Capítulo 4: GANHANDO DINHEIRO

Lomesa, absorta rolando a dark web, não fazia ideia da comoção que acabara de causar ao ficar online depois de Deus sabe quanto tempo. Ela estava ocupada procurando um trabalho que tinha sido postado no fórum. Isso mesmo: a dark web era um fórum onde hackers de diferentes lugares competiam e também se desafiavam. Era ali também que se faziam negócios, porque podiam te passar uma missão — como invadir o firewall de alguma empresa para roubar informações confidenciais — e então você recebia ao concluir.

Ela clicou imediatamente numa missão que estava anunciada, mas, ao que parecia, ninguém tinha aceitado a tarefa. Ela não entendeu o motivo. Quando leu a missão, logo viu os dados de contato de quem a havia publicado e mandou uma mensagem na hora. Assim que a outra parte recebeu, respondeu imediatamente.

Pessoa Y: Tem certeza mesmo de que quer pegar essa missão?

Lomesa: Sim. Por quê?

Pessoa Y: Porque é muito perigosa. Essa missão envolve a maior corporação do país. Acredita-se que o firewall da corporação seja impenetrável. Então queríamos confirmar se os rumores eram verdade, mas acontece que o CEO da corporação tem um jeito impiedoso de lidar com quem tenta aprontar alguma coisa ou sequer tem ideias sobre a corporação.

Lomesa: “Então era isso.” Eu vou aceitar a missão.

Lomesa não estava nem um pouco assustada com nada, porque conhecia o próprio potencial.

Pessoa Y: Garotinha, pense bem. Ainda dá tempo de desistir.

A pessoa aconselhou Lomesa por boa vontade.

Lomesa: Tudo bem. Eu vou ter cuidado.

Lomesa agradeceu as boas intenções da outra parte, mas quem se importava com isso agora? O que ela precisava era dinheiro, certo? Não tinha como deixar uma missão dessas escapar das mãos só por medo. E daí que o sujeito impiedoso usava métodos cruéis? Ela atravessaria essa ponte quando chegasse lá, pronto.

Quando a outra parte viu a insistência de Lomesa, decidiu deixá-la seguir. Afinal, pelo menos já tinha dado o aviso.

Como no dia seguinte era fim de semana, Lomesa não foi à escola. Em vez disso, passou o dia limpando a casa e lavando roupa. Quando terminou, bateu palmas. Estava tão cansada que as costas até doíam um pouco. Decidiu tirar um cochilo e colocou um alarme. O alarme foi programado para duas horas depois, quando ela começaria a operação de quebrar o firewall da corporação North Sea. Depois de conferir que estava tudo pronto, adormeceu.

Lomesa dormiu três boas horas, até que o som estridente do alarme a acordou. Depois de tomar banho e se secar, ela abriu o notebook e o colocou sobre a mesa de estudos no quarto. Então se sentou, endireitou as costas e estalou os dedos.

Lomesa começou a digitar rapidamente no teclado. Suas mãos voavam, criando um fluxo ritmado de tec-tec. Os únicos sons que se ouviam no quarto eram os do teclado. Lomesa, ocupada traçando um plano, acabara de descobrir que a corporação North Sea era protegida por cinco firewalls.

“Parece que eles são mesmo formidáveis. Mas eu, Lomesa, não me intimido com nada. Eu vou quebrar esses firewalls”, pensou ela, teimosa e determinada.

A sequência de códigos que aparecia na tela era ofuscante demais para quem não fosse hacker. Os códigos continuavam se acumulando, e, uma hora depois, Lomesa já tinha atravessado quatro firewalls!

Do outro lado, na corporação, os alarmes que sinalizavam a invasão tocaram imediatamente.

— Porra, estamos sendo atacados! — gritou, alarmado, um cara do departamento de TI.

Quando os outros ouviram isso, começaram a contra-atacar na hora. Digitavam furiosamente nos computadores, com uma expressão que dizia: “Como ousa!”. Depois de uma hora de contra-ataques, a digitação frenética começou a diminuir. Era porque eles já tinham fechado as brechas no firewall. Suspiram aliviados por causa disso.

Lomesa, ao ver que o outro lado tinha baixado a guarda, abriu um sorriso malicioso e desceu para pegar um copo de água morna. Parecia imperturbável. Sentou-se languidamente e deu uns toques no relógio. Depois que cinco minutos se passaram, ela voltou a atacar.

Dessa vez, sem piedade.

As pessoas que já tinham terminado de consertar e reforçar as brechas no firewall da corporação Mar do Norte estavam à toa. O alarme tocou de novo, assustando todo mundo. Eles correram de volta e só então viram o último e mais forte firewall deles sendo devorado por um vírus.

— Droga! É uma armadilha! — o cara berrou outra vez, em desespero, e os outros membros começaram a reagir imediatamente, tentando salvar a situação.

Ficou claro que Lomesa não tinha a menor intenção de dar trégua quando o vírus terminou de devorar o firewall.

— Acabou… acabou tudo — disse alguém, desabando na cadeira, como se toda a energia tivesse sido drenada do corpo. Os outros colegas também pensaram o mesmo. Eles sabiam que seriam demitidos. Chamaram imediatamente o assistente do CEO e, apavorados, relataram o ocorrido. O assistente também sentiu pena deles. Eram talentos tão jovens; como suportariam a ideia de serem demitidos?

No escritório do CEO, o assistente bateu e entrou às pressas. Nem esperou uma resposta. O homem, ocupado em sua cadeira, franziu a testa ao ver o comportamento inadequado do assistente.

— Senhor, alguém quebrou o nosso firewall! — o assistente não ligou para mais nada e informou na hora.

Crac!

A caneta na mão do homem se partiu imediatamente. A sala ficou tão fria que parecia uma câmara de gelo. O assistente não conseguiu evitar um arrepio. O homem se levantou, a cadeira raspando no chão, e marchou até o departamento de TI.

“Acabou”, pensou o assistente, tomado pelo medo. E também teve pena da pessoa que ousou provocar o CEO. Lomesa, a alvo dessa pena, não se importava; ela não tinha deixado rastro nenhum, então ninguém conseguiria saber que tinha sido ela. Naquele momento, a mão de vaca estava ocupada encarando os muitos zeros na própria conta. Estava tão feliz que os olhos brilhavam.

Quando as pessoas na dark web descobriram que a corporação Mar do Norte tinha sido invadida, acharam inacreditável. E também se perguntaram que tipo de deus era a pessoa que tinha conseguido entrar na corporação.

— Caralho! É sério!?

— Será que é o misterioso LM? Ele voltou?

— Sem chance. Dessa vez o hacker era um novato, com a inicial S.

As discussões continuaram girando em torno do incidente. Aquilo provocou ondas de choque no país Y. As pessoas não conseguiam acreditar que a poderosa corporação tinha sido realmente hackeada. Isso abriu espaço para os concorrentes que estavam esperando uma oportunidade para atacar.

Em outra cidade, depois que um certo jovem mestre recebeu a notícia, um sorriso passou por seus olhos antes de desaparecer.

— Eu estava esperando por essa oportunidade. Preparem-se para atacar sob as minhas ordens.

— Sim, senhor.

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