O telefonema
Leandra acordou sobressaltada, o coração disparado. O quarto ainda estava escuro, o brilho tênue do amanhecer mal começando a penetrar pelas cortinas. Por um momento, ela não tinha certeza do que a havia acordado. Ela ficou deitada, respirando ofegante, os olhos percorrendo o quarto.
Tudo estava quieto.
Mas então ela ouviu: passos suaves do lado de fora da janela.
Seu coração subiu à garganta, e ela se sentou rapidamente, o pulso retumbando nos ouvidos. O som agora era inconfundível—alguém estava lá fora.
Ela jogou as cobertas para trás, pegou a faca debaixo do travesseiro e saiu da cama, os pés tocando o chão frio com um leve baque. O quarto girou por alguns segundos após pular rapidamente da cama. Ela parou, esperando seu equilíbrio se restabelecer. Lentamente, cautelosamente, ela se aproximou da janela, os dedos tremendo enquanto alcançava a cortina.
Ela hesitou, a mão pairando sobre o tecido e a outra segurando a faca, a mente a mil. "E se alguém estiver lá fora? E se for ele?" Ela se perguntou.
Respirando fundo, ela se preparou e espiou entre as cortinas.
A janela não revelou nada além da rua silenciosa, o brilho laranja fraco do poste de luz lançando longas sombras no chão. Não havia ninguém lá.
Ela soltou um longo suspiro, o corpo relaxando de alívio, mas a inquietação permaneceu. Ela ficou ali por um momento, olhando para a rua vazia, os olhos procurando nas sombras qualquer sinal de movimento. Mas tudo estava parado.
Finalmente, ela deixou a cortina cair de volta no lugar e se afastou da janela, a mente ainda acelerada enquanto voltava para a cama para colocar a faca de volta debaixo do travesseiro e arrumar a cama enquanto começava seu dia.
O resto da manhã passou em um borrão. Leandra não conseguia se livrar da sensação persistente de inquietação que a acompanhava desde a noite anterior. Mesmo enquanto seguia sua rotina usual de tomar banho, se vestir e fazer chá, ela não conseguia escapar da sensação de que algo estava errado.
Então, quando estava prestes a sair para mais um turno no hospital, seu telefone vibrou no balcão.
Ela olhou para a tela e franziu a testa—número desconhecido.
Normalmente, ela teria ignorado, pois odiava atender chamadas de spam, mas algo a compeliu a atender.
"Alô?" ela atendeu, a voz carregada de incerteza.
Houve silêncio do outro lado da linha por um momento. Então, uma voz profunda, suave como manteiga e inquietantemente calma, falou.
"Olá, querida."
As palavras enviaram um calafrio pela espinha dela, congelando-a no lugar.
"Quem é?" ela sussurrou. Tentou soar tão calma quanto o misterioso interlocutor, mas sua garganta estava seca, e a pergunta saiu trêmula.
"Você descobrirá em breve," a voz respondeu, quase divertida. "Mas por enquanto... tome cuidado. O mundo não é o que você pensa que é."
Antes que ela pudesse responder, a linha ficou muda.
Ela ficou ali, o telefone ainda pressionado contra o ouvido, a mente um turbilhão de pensamentos confusos. "Quem era? O que ele queria?" Ela se perguntou.
Suas mãos tremiam enquanto abaixava o telefone, o pulso acelerado.
"Quem era aquele homem, e o que ele quis dizer?"
