O fardo do alfa

POV: O Alfa


A floresta se estendia infinitamente diante dele, quieta e imóvel sob o peso de seus pensamentos. A lua cheia, alta no céu, banhava tudo com uma luz fria e prateada. Sultan respirou fundo, inalando e saboreando o cheiro dos pinheiros, da terra úmida e dos múltiplos aromas de seus membros da alcateia enquanto patrulhavam o território e suas fronteiras. Este Sultan era seu mundo, o único lugar onde ele realmente se sentia em casa, em paz.

Mas, naquela noite, nem mesmo a tranquilidade da floresta conseguia acalmar a crescente tensão que o atormentava. Seus músculos estavam tensos, enrolados com a energia inquieta que vinha se acumulando nas últimas semanas. Seu lobo andava inquieto no fundo de sua mente, rosnando, agitado, exigindo ação.

Encontre-a!

A voz de seu lobo retumbava em sua mente, baixa e insistente. Seu lobo estava mais vocal ultimamente, mais exigente. Ele queria o que ele queria: sua verdadeira companheira, não apenas alguém para passar o tempo até que ela aparecesse, como vinha fazendo antes. Ela ainda estava lá fora, em algum lugar além de seu alcance, e isso estava deixando-o louco.

"Eu sei; vamos encontrá-la." Sultan pensou, franzindo a testa enquanto olhava para a floresta escura.

A resposta de seu lobo foi imediata, afiada com impaciência. "Esperamos tempo demais. O que está demorando tanto? Ela está perto. Eu posso senti-la. Você não pode senti-la?"

Sultan cerrou o maxilar, resistindo ao impulso de rosnar em voz alta. Claro que ele podia senti-la. Esse era parte do problema. Ele a sentia cada vez mais a cada dia, como um fio invisível puxando-o em direção a algo—ou alguém—apenas fora de seu alcance. Era como tentar agarrar algo na ponta dos dedos que ele continuava perdendo.

"Eu a sinto," ele respondeu, sua mente calma, mas seu lobo estava longe disso. "Mas temos que ser pacientes."

Seu lobo soltou um rosnado baixo e raivoso em sua mente. "Paciente? Fomos pacientes. Pacientes demais. Você deveria estar caçando-a, não parado aqui sem fazer nada."

As mãos de Sultan se fecharam em punhos ao seu lado, seus olhos escaneando a floresta com intensidade afiada. Ele sabia que seu lobo estava certo. Ele estava esperando tempo demais, e a inquietação havia se tornado insuportável. Mas encontrar sua companheira não era tão simples quanto caçar uma presa. Ele não podia simplesmente rastrear seu cheiro e arrastá-la de volta para sua alcateia. Embora a ideia fosse tentadora, caçar sua companheira, trazê-la de volta e fazer o que quisesse com ela. O pensamento sozinho o deixou duro como uma rocha. Ele gemeu; infelizmente, não era assim que as coisas funcionavam; ele e seu lobo sabiam disso, mesmo que não quisessem admitir.

"Ela virá até nós," Sultan disse firmemente, tentando acalmar o lobo dentro de si. "Temos que—"

"Ela já está aqui," o lobo interrompeu, sua voz um rosnado baixo de frustração. "Você sente isso. Eu sinto isso. Ela está perto."

Sultan exalou bruscamente, passando a mão pelo cabelo grosso. Seu lobo estava certo. Nos últimos dias, a atração havia se tornado mais forte, a conexão mais tangível. Sua companheira estava perto—ele podia senti-la, quase prová-la no ar, embora não tivesse ideia de onde começar.

"Você está com aquela expressão no rosto de novo," a voz de Cameron rompeu o silêncio espesso. O Beta estava ao seu lado, de braços cruzados, observando Sultan com uma expressão conhecedora.

"Que expressão?" Sultan resmungou, embora já soubesse do que Cameron estava falando.

"Aquela que diz que você está pensando demais," Cameron disse, um leve sorriso surgindo no canto de sua boca. "Nela."

Os lábios de Sultan se comprimiram em uma linha fina. "Eu não tenho escolha," ele murmurou. "Ela é tudo em que penso ultimamente."

Cameron assentiu, sua expressão se tornando pensativa. "Eu entendo. Mas você não pode deixar isso te consumir, Sultan. A alcateia precisa de você. Eles já estão começando a falar, se perguntando por que você ainda não escolheu e tomou uma Luna."

A menção da alcateia fez uma nova onda de frustração percorrer as veias de Sultan. Seu lobo rosnou em concordância. "Eles não entendem. Ela é a única. Nenhuma outra fêmea jamais se comparará."

"Deixe que falem," Sultan rosnou, sua voz baixa. "Não vou escolher ninguém que não seja minha verdadeira companheira."

Cameron olhou para ele, sua expressão cautelosa. "Eu sei, e concordo com você. Mas nem todos na alcateia pensam da mesma forma. Você sabe o que eles estão dizendo. Uma Luna traria estabilidade. E alguns deles acham... bem, acham que você está perdendo o foco."

Aquela palavra—"foco"—soou como um tapa na cara. Sultan enrijeceu, seus olhos âmbar se estreitando. "Estou mais focado do que nunca," ele rosnou. "Estou protegendo esta alcateia diariamente, garantindo que estamos prontos para qualquer coisa. Isso é foco."

Cameron levantou as mãos em um gesto apaziguador. "Eu sei disso. Mas você sabe como eles são. O medo faz as pessoas duvidarem, mesmo quando não deveriam."

O lobo de Sultan rosnou baixo em sua mente, irritado com a dúvida dentro da alcateia. "Eles não sabem com o que estamos lidando. Eles não sentem o que sentimos."

"Não, eles não sentem," Sultan concordou silenciosamente, seus olhos escaneando as luzes distantes da cidade no horizonte. "Eles entenderão quando eu a encontrar. Tudo fará sentido e se encaixará quando ela estiver aqui, como deve ser."

Cameron exalou lentamente, claramente relutante em insistir no assunto. "Tudo bem. Mas seria melhor se você a encontrasse logo, Sultan. Quanto mais isso durar, mais inquieta a alcateia ficará."

Sultan não respondeu. Não precisava. A pressão para encontrar sua companheira já era um peso constante em seus ombros, e a última coisa que ele precisava era de um lembrete. Seu lobo estava uivando dentro dele, frustrado com a espera, ansioso para reivindicar o que era seu, sua companheira.

"Estamos perdendo tempo aqui," o lobo resmungou. "Deveríamos estar lá fora, vasculhando a cidade. Ela está perto. Eu posso sentir o cheiro dela."

Sultan ficou tenso. Ele havia evitado a cidade por tanto tempo, preferindo os espaços selvagens e abertos da floresta. A cidade estava cheia e lotada de humanos que não tinham ideia de que o mundo sobrenatural sequer existia. Não era seu território. Mas se seu lobo estava certo—se ela estava lá, então ele não tinha outra escolha.

"Está bem," Sultan disse ao seu lobo, sentindo sua satisfação percorrer seu corpo. "Vamos. Mas não seja imprudente. Ainda não sabemos quem ela é."

O lobo bufou, impaciente mas ansioso. "Não importa. Vamos saber quando a virmos. Eu saberei."

Sultan se virou para Cameron, e sua decisão estava tomada. "Vou para a cidade amanhã."

Cameron piscou, sua surpresa evidente. "A cidade? Por quê?"

"Preciso encontrá-la," Sultan disse simplesmente. "Tenho sentido a atração há dias, e está ficando mais forte. Ela está lá. Em algum lugar."

Cameron hesitou por um momento, depois assentiu. "Tudo bem. Quer que eu vá com você?"

"Não," Sultan disse, sua voz firme. "Isso é algo que preciso fazer sozinho."

Cameron não discutiu. Ele sabia que era melhor não questionar os instintos de seu alfa, especialmente quando se tratava de assuntos tão importantes quanto esse. "Apenas tome cuidado," Cameron disse, seu tom sério. "A cidade não é nosso território. E se houver alguma alcateia rival ou renegados por aí, eles estarão de olho."

"Eu sei," Sultan respondeu, sua voz baixa. "Vou tomar cuidado."

Mas, no fundo, ele sabia que não havia como ser cuidadoso quando se tratava disso. Sua companheira estava lá fora, e ele faria tudo o que fosse necessário para encontrá-la.

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