Capítulo 3 Sra. Windsor
Daisy olhou em volta, nervosa, com a curiosidade evidente em sua voz. "Jason, você tem certeza de que esta é a sala do homem mau? E se a gente tiver entrado na sala errada?"
Jason respondeu com total confiança: "De jeito nenhum. Eu já investiguei essa sala, ela é reservada exclusivamente para aquele homem mau."
Enquanto falava, ele apontou para a placa de identificação, que estava em destaque em cima da mesa.
Convidado VIP — Charles.
Jason pegou uma canetinha que havia preparado com antecedência e começou a rabiscar por toda a placa.
"Malvadão! Quem machuca a minha mamãe tem que pagar o preço."
Depois de escrever "Malvadão" na placa, Jason não ficou satisfeito e desenhou um cachorro enorme no verso.
Daisy perguntou com curiosidade genuína: "Jason, mas nós somos filhos desse malvadão. Se ele é um cachorro, isso não faz da gente filhotinhos?"
Jason quase engasgou com as próprias palavras, tossindo duas vezes.
"Nós também somos filhos da mamãe, e somos pessoas boas. Deixa aquele homem mau ser um cachorro sozinho."
Daisy assentiu com seriedade. "Isso até que faz sentido."
Ela pegou a canetinha de Jason e acrescentou seu próprio desenho de cachorro no verso da placa.
As duas crianças se olharam e caíram na risada.
Enquanto isso, em outra sala.
Diana bateu e entrou, vendo o diretor do hospital, Joseph Jones, sentado no sofá. "Sr. Jones, o senhor queria me ver."
O rosto de Joseph se iluminou imediatamente com um sorriso. "Zoey, aí está você. A Sra. Young está lutando contra uma doença grave, e a Sra. Windsor espera que você realize pessoalmente a cirurgia dela. Diga o seu preço."
Só depois que Joseph terminou de falar foi que Diana notou Laura sentada ali perto.
Laura estava vestida de forma impecável, usando joias de grife, e seus olhos examinavam Diana de cima a baixo com um tom de deboche e desdém mal disfarçados.
Então, essa era a tão aclamada médica Zoey. Todas aquelas credenciais impressionantes haviam chocado Laura antes, mas agora parecia que Zoey era apenas uma jovem que havia ficado famosa à base de puro alarde.
Que tipo de habilidades médicas alguém tão jovem poderia ter?
E ela ainda estava usando uma máscara, sem nem ousar mostrar o rosto.
Diana instintivamente cerrou os punhos dentro das mangas enquanto as memórias de cinco anos atrás vinham à tona — de quando Charles a havia abandonado para salvar Laura sem hesitar, mesmo sabendo que ela estava grávida dos filhos deles. Três vidas juntas não valiam tanto quanto a de Laura sozinha.
Depois que ela forjou a própria morte, Charles não perdeu tempo e se casou com Laura.
O título de "Sra. Windsor" era absolutamente ridículo.
O tempo não curava tudo, e nem toda ferida podia ser cicatrizada com o passar dos anos.
Mesmo as feridas já curadas deixavam cicatrizes, e o menor dos toques podia trazer uma dor excruciante.
Laura pegou o prontuário médico com um ar de superioridade e o estendeu para Diana. "Então você é a Zoey. Muito mais jovem do que eu esperava. Aqui está o prontuário da Sra. Young. Se você conseguir realizar essa cirurgia com sucesso, vou lhe dar uma bela gorjeta além do valor da cirurgia."
Diana olhou para ela com um olhar calmo, sem fazer qualquer movimento para pegar a pasta.
"Não me lembro de ter aceitado esse caso."
A atitude autoritária e condescendente de Laura era exatamente igual à de alguém dando bronca em um empregado.
Diana havia passado anos vivendo sob uma identidade falsa, nunca mostrando seu verdadeiro rosto, justamente para evitar qualquer ligação com a família Windsor. Como ela poderia aceitar essa cirurgia?
Mesmo que oferecessem os honorários da cirurgia mais uma gorjeta, ou uma quantia astronômica, Diana não aceitaria.
Laura a encarou, incrédula, e bateu o prontuário médico na mesa.
"Já é um privilégio eu ter escolhido você para esta cirurgia. Você sabe quem é a Sra. Young? E quem eu sou?"
"Você não passa de uma medicozinha! Nós somos a elite da alta sociedade!"
Diana observou o estado cada vez mais alterado dela e se virou para Joseph.
"Sr. Jones, tenho outros assuntos a tratar. Já vou indo."
Joseph parecia dividido, alternando o olhar entre Diana e Laura.
Ele havia trazido Diana do exterior a peso de ouro; ela era, essencialmente, uma propaganda viva para o hospital. Além disso, Diana vinha conquistando vários prêmios importantes ultimamente. Mas Laura era a esposa de Charles, e ele também não podia se dar ao luxo de ofendê-la.
Diana se virou para sair após falar, mas Laura rapidamente entrou na sua frente, bloqueando o caminho.
"Não venha dar uma de santa para cima de mim. Toda essa encenação só significa que o preço não está bom, não é? Diga o valor que quiser."
"Existem muitos médicos famosos, tanto no país quanto no exterior. Se a Sra. Young não tivesse exigido você especificamente, acha que eu perderia meu tempo dizendo mais uma palavra a alguém como você?"
"Acredite se quiser, mas uma única palavra minha seria o suficiente para colocar você na lista negra."
Diana riu, com os olhos cheios de sarcasmo. "Acho que a área médica não é administrada pela família Windsor, ou é? Ameaças só funcionam se você tiver como cumpri-las. Caso contrário, não passam de piadas."
Se ela atuasse no mundo dos negócios, Charles de fato conseguiria esse efeito com uma única palavra.
Mas, após anos exercendo a medicina e salvando vidas, ela havia construído sua própria rede de contatos na elite.
As ameaças de Laura não passavam de pura bravata.
"Você!"
Laura espumou de raiva, com os olhos fixos na máscara de Diana, ficando mais irritada a cada segundo.
"Você gastou um bom dinheiro com a mídia para construir sua reputação e chegar onde está agora, não foi? E mesmo assim, nem tem coragem de mostrar seu verdadeiro rosto. Está com a consciência pesada por acaso?"
Assim que terminou de falar, ela avançou de repente para arrancar a máscara de Diana.
Diana segurou o pulso de Laura, com a voz gélida. "O que você pensa que está fazendo?"
Ela apertou com mais força, fazendo Laura soltar um grito de dor.
Laura esbravejou, furiosa e humilhada: "Como ousa encostar a mão em mim! Me solte agora mesmo, ou vou fazer você desaparecer deste mundo!"
"Vá em frente. Eu adoraria ver se você realmente tem todo esse poder."
Diana soltou o pulso de Laura com nojo, observando a expressão contorcida da mulher com certo divertimento.
Ela já havia percebido a falsidade de Laura há muito tempo: fingia ser inocente em público, mas era uma víbora cruel nos bastidores.
Depois de todos esses anos, apenas Charles ainda acreditava que Laura era pura como a neve.
Diana se virou para ir embora, mas Laura avançou sobre ela novamente, desesperada. Diana se esquivou rápido, mas Laura ainda conseguiu agarrar sua pulseira.
O delicado cordão preto arrebentou na mesma hora, fazendo as contas de coral se espalharem pelo chão.
A raiva brilhou nos olhos de Diana; aquilo era a última lembrança que sua mãe lhe havia deixado.
Ela estava prestes a falar quando uma voz gélida cortou o ar, vinda da porta.
"O que diabos está acontecendo aqui?"
Diana ergueu o rosto instintivamente, e seu olhar se encontrou com os olhos indiferentes de Charles.
