O encontro fatídico

Uma batida suave ecoou pela casa, fazendo-a pular. Seu celular escorregou de suas mãos, caindo no balcão da cozinha com um baque forte enquanto seu coração disparava. Ela congelou, olhando para a porta da frente de sua casa.

A batida veio mais alta desta vez, reverberando pela casa silenciosa. Alguém estava na porta da frente. A essa hora? Seu pulso acelerou, e sua respiração ficou presa na garganta. Ninguém deveria estar aqui. Ninguém nunca vinha à sua casa, especialmente a essa hora do dia.

Ela se arrastou em direção ao corredor. Seu corpo se movia no piloto automático, sua mente ainda girando por causa da ligação e dos eventos estranhos de ontem e desta manhã. Ela se movia devagar, cautelosamente, em direção à porta da frente, seu coração martelando no peito.

Outra batida.

Ela ficou congelada no corredor por um momento, sua mão apoiada na parede enquanto tentava organizar seus pensamentos. Sua mente gritava para ela ficar onde estava, para não atender a porta, mas a atração ainda estava lá, mais forte do que nunca, instigando-a a seguir em frente.

"Quem é?" Ela gritou através da porta.

"Você já sabe." A resposta dele veio instantaneamente.

Seu estômago revirou. Suas mãos tremiam levemente enquanto ela olhava para a porta. Ela engoliu em seco, sua mente tentando entender tudo. Ela não sabia, sabia? Como ela poderia saber?

Finalmente, com um suspiro profundo, ela espiou pelo olho mágico. Seu sangue gelou.

Era ele.

O homem do hospital, aquele com os olhos cor de âmbar. Ele estava na soleira de sua porta, sua figura robusta iluminada pelo brilho fraco da luz da varanda. Seu rosto estava sombreado, mas ela ainda podia distinguir a intensidade de seu olhar, a maneira como ele parecia observar a porta como se soubesse que ela estava parada do outro lado.

Sua mão pairou sobre a maçaneta, seu coração disparado. O que ele estava fazendo ali? Como ele a encontrou? E, mais importante, por que ela sentia uma vontade quase irresistível de abrir a porta e deixá-lo entrar?

"Isso é loucura," ela pensou, sua mente girando. Ela não o conhecia. Não deveria confiar nele. Mas aquela atração estranha e inegável ainda estava lá, instigando-a a abrir a porta e deixá-lo entrar.

Finalmente, ela girou a maçaneta.

A porta rangeu ao abrir, revelando-o parado ali, sua presença alta e imponente preenchendo a entrada. Seus olhos cor de âmbar se fixaram nos dela, e por um momento, Leandra não conseguiu respirar.

Ele não falou de imediato; apenas a observava com a mesma intensidade que a abalara profundamente no dia anterior. Sua presença era magnética, quase avassaladora, e ela podia sentir o ar entre eles crepitar com algo não dito.

"Quem é você?" ela sussurrou, sua voz mal audível sobre o som de seu coração batendo.

Ele não respondeu por um momento, seus olhos procurando os dela como se estivesse buscando algo que só ele podia ver. Então, sua voz veio, profunda e áspera, como um distante trovão.

"Meu nome é Sultan, e estou aqui porque estive procurando por você. Por muito tempo," ele disse, sua voz enviando um arrepio até o âmago dela.

A respiração de Leandra ficou presa na garganta. "Procurando por ela? Isso não fazia sentido. Eles nunca tinham se encontrado antes daquela noite. Como ele poderia estar procurando por ela?" Ela pensou.

"Eu não entendo," ela sussurrou, recuando ligeiramente, sua mente lutando para processar suas palavras. "Como você poderia estar procurando por mim? Nós nunca nos encontramos."

Os olhos de Sultan escureceram, a intensidade em seu olhar se aprofundando. "Nós nunca nos encontramos, mas você sempre foi minha." Sua voz era suave, mas firme, cheia de uma certeza que fez o coração dela pular uma batida. "Você é minha companheira, Leandra. Minha outra metade."

As palavras pairaram no ar entre eles, carregadas de significado. Companheira. Outra metade. Do que ele estava falando?

Ela balançou a cabeça, recuando mais para dentro do corredor, seu coração disparado. "Eu não sei do que você está falando," ela disse, sua voz trêmula. "Você é louco, eu não... eu não sou sua. Eu nem te conheço."

Sultan deu um passo à frente, mas não cruzou o limiar. Seus olhos permaneceram fixos nos dela, sua presença quase esmagadora. "Eu sei que você sente," ele disse calmamente. "Eu sei que sente. Essa conexão entre nós. Você não pode negar."

A respiração de Leandra falhou. Ela sentia. Ela havia sentido no momento em que o viu do lado de fora da janela do hospital. Mas isso não significava que nada disso fazia sentido. Ela não era dele; ela não era de ninguém, Leandra era sua própria pessoa, não pertencia a ninguém. Ela nem acreditava nesse tipo de coisa. Companheiros? Parecia algo saído de um daqueles romances de fantasia que ela gostava de ler, não da vida real.

"Eu não entendo," ela murmurou, sua voz mal audível.

A expressão de Sultan suavizou ligeiramente, embora a intensidade em seus olhos nunca vacilasse. "Eu sei que é muita coisa para absorver, e a ideia pode parecer absurda," ele disse, sua voz agora mais gentil. "Mas você não é apenas humana, Leandra. Você é mais do que isso. E você é minha."

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo