2 Oferta tentadora
Depois de um banho rápido para lavar o cansaço do dia, dou uma espiada no quarto da Tanya. Ela já está enfiada na cama, lendo um livro com atenção total.
Minha irmãzinha... ela é sinceramente incrível para a idade que tem. Nada de rebeldia adolescente desenfreada, nada de drama. Vai muito bem na escola e ainda faz uns bicos, dando reforço para alunos mais novos ou ajudando os que estão ficando para trás. Às vezes eu esqueço o quanto ela é nova de verdade — ela é tão responsável, tão confiável.
Vou até ela, dou um abraço apertado e sussurro um boa-noite baixinho. O calor dela me conforta mais do que eu esperava.
Então me recolho ao meu próprio quarto, pronta para desabar no sono. Eu mereci isso hoje.
Aconchegada na cama, vou deslizando aos poucos para os braços de Morfeu, embalada pelo uivo do vento do lado de fora da janela. Meu corpo afunda no colchão, e meus pensamentos se dissolvem um a um...
Até que o toque estridente do meu celular estilhaça o silêncio.
Resmungando uma sequência bem colorida de palavrões, apalpo no escuro o aparelho na mesinha de cabeceira. A tela pisca com um número desconhecido. Quem diabos precisa de mim às dez da noite?
— Boa noite, falo com Alina Olegovna Velichko? — vem uma voz feminina agradável.
— Sim — respondo, seca, já irritada.
— Sinto muitíssimo incomodá-la tão tarde. Meu nome é Lakisha, sou a gerente de equipe da casa do Alfa Wayland. Estamos com urgência precisando de uma empregada doméstica, e um dos nossos funcionários — Maksim — a recomendou com muitos elogios.
Bom, isso foi rápido.
— Se for possível, a senhora conseguiria vir às oito da manhã de amanhã para conversarmos pessoalmente sobre os detalhes?
Ah, pelo amor de...!
— Sim, claro — respondi, fechando os olhos, vencida.
— Perfeito. Vou lhe enviar o endereço agora. Até amanhã — disse a mulher, antes de encerrar a ligação.
Eu só fiquei ali, olhando para o teto.
Tanto por dormir um pouco esta noite.
Uma mensagem apitou no meu celular, e eu a abri a contragosto. Depois de copiar o endereço para o GPS, percebi que o lugar ficava praticamente no fim do mundo. Ótimo. Isso significava acordar ao raiar do dia. Se não antes.
Gemendo de desespero, me joguei de volta no travesseiro e enfim peguei no sono.
Mas pareceu que só tinha passado um instante quando o celular tocou de novo.
Mal conseguindo abrir os olhos, percebi — era o alarme. Hora de levantar.
Fiquei ali mais um minuto, virando de um lado para o outro em protesto, xingando o universo, e então finalmente me arrastei para fora da cama.
Lá fora ainda estava um breu. Pelas molduras velhas e cheias de frestas da janela, eu já sentia o corte da geada da manhã. Só esperava que o nosso Opel jurássico pegasse hoje e não me traísse. Pelo menos não tinha neve — pequenas bênçãos.
Me arrumei rápido. Vesti um agasalho bem quente, dei só uma caprichada de leve nos cílios e prendi o cabelo crescido num rabo de cavalo alto. Mesmo economizando em tudo o que dá, ainda me permito o luxo de fazer queratina de vez em quando. Graças a isso, eu não tinha mais um emaranhado armado de antenas ruivas na cabeça, e sim um cabelo liso e sedoso, que agora caía bem abaixo das escápulas.
Espiei o quarto da minha irmãzinha. Ela ainda dormia, tranquila e quentinha na cama. Um sorrisinho puxou meus lábios, com uma pontinha de inveja.
E, com isso, segui rumo ao meu novo destino.
A viagem levou cerca de quarenta minutos, e fiz uma parada rápida num posto para pegar um café bem forte — de jeito nenhum eu ia arriscar cochilar ao volante e acabar numa vala.
Quando o céu já tinha clareado o suficiente para eu enxergar bem, eu estava chegando à área residencial de elite. Era cercada por grades altas, câmeras de vigilância e pontos de controle com seguranças. Aparentemente, eles já tinham sido avisados com antecedência — me deixaram passar depois de uma breve explicação sobre para onde eu precisava ir.
Mais dez minutos dirigindo, e eu fiquei completamente boquiaberta. Minha boca se abriu enquanto eu absorvia as ruas perfeitamente cuidadas, as casas dignas de cartão-postal e o clima geral de conto de fadas do lugar.
Quando finalmente parei no endereço certo, desliguei o motor e só encarei.
Aquilo não era uma casa… era um palácio dos infernos.
Saí do carro e soltei um assobio baixo. A mansão tinha três andares e era cercada por uma cerca imensa que se estendia até onde a vista alcançava, em ambas as direções. Eu tinha a impressão de que a propriedade incluía até uma parte da floresta e talvez um rio, embora eu não pudesse ter certeza — não dava para ver o fim.
Aproximei-me dos seguranças postados no portão do terreno, me apresentei e expliquei o motivo da minha visita. Eles me deixaram entrar sem problema. Deixei meu carro do lado de fora — ele estava surrado demais para ficar estacionado num lugar desses sem estragar a estética impecável.
Quando os altos portões de ferro trabalhado — adornados com a cabeça entalhada de um lobo — se abriram, eu entrei e quase perdi o fôlego ao ver os jardins. Parecia coisa de sonho.
Apesar da geada cortante de dezembro e do aperto do inverno, tudo estava imaculado. Nem uma folha fora do lugar manchava os caminhos impecáveis. No meio do pátio havia uma fonte linda, cercada por canteiros perfeitamente cuidados e alguns bancos elegantes.
Uma escadaria larga com cinco degraus de pedra levava até a entrada principal. No topo, estava uma mulher deslumbrante, de cabelos loiro-claros cortados num bob chique. Ela parecia ter a minha idade, talvez um pouco mais velha — mas a diferença era evidente. Ela tinha estilo. Vestida com um tailleur de calça cinza e quente, um casaco bem cortado e botinhas de couro na altura do tornozelo, na moda, com um salto discreto, ela irradiava uma autoridade silenciosa. A expressão era fria e controlada; a maquiagem, impecável — discreta, mas profissional.
Ainda assim, apesar do visual polido, eu sabia sem sombra de dúvida — ela era humana. Eu aprendera a reconhecer lobisomens há muito tempo, e ela não era um deles.
— Olá, eu sou Lakisha — disse ela, surpreendentemente calorosa, oferecendo a mão para um aperto.
— Oi, eu sou Alina — respondi, aceitando a mão dela com um leve sorriso.
— Prazer em conhecer você. Vamos deixar as formalidades de lado e usar só os primeiros nomes. Entre — vamos revisar tudo lá dentro.
