dentro do planejado

Giacomo

Bom dia, Hunter - Ela falou suavemente, caminhando até a porta. Antes de sair, parou, olhou para Hunter e, com o rosto vermelho, encontrou meu olhar.

Eu assenti, permitindo que ela fosse. Preciso pedir ao Giuseppe para conseguir o número do celular dela e convencê-la a almoçar comigo na sexta-feira.

Assim que a porta se fechou atrás dela, meu irmãozinho ergueu as sobrancelhas e eu caminhei em direção à mesa de bebidas, precisando recuperar a cabeça que perdi com a ereção crescente.

Aparentemente, não vou precisar te dar nenhum recado.

Virei-me, observando o pequeno sorriso no canto dos lábios dele, apesar da tensão contida nos ombros. Ele parecia apenas curioso.

Quais seriam? - Perguntei, entregando-lhe um copo de bebida.

Conquistar a garota. - Refleti sobre isso, lembrando-me de Katarina me instruindo sobre a cor das rosas.

As últimas duas semanas passaram pela minha mente, tentando acompanhar o que minha irmã poderia estar tramando, até chegar à conclusão mais óbvia.

Ela vai fazer alguma coisa - Decretei, vendo meu irmão sentar-se no sofá, erguendo a sobrancelha em curiosidade.

Tipo?

Não sei, ela já tinha dado as instruções naquele dia, por que repetiria a mesma coisa agora? - Perguntei, tentando entender o que poderiam fazer para mover alguma peça.

Nossos celulares começaram a tocar ao mesmo tempo. Peguei o meu, vendo o nome de Don Sartori aparecer. Atendi prontamente, ouvindo suas ordens para ir direto à sede, levando todos os meus homens, avisando que era urgente.

Hunter terminou a ligação ao meu lado com a mesma expressão.

O que quer que tenham feito, funcionou - Ele disse sorrindo. Terminamos nossas bebidas de um gole só e saímos da sala.

Hunter - Ele resmungou dentro do elevador - Demita a secretária para mim, tá?

A risada do meu irmão encheu o pequeno espaço do elevador espelhado e eu nem consegui me incomodar com isso, o gosto da boca de Giulia ainda estava grudado em mim. Se aquela bambina soubesse todo o efeito que causa, meu peito se aperta com o desejo de tê-la em meus braços novamente.

O que aconteceu? - Perdi meu raciocínio com Hunter chamando e o elevador apitando ao chegar no térreo.

Ela pegou a ruiva com a boca no meu pau - O idiota disfarçou a risada com uma tosse. Continuei sem esperar por ele, atravessando o saguão. - Mas a convenci a dizer sim.

Sorri com a primeira conquista, ter a loira em meus braços serviu como o combustível perfeito para o momento de tensão. Quinze minutos depois, eu estava entrando na sede da organização com os homens de confiança que Sartori pediu.

Observei o movimento intenso, alguns vestindo suas roupas apressadamente e outros preparando suas armas.

Que diabos eles fizeram?

Então, subi rapidamente para o escritório do Don, abrindo a pesada porta de madeira, todos os capos estavam reunidos lá.

Os irmãos De Angelis com suas caras furiosas na minha direção e o Conselheiro Bernardi acenando um cumprimento silencioso. Com apenas um representante da família Riina faltando, a porta se abriu novamente com meus dois irmãos tomando seus lugares como homens da família na reunião.

Descobrimos um traidor - Os olhos azuis de Enrico analisaram cada respiração dos presentes. - O cartel mexicano está se aproveitando do nosso território com a ajuda dos Riina.

As inspirações de surpresa foram gerais, mas o movimento sutil entre Giovanni e Vicenzo despertou minha curiosidade. Seja lá o que for com os Riina, esses dois sabem de algo.

Recebi todas as informações, tentando organizar os pensamentos em uma linha de raciocínio que se relacionasse com Diana, mas é tão difícil. Como poderiam ter qualquer tipo de envolvimento com o cartel?

Isso é praticamente impossível. Recebi ordens de Enrico, colocando-me e meus homens na linha de frente para entrar no território, sem deixar dúvidas sobre minha desconfiança da falta de informações sobre a morte de Stefano.

Filho da mãe.

Organizei as equipes dentro da sede, adicionando aos homens de Jack que me acompanharão. Hunter verificará o funcionamento das boates dos Riina aqui em Nova York para procurar sinais de negócios com os mexicanos.

Observei as paredes escuras da sede com certa nostalgia dos momentos em que acreditava no Don, que sua lei era a lei da família, como era a de nossos avós na Itália. Conversei com Giuseppe em particular sobre confiar a ele um pedido.

A caminho do aeroporto, fui informado de que Sartori iria comigo, uma surpresa e, ao mesmo tempo, o medo de suas suspeitas.

Cheguei ao aeroporto em direção à área de jatos particulares. Em poucos minutos, Jack chegou acompanhado por seus dois soldados de confiança. Acenei, entrando no jato da empresa, os assentos de couro no longo corredor exibindo uma riqueza ignorada pela organização, afinal, contas legais não contam nos negócios. Sentei-me orgulhosamente em um assento na janela, sendo acompanhado por Jack ao lado, deixando duas poltronas para esperar o Don. Em todos esses anos, ele nunca fez questão de aumentar o status de nenhum dos homens da minha família, nunca nos deu nada e, mesmo com os casamentos de nossas irmãs, garantimos os acordos visando apenas o que é nosso por direito. Lealdade claramente não significa muito para Enrico Sartori, algo que terei prazer em mudar. Observei o Bentley Bentayga blindado se aproximando ao mesmo tempo que Giuseppe apareceu no corredor, sentando-se à frente. Senti o celular vibrar com a mensagem. Sem esperar, abri a mensagem no aplicativo, salvando o número.

Até sexta, Bella

Sério?! - Virei-me e fitei meu irmão idiota. - Achei que você pelo menos fingiria que ia demorar para cair.

Revirei os olhos, enviando a mensagem e bloqueando o celular. Observei Don sair do carro e aproveitei para responder rapidamente.

Perdi muito tempo negando algo que quero. - Encontrei seu olhar escuro.

Não é novidade para nenhum deles que meu interesse pela garota é grande, embora sempre tenha imaginado Giulia em um pedestal inalcançável para um executor, mas ela é digna de um Don.

Levantamo-nos de nossos assentos assim que Enrico entrou, esperando que ele se sentasse para obter sua permissão com um aceno.

Pedimos nossas bebidas à comissária de bordo, Jack tirou uma pasta e começou a ler os documentos, não me importei em fazer conversa. Não é como se o velho pudesse durar muito em silêncio. Recebemos nossas bebidas e, cinco minutos depois, com a aeronave taxiando na pista, ele quebrou o silêncio.

É uma bela aeronave, Giacomo. - Fixei nossos olhares, tomando um gole da bebida. - O lucro com drogas parece ter aumentado.

Sorri de lado, ouvindo a risada baixa de Jack ao meu lado. Afivelamos nossos cintos com o alarme e a aeronave começou a decolar. Esperei até terminar a subida para responder, atiçando a curiosidade.

Desculpe desapontá-lo, mas a renda da minha família continua a mesma dentro do nosso setor. Tomei outro gole da bebida, passando o dedo pela borda, sem ter um pingo de paciência para as dúvidas de Sartori. - Devo agradecer ao Hunter, nosso caçula é um gênio dos bons negócios.

Mesmo que você precise de algum apoio para fazer suas empresas prosperarem, sinta-se à vontade para nos contatar, será uma honra fazer negócios limpos com você. - Jack arqueou uma sobrancelha, sorrindo para o homem.

Terminei a bebida, entregando o copo ao barman e recusando a oferta de beber mais alguma coisa.

Não sabia que seus negócios estavam prosperando dessa forma, Giacomo - Observei o rosto firme com algumas olheiras e fios brancos aparecendo, o terno italiano sob medida e o olhar cínico tentando menosprezar a importância da minha família.

A atmosfera amena dentro do avião não mudou, embora eu tenha certeza de que a vontade de matar o Don está crescendo exponencialmente.

Apesar de estar ciente das habilidades e lealdade de Giacomo, os irmãos De Angelis vieram até mim pedir para que eu parasse de investir em Giulia.

Sorrio, entendendo o ponto, manter os irmãos calados como sempre é uma prioridade, é uma pena que desta vez eu tenha pensamentos diferentes.

Giulia é uma garota de uma família única, Don Sartori. - Respondi, respirando fundo. - Ela já está em idade de se casar. - Sugeri.

Os olhos do homem se estreitaram e eu mantive o sorriso no rosto, indicando minha intenção.

Giacomo, filho. - Ele passou a mão pelo cabelo e olhou pela janela. - Quando decidi que tomaria Anna para mim, eu não era mais do que um simples caporegime. Ele arqueou uma sobrancelha na minha direção. - Você entende que o status de Giulia exige que ela seja mais do que um executor?

A pergunta minuciosa com segundas intenções pairava no ar, fazendo o silêncio pesar entre nós.

Entendo, senhor, e em todos esses anos sendo um dos seus homens mais fiéis, não fiz um único pedido a você. Joguei minhas cartas, vendo a expressão do homem mudar.

Você sabe que geralmente cobro caro por isso, filho. - Seu sorriso se estendendo como um acordo com o próprio Diabo, mal sabe ele que um bom aprendiz sempre segue os passos de seu mestre.

Estou plenamente ciente, senhor. - Passei a mão pelo cabelo, fingindo nervosismo. - Sempre soube a diferença, acreditava que ela até se casaria com Stefano.

Ele sorriu, entendendo o ponto.

Meu bambino ficou louco por Beatrice, eles eram um casal perfeito, feitos um para o outro. - Ele suspirou. - Apesar de ser um bom negócio com os De Angelis, sua irmã tinha tudo para se tornar a próxima Mamma da família.

Sorri em resposta às suas falsas e mentirosas memórias.

Então você entende que Giovanni e Vicenzo se sentiram prejudicados por minha família receber tal honra - Continuei com seu aceno afirmativo. - A perda de Beatrice e Bianca - suspirei, contendo a emoção ao lembrar da perda - me fez perceber o quanto desejo ter uma casa cheia de filhos, afinal, sendo apenas um executor, meu amanhã é sempre uma surpresa.

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