarrando em alguns ombros no caminho. Os olhos de Blake queimam e parece que ele está soltando fogo pelas ventas, mas paro no meio do corredor ao lembrar que não estou com meu crachá de acesso.
Merda! Ele vai me matar!
Tiro coragem, nem faço ideia de onde, para implorar por um minuto com uma das mãos e suspiro devagar ao assistir seus olhos arregalados. Há um grande ponto de interrogação em sua testa e por sua expressão, com certeza, deve estar imaginando que sou maluca o suficiente para fazê-lo esperar por uma coisa tão idiota. Acredite, amigo! Eu também penso isso.
Deixo um sorriso desanimado aparecer em meu rosto, conforme volto para minha mesa para procurar pelo bendito cartão que, para o meu azar, como todas as vezes que estou com pressa, não está em nenhum lugar visível.
— Está tudo bem, DJ? — Annie questiona, mas não lhe dou ouvidos, dando continuidade à minha procura. — DJ?
Abro as gavetas e vasculho cada canto da minha mesa e não o encontro, encarando as minhas amigas, posteriormente, começando a sentir o peso da demissão nos meus ombros. O telefone volta a tocar e vejo que se trata do mesmo número de antes, fazendo-me contar até dez mentalmente.
— Presidência! — digo, desfocando de sua respiração desregulada.
— Está difícil?
— Não senhor, eu apenas… — começo, mas ele me corta:
— Pode, por favor, liberar os meus acessos?
— Claro! — Com ele na linha, sentindo-me burra por não ter pensado nisso antes, acesso o computador e libero todas as portas possíveis para que ele consiga transitar nos lugares mais improváveis do prédio através do próprio crachá.
Tento informá-lo exatamente disso, mas, em resposta, ouço o som da linha disparando, indicando o fim da nossa conversa. Deslizo meus dedos pela cabeça e respiro fundo, frustrada por ser tão desastrada, voltando a encarar as minhas amigas, que continuam me olhando confusas.
— Está tudo bem? — Kim questiona, observando Blake desfilar na recepção, e juro que vejo faíscas saltando dos olhos dele. Ele passa por mim, feito um foguete, e se fecha em seu escritório, deixando-me em alerta.
— Melhor impossível! — Deixo minha testa bater na mesa, sem me incomodar com a dor. — Acabei de trancar o Blake dentro da copiadora e não tenho ideia de onde enfiei meu crachá.
— Poxa, amiga! Ficou comigo depois do episódio na copiadora. — Kim confessa, apontando o objeto na minha direção, e fecho os olhos, respirando devagar.
— Agora ele me demite!
— Amiga, você já teve erros bem piores do que esse, então, relaxa… — Annie tenta me animar, mas o efeito é contrário:
— Eu deixei ele trancado no escritório, não tem nada pior do que isso!
— Talvez a vez em que ele te pediu para comprar o jantar, porque trabalharia até tarde, e você esqueceu... — Kim replica, e Annie continua:
— E aquela em que você trocou os relatórios de uma reunião importante…
— Nem era tão importante assim. — Dou de ombros, sendo cortada pela secretária de Conrad:
— Era a documentação da auditoria da empresa! Sem contar a vez em que ele pediu que você fosse até a residência dele para pegar uns relatóri… — corto-a:
— Okay! Já entendi que sou um desastre administrativo, mas estou tentando…
— E já melhorou muito, amiga! Não desanime! Você é inexperiente no cargo e ainda precisa se matar de estudar. Vai que na próxima reencarnação você volte como a secretária do ano? — Kim gargalha, e eu reviro os olhos, esperando pela próxima repreensão.
Contudo, ela não vem, o que não é suficiente para sanar meus medos.
