Capítulo 5: Encruzilhada entre vingança

"Mãe," chamou Aishleen, quebrando o silêncio e seus pensamentos vagos. Sua mãe não se mexeu, um piscar de olhos sendo a única reação que Aishleen obteve antes de ela desviar o rosto do fogo, lentamente olhando na direção de Aishleen.

"Oh, Ash. Você chegou," ela falou com uma voz rouca e um sorriso que parecia incapaz de alcançar os olhos.

"Como foi a reunião?" A maneira como ela disse isso pegou Aishleen de surpresa. Mas a mulher se recusou a deixar sua mãe ver, a mostrar qualquer dúvida, especialmente se isso só causaria mais problemas. Ela já estava com medo de suas próprias escolhas e quase havia negado seu consentimento a Aishleen, se não fosse pela necessidade de restaurar a riqueza e o bem-estar da família. Portanto, ela não precisava ver sinais de que a mulher estava se questionando. Especialmente porque ela já tinha seus próprios planos para essa questão.

"Foi tudo bem, mãe. Como planejado. Tudo está arranjado, e tudo o que tenho que fazer é esperar até que ele termine todos os preparativos. Quase não precisamos fazer nada até-"

"Há um prazo?" sua mãe interrompeu Aishleen.

Aishleen olhou para cima, levantando as sobrancelhas e buscando confirmação dela. "Desculpe, mãe, mas o que você quer dizer?"

"Um contrato," ela disse, seu corpo agora voltado para Aishleen. "O contrato estabelece um prazo para o seu acordo? Antes que o negócio termine?"

Aishleen balançou a cabeça em resposta. "Não, mãe. O contrato não funciona assim. O casamento não terminará a menos que nós-"

"Então eu vou te dar um prazo," sua mãe cortou. "Três meses. É tudo o que vou te dar."

"O quê?" Aishleen a encarou com os olhos arregalados, surpresa com o pedido. A mulher deu alguns passos mais perto de sua mãe, estendendo a mão para negociar. "Três meses é muito pouco, mãe. Passei quase três anos lutando pela empresa do pai com Darrel, e mesmo com todo esse tempo, não conseguimos muito. Como você espera que eu consiga com-"

"Está bem, então eu te dou seis meses," ela disse com raiva, como se Aishleen tivesse acabado de dizer a coisa mais insensata na frente dela. "Eu te dou seis meses para derrubar o Grupo Seymour, toda a empresa e tudo associado a eles, junto com todos os bens e dinheiro que eles enterraram para apodrecer, assim como fizeram conosco. É por isso que estamos fazendo isso, e nunca, por um único momento, deixe sua mente vacilar depois do que você me prometeu."

A raiva de sua mãe era palpável enquanto ela estava diante de Aishleen, sua mão segurando firmemente a taça de vinho, ameaçando quebrá-la em pedaços com sua força. Sua outra mão estava cerrada ao lado, irradiando raiva.

"Vingue-se, Aishleen Valega. Esmague-os em fragmentos minúsculos e decadentes. E se você não puder fazer isso por mim e por seu pai, faça pelo seu noivo falecido. Você sabe bem das dívidas que eles têm com ele."

Aishleen sentiu um calafrio percorrer sua espinha enquanto as palavras de sua mãe perfuravam o ar. A intensidade da raiva de sua mãe e o tom vingativo em sua voz enviaram arrepios por todo o seu corpo.

Ela olhou para sua mãe, sua expressão uma mistura de tristeza e descrença. A ideia de buscar vingança e usar seu noivo falecido como peão em seu jogo era profundamente perturbadora para ela. Ia contra seus princípios e o amor que ela havia compartilhado com ele.

"Eu entendo sua raiva, mãe," Aishleen falou suavemente, sua voz tingida de tristeza. "Mas usar a memória dele dessa maneira... não parece certo. Não é o que ele teria desejado."

Os olhos de sua mãe se estreitaram, sua raiva inabalável. "Você acha que o entende melhor do que eu? Acha que sabe o que ele teria desejado? Ele era nosso aliado, e eles o traíram! É hora de fazê-los pagar."

Aishleen respirou fundo, sua determinação firme. "Farei o que for necessário para proteger nossa família e nosso legado. Mas não vou manchar a memória dele nem descer ao nível deles de vingança. Deve haver outra maneira." O rosto de sua mãe endureceu, a decepção evidente em seus olhos. "Você ficou fraca, Aishleen. Está perdendo de vista o que realmente importa. Não se esqueça do que está em jogo aqui. Temos apenas uma chance de recuperar o que é nosso por direito."

Aishleen encontrou o olhar de sua mãe, um brilho de determinação em seus olhos. "Não vou esquecer, mãe. Encontrarei uma maneira de derrubá-los, mas não sacrificarei nossa integridade e a memória do homem que amamos no processo. Tem que haver uma maneira de buscar justiça sem perdermos a nós mesmas."

A raiva de sua mãe fervia, mas ela permaneceu em silêncio, seus olhos fixos nos de Aishleen. A tensão entre elas era palpável, enquanto estavam em uma encruzilhada entre a vingança e a preservação de seus valores.

Naquele momento, Aishleen sabia que o caminho que escolhesse não apenas moldaria o futuro de sua família, mas também definiria sua própria identidade. Ela estava determinada a encontrar uma maneira de buscar justiça sem sucumbir à escuridão que consumia o coração de sua mãe.

Aishleen sentou-se sozinha em seu escritório, cercada por pilhas de arquivos e notas espalhadas. Sua mente era um turbilhão de pensamentos e emoções, lutando com o peso das escolhas à sua frente.

"O que estou disposta a sacrificar?" ela sussurrou, sua voz mal audível. "Buscar vingança vale a pena se eu me perder no processo? Posso encontrar uma maneira de manter nosso legado sem comprometer meus valores?"

Ela ponderou as palavras que sua mãe havia dito, o apelo da vingança e o poder sedutor que ela possuía. Mas, no fundo, Aishleen sabia que a vingança só levaria a um ciclo interminável de dor e destruição.

"Eu o amava," ela murmurou, lágrimas brotando em seus olhos. "Darrel era mais do que um peão nesse jogo. Ele era uma pessoa, alguém por quem eu me importava profundamente. Não vou deixar sua memória ser manchada pela minha raiva."

Aishleen respirou fundo, se recompondo. Ela sabia que precisava encontrar um caminho diferente, um que trouxesse justiça sem sacrificar sua própria humanidade.

"Vou honrá-lo buscando a verdade, expondo a corrupção e recuperando o que é nosso por direito," ela declarou, sua voz cheia de determinação. "Mas não deixarei a vingança me consumir. Vou me elevar acima disso e provar que a força está não na vingança, mas na resiliência e integridade."

À medida que o peso de sua decisão se assentava sobre seus ombros, Aishleen sentiu um renovado senso de propósito. A luta dentro dela estava longe de terminar, mas ela estava preparada para enfrentar os desafios que estavam por vir.

"Vou encontrar uma maneira de restaurar o equilíbrio," ela sussurrou, sua voz cheia de convicção. "Por Darrel, por nossa família e por mim mesma. Serei um farol de luz na escuridão, navegando pelas águas traiçoeiras com uma determinação inabalável."

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