Capítulo 8

POV da Natasha

A porta bateu com força, com um som de caixão se fechando.

Ela tinha me visto. Visto tudo. Meu corpo nu, meus dedos dentro de mim, o animal desesperado em que eu tinha me transformado. E agora ela tinha ido embora, provavelmente correndo para chamar os guardas, para contar o que tinha descoberto.

A qualquer momento, eles iam arrombar aquela porta e me arrastar para—

A porta se escancarou de novo.

Eu me arrastei para trás, contra a parede, tentando me cobrir com as mãos, mas era só a garota. Lucy, eu tinha ouvido alguém chamar. Ela agora carregava dois baldes — um chacoalhando com água limpa, o outro com o que parecia ser gelo.

Gelo? De onde ela tinha tirado gelo nesse lugar infernal?

"Deita," ela ordenou, a voz afiada de urgência. "A gente não tem muito tempo."

"Por que você tá me ajudando?" Minha voz saiu rouca. "Você devia—"

"Cala a boca." Ela se ajoelhou ao lado do catre, rasgou uma tira do próprio avental e enfiou no balde com água gelada. "Só... cala a boca e me deixa trabalhar."

O pano frio encostou na minha testa, e eu quase chorei. O alívio foi imediato, mas dolorosamente insuficiente. O fogo dentro de mim mal notou o frio.

Lucy se mexia rápido, passando o pano no meu rosto, no meu pescoço. Quando ela pressionou o tecido gelado contra o meu peito, eu arquejei — metade pelo choque, metade pelo jeito que meus mamilos endureceram ainda mais, ficando quase dolorosamente sensíveis.

"Você tá pegando fogo por dentro," ela murmurou, torcendo o pano e molhando de novo. "Nunca senti ninguém tão quente assim."

Ela passou o pano pelos meus braços, minhas costelas, minha barriga. Cada toque do tecido frio trazia um alívio passageiro que sumia em segundos. O calor só aumentava, uma fornalha no meu sangue que nenhum balde de água gelada conseguia apagar.

Quando o pano da Lucy desceu mais — sobre meus quadris, o alto das minhas coxas — eu não consegui segurar o gemido que escapou da minha garganta. Minhas pernas se abriram sozinhas, sem pudor, desesperadas.

"O que tá acontecendo comigo?"

"Você é uma das raras," ela murmurou, mais pra si mesma do que pra mim. "Calor Feral. A maioria das humanas não consegue pegar isso. Mas as que conseguem..." Ela fez uma pausa, torcendo o pano. "Você precisa entender uma coisa. O que você tá sentindo agora — essa fome, essa necessidade — não vai simplesmente embora. Não totalmente."

"Como assim?" ofeguei quando ela pressionou gelo contra a minha garganta.

"Quer dizer que seu corpo tá respondendo a eles. Os Lycans. O cheiro deles, a presença deles. Seu sangue reconhece eles como..." Ela procurou as palavras. "Como parceiros compatíveis."

O horror deve ter aparecido na minha cara, porque ela fez um som que parecia uma risada amarga.

Lucy encontrou meu olhar. "Você é o que eles chamam de Suportadora."

A palavra ficou pairando no ar entre nós, pesada de implicações que eu não queria entender.

"O Rei Lobo," Lucy continuou, a voz quase num sussurro, "ele passa por cima de garotas como se fossem lenha. Quebra. Rasga. Elas não sobrevivem à noite — a maioria não aguenta nem uma hora. Mas uma suportadora..." Ela engoliu em seco. "Consegue aguentar. Consegue sobreviver sendo montada por uma besta daquele tamanho."

Senti o estômago revirar.

"É isso que você é," ela disse. "É por isso que seu corpo tá reagindo desse jeito. Você é compatível. E se eles descobrirem — se qualquer um dos Lordes Lobos perceber o que você é — vão te arrastar pro Rei na mesma hora. Porque você é valiosa. Rara. Preciosa."

"Eu não sou," engasguei. "Eu só— eu não sou ninguém. Sou filha de pescador, de—"

— Não importa de onde você é. — Lucy se levantou de repente, torcendo o pano mais uma vez. — O que importa é manter esse segredo. Os dois. O fato de você ser uma garota, e o fato de ser uma Resistente.

Lucy ficou imóvel.

— Eu... eu preciso te resfriar direito. É pior aí, não é? Entre suas pernas?

Eu só consegui assentir, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

Ela hesitou, depois pressionou o pano gelado diretamente contra a minha boceta.

A sensação foi elétrica. O gelo naquela carne ardendo, inchada, deveria ser um alívio. Em vez disso, mandou um choque de prazer intenso pelo meu corpo, fazendo minhas costas se arquearem para longe da palha. Um gemido rasgou minha garganta antes que eu pudesse contê-lo.

— Quietinha! — sibilou Lucy, mas não afastou o pano. Em vez disso, pressionou-o com mais firmeza contra mim, segurando-o ali enquanto eu me contorcia sob o toque.

Era bom demais. Bom demais. A pressão fria contra o meu clitóris dolorido, o tecido áspero contra a minha carne hipersensível. Meu quadril começou a se mover, esfregando contra a mão dela, buscando atrito, buscando alívio.

Ela começou a mexer o pano. Movimentos lentos, deliberados, sobre a minha carne inchada, o atrito gelado mandando fagulhas pelo meu corpo inteiro. Meu quadril acompanhava o ritmo dela, sem pudor, desesperado.

— Ajuda? — ela sussurrou.

— Sim. Não. Eu não... — Eu não conseguia formar pensamentos coerentes. Só conseguia sentir a pressão crescendo, o aperto no meu centro. — Não para. Por favor, não para...

Ela não parou. A mão dela se moveu mais rápido, pressionando com mais força, e eu senti que estava subindo de novo em direção ao pico. Minhas paredes internas se contraíam em volta do nada, desesperadas para serem preenchidas, enquanto aquele ponto inchado mandava relâmpagos por mim a cada passada do pano.

— Eu vou... — Eu não consegui terminar a frase. Meu corpo enrijeceu, minhas costas se arquearam, um grito estrangulado escapou da minha garganta quando outro orgasmo despencou sobre mim.

A mão de Lucy parou, o pano firmemente pressionado contra a minha boceta em espasmo enquanto eu surfava as ondas. Senti umidade nova jorrando sobre o tecido, encharcando-o, pingando na palha.

Por um momento, veio um alívio abençoado. O fogo virou brasa.

Então voltou a rugir.

— Não — gemi. — Não, não, não...

Mas meu corpo já respondia, o calor voltando a crescer, o vazio gritando para ser preenchido. Se é que alguma coisa, o orgasmo tinha piorado tudo — como mostrar uma migalha de pão a alguém faminto e arrancá-la em seguida.

— Não. — Minha voz falhou. — Por favor, não para...

Minhas palavras foram cortadas pelo som de passos pesados no corredor do lado de fora.

Nós duas congelamos.

— ...confere o alojamento dos machos — disse uma voz rouca. — Vê se nenhum deles tá arrumando confusão.

Guardas.

Os olhos de Lucy se arregalaram em pânico. Ela pegou os baldes, enfiou o pano molhado nas minhas mãos e sibilou:

— Cobre você. Agora. E, pelo amor de Deus, fica quieta.

Ela escorregou para fora da cela, puxando a porta quase até fechar. Ouvi a voz dela, clara e falsa:

— Só limpando o chão, senhor. Todas as celas tão seguras.

Eu fiquei deitada na palha, nua e tremendo, o pano molhado pressionado entre minhas pernas numa tentativa inútil de abafar a necessidade. Pela fresta da porta, eu ouvia o guarda interrogando Lucy, e as respostas nervosas dela.

Se ele olhasse pra dentro. Se me visse assim...

Os passos se afastaram. As vozes sumiram.

Mas o calor ficou.

E eu soube, com uma certeza terrível, que ele não ia embora.

Não naquela noite. Talvez nunca.

Encolhi o corpo em torno do pano molhado, mordendo o próprio punho para não gritar, e rezei para o amanhecer.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo