Capítulo 7: A gravidade do medo

Ponto de vista de Sia

A reunião do conselho tinha sido exaustiva. Por três horas, fiquei sentada na cabeceira da mesa de mogno, respondendo a perguntas de homens que olhavam para a minha empresa como se fosse um prêmio que eles estavam desesperados para pôr as mãos. Eu lidei com cada pergunta do jeito que sempre faço, com calma e sem hesitar. Minha voz permaneceu fria e firme, deixando claro que não havia espaço para ninguém discutir comigo.

Mas, durante toda a sessão, eu conseguia senti-lo.

Julian não tinha apenas ficado na sala; ele tinha tomado posse de um canto dela.

Apesar das minhas instruções explícitas para que esperasse do lado de fora, ele simplesmente me encarou com aquela expressão irritantemente calma e permaneceu.

Ele não falou, não interrompeu e nem sequer olhou para os slides. Passou a reunião inteira me observando — não com o olhar lascivo de alguns membros do conselho, mas com a intensidade concentrada de um predador guardando o próprio prêmio.

Eu estava frustrada. Eu estava acostumada a ser o único poder na sala, e a presença dele era um lembrete constante, vibrando baixinho, de que no momento eu era vista como um passivo. Mas não disse uma palavra. Eu não podia me dar ao luxo de parecer instável diante dos acionistas.

Quando a reunião foi encerrada e os homens foram saindo, Milan, minha secretária, deu um passo à frente. Ela era um furacão de eficiência, com o tablet apertado contra o peito.

— Os relatórios para a reunião de fusão de amanhã estão na sua caixa de entrada, Sia — disse Milan, com a voz baixa e profissional. — Também agendei a revisão final com o jurídico para as oito da manhã. Seu carro está esperando lá embaixo.

— Obrigada, Milan — respondi, e minha voz soou oca até para mim mesma. Senti uma necessidade súbita e desesperada de ficar sozinha, de tirar a pele da Rainha de Gelo e simplesmente respirar.

Virei-me em direção ao elevador executivo, as portas folheadas a ouro se abrindo com um toque suave. Entrei, e o carpete macio abafou meus passos. Não precisei olhar para trás para saber que Julian vinha logo atrás de mim.

Ele entrou naquele espaço pequeno e espelhado, e o cheiro de sândalo e de algo metálico — como chuva no asfalto — preencheu a área confinada imediatamente.

As portas se fecharam, nos selando lá dentro.

Por alguns segundos, o único som foi o zumbido discreto do elevador e o leve movimento dos nossos reflexos nos espelhos.

Meus olhos deslizaram até ele antes que eu conseguisse impedir.

Ele era alto, de ombros largos, e de algum modo parecia ocupar mais espaço do que realmente ocupava. As mangas esticavam sobre braços fortes, e o vinco sutil entre as sobrancelhas o deixava ainda mais intimidador enquanto ele encarava o painel de controle.

Desviei o olhar depressa.

Havia algo em estar tão perto dele que me deixava consciente demais de tudo — o calor vindo do corpo dele, o cheiro limpo da colônia, até o som baixo da respiração.

Era ridículo! Eu mal conhecia aquele homem.

Então por que ficar ao lado dele parecia ser puxada em direção a algo que eu não tinha o menor direito de querer?

E então, de repente… o mundo sumiu debaixo de mim.

Num segundo, eu estava de pé ao lado de Julian. No seguinte, meu estômago subiu para a garganta.

O elevador despencou.

Não foi um solavanco leve. Não foi aquele tropeço mecânico que faz você xingar baixinho.

Ele caiu.

Meu corpo foi arremessado para cima antes que a gravidade me puxasse para baixo de novo, e um grito rasgou de algum lugar dentro de mim antes que eu conseguisse conter. Meus dedos arranharam o ar em busca de alguma coisa — qualquer coisa — para me segurar, mas não havia nada.

O chão desapareceu sob meus pés. Por um segundo horrível, eu fiquei sem peso.

Então veio o som. Metal gritando contra metal.

Os freios de emergência acionaram com um estalo violento, e o elevador deu um tranco tão forte que fui jogada de lado. Meu ombro bateu na parede, arrancando o ar dos meus pulmões.

Julian agarrou o corrimão com uma mão, e a outra se lançou na minha direção.

—Sia! —A voz dele mal chegou até mim por cima do rangido ensurdecedor do metal se retorcendo.

Então… tudo ficou preto.

As luzes se apagaram.

A escuridão absoluta engoliu o elevador.

Por um momento, nenhum de nós se mexeu. Eu conseguia ouvir a minha própria respiração.

Rápida demais, alta demais.

Meu coração martelava contra as costelas como se estivesse tentando escapar do peito. Pressionei uma mão contra a parede, procurando desesperadamente por alguma coisa sólida, alguma coisa que me lembrasse que eu não estava mais caindo.

Mas tudo o que senti foi o metal frio sob a minha palma.

E então o elevador se deslocou, só um pouquinho. Aquele movimento minúsculo foi o suficiente.

Minha respiração travou.

—A gente vai cair.

As palavras saíram antes que eu pudesse impedi-las.

—Não. —A voz de Julian veio pela escuridão, baixa e firme.

Engoli em seco.

—Você não sabe disso.

—Eu sei.

Outro gemido metálico ecoou pelo poço.

Eu me encolhi, assustada.

Julian se mexeu na hora.

—Sia, não se mexe.

—Eu não estava planejando. —Minha tentativa de sarcasmo soou fraca até para os meus próprios ouvidos.

Ouvi ele se aproximar.

—Você se machucou?

—Não.

—Olha pra mim.

Eu quase ri.

—Tá um breu total.

—Eu sei.

Havia algo na voz dele que me fez obedecer mesmo assim. Virei na direção de onde eu achava que ele estava.

Eu não conseguia vê-lo. Mas, de algum jeito, eu conseguia senti-lo.

—Boa —ele disse, baixo. —Continua respirando.

Eu odiava o quanto eu queria ouvir o que ele dizia. Odiava ainda mais que meu corpo parecia confiar nele antes da minha cabeça.

Puxei um ar trêmulo. Depois outro.

Outro solavanco violento sacudiu o elevador.

Eu cambaleei, com o coração saltando para a garganta. Antes que eu pudesse pensar, minha mão disparou e encontrou a de Julian.

Eu o agarrei com força, meus dedos se fechando nos dele como se ele fosse a única coisa sólida que restava no mundo.

Por um segundo, eu esqueci de respirar. Então percebi o que estava fazendo e tentei afrouxar o aperto.

Não consegui.

Dessa vez, Julian xingou.

Meu estômago afundou.

—O quê? O que foi?

—Isso não é uma falha normal. —Ouvi ele se mover em direção ao painel de controle, mas ele não soltou minha mão. —Este prédio tem sistemas de backup pros sistemas de backup. O elevador não deveria ter despencado nem um andar.

Outra pausa.

Então a voz dele ficou mais fria.

—Alguém desligou o sistema de segurança.

Meu sangue gelou.

—Você acha que alguém fez isso?

—Eu sei que alguém fez.

De repente, a escuridão pareceu menor. Mais próxima.

Eu mal conseguia respirar.

Alguém tinha sabotado o elevador. Alguém tinha querido que nós estivéssemos dentro dele.

E se aqueles freios de emergência não tivessem segurado a gente… Eu não terminei o pensamento.

Nem precisava.

Julian já estava nas portas.

—Fica pra trás.

—O que você tá fazendo?

—Tirando a gente daqui.

Houve uma pancada metálica. Depois outra.

Ouvi ele grunhir enquanto enfiava os dedos na fresta estreita entre as portas.

—Julian…

—Pra trás. —Ele forçou mais.

As portas gemeram.

Por um segundo aterrorizante, nada aconteceu.

Então, com um estalo seco, elas se abriram alguns centímetros. Um ar frio invadiu o elevador.

Julian aumentou a abertura, revelando uma estreita saliência de concreto do lado de fora. Eu encarei a escuridão do poço, com as pernas de repente ficando fracas.

A gente nem estava alinhado com um andar de verdade; estávamos suspensos entre eles.

Um passo em falso…

Eu parei de respirar.

Julian olhou por cima do ombro para mim.

—Você vai primeiro.

—Eu consigo andar.

—Eu não perguntei. —Antes que eu pudesse discutir, ele estendeu a mão para mim.

A mão dele se fechou na minha cintura.

Um calor me atravessou; mesmo no meio do medo, meu corpo percebeu ele.

O peito dele pressionou minhas costas quando ele se inclinou sobre mim, um braço travando firme ao redor da minha cintura enquanto o outro alcançava a saliência.

—Confia em mim.

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