Capítulo 3

A Manhã Após a Noite do Erro

Ponto de Vista de Michael

O primeiro raio de luz atravessou as frestas de pedra, me arrastando de volta à realidade contra a minha vontade.

Minha cabeça latejava. Meu corpo doía com uma tensão desconhecida.

A última coisa que eu lembrava claramente era entrar na minha câmara privada após a cerimônia de noivado da Luna, tomado de triunfo e vinho. Minha mente estava turva—pelo vinho, pelo cheiro de hortelã-prata, e pela antecipação intoxicante de marcar a mulher que governaria ao meu lado. Camilla.

Ou assim eu acreditava.

Mas quando abri os olhos e vi a mulher deitada ao meu lado, tudo dentro de mim congelou.

Caroline.

Por um instante, pensei que ainda estava sonhando. Mas a marca em seu pescoço era inconfundível—recente, profunda, ainda brilhando do ritual da noite.

“Não…” A palavra escapou da minha boca, quebrada e vazia.

Caroline se mexeu, se alongando com graça, um sorriso surgindo em seus lábios. “Bom dia, meu Alpha,” ela ronronou.

Eu me sentei, o estômago se revirando de náusea, a névoa da noite anterior se recusando a desaparecer.

“O que acabou de acontecer?”

Ela inclinou a cabeça, fingindo inocência. “Você me marcou como sua Luna. Foi lindo.”

“Eu pensei que você fosse a Camilla…” Eu sussurrei, mais para mim mesmo do que para ela.

Ela nem sequer piscou. “Você disse o nome dela uma vez. Eu deixei você acreditar no que queria.”

A raiva explodiu no meu peito. “Você me enganou.” Eu disse.

Caroline se sentou devagar, seu sorriso desaparecendo. “Eu te dei o que você queria. Não finja que não estava me olhando todos esses meses. Você sabia o que estava fazendo.”

“Não,” eu rosnei. “Eu não sabia. Nunca quis te tocar. Eu—Camilla é minha verdadeira companheira.”

“Bem, agora ela não é mais,” ela disse, sua voz fria. “Você me marcou, Michael. Diante da Deusa da Lua. Não há como reverter isso.”

Eu tropecei para fora da cama, mal conseguindo respirar. Meu lobo dentro de mim estava uivando, arranhando meu peito com confusão. Isso não era o que queríamos. Isso não era o que precisávamos. O vínculo que agora compartilhava com Caroline parecia... errado, manchado e forçado.

Eu andava de um lado para o outro enquanto ela me observava, calma e composta como se já tivesse vencido.

“Ela teria te traído de qualquer maneira,” ela disse depois de um momento, sua voz suave como óleo. “Camilla não é tão inocente quanto você pensa. Ela tem se encontrado com um guerreiro dos clãs do sul. Meu pai suspeita que ela estava planejando rejeitar sua oferta após a cerimônia.”

“O que você está falando?”

Caroline deu de ombros. “Ela é esperta, muito esperta. O tipo de mulher que vai sorrir para você enquanto planeja sua própria ascensão ao poder. Você acha que ela realmente queria ser sua Luna? Não, Michael. Ela queria o título e a influência. Ela nunca te amou.”

Minha mandíbula se contraiu.

O que ela disse não fazia sentido. Camilla nunca me deu motivo para duvidar dela. Ela era estável, centrada e muito honesta. O tipo de lobo que ganhava respeito sem exigir.

Seus olhos sempre encontravam os meus sem hesitação—sem mentiras, sem enganação.

E ainda assim…

Por que parte de mim hesitava?

Era culpa pelo que eu tinha feito, ou os primeiros sinais de dúvida que Caroline tão habilmente plantou?

Minhas mãos tremiam enquanto as passava pelo cabelo. Eu precisava de respostas, eu precisava encontrar Camilla.

Falar com ela, pedir desculpas e consertar tudo o que eu havia acabado de quebrar.

Nesta noite, sob a lua cheia, eu deveria marcar minha Luna—a mulher que eu escolhi, a destinada a ficar ao meu lado.

Em vez disso, eu havia selado um vínculo com a irmã errada.

E pior, toda a alcateia descobriria.

O Grande Salão já estava fervilhando com sussurros quando cheguei. As notícias se espalhavam rápido na Alcateia do Luar.

Rápido demais. Os lobos farejavam rumores do mesmo jeito que o sangue atrai predadores.

Eu não tinha visto Camilla a manhã toda. Seu quarto estava vazio, nenhum traço de seu cheiro permanecia.

Eu dizia a mim mesmo que ela precisava de espaço—que ela viria até mim quando estivesse pronta.

Mas no fundo, eu sabia a verdade.

Ela se foi.

O ancião me encontrou na base dos degraus cerimoniais, seus olhos antigos cheios de julgamento.

“Você criou o caos, Alpha,” ele disse calmamente.

“Fui enganado,” eu respondi entre dentes cerrados. “Não foi minha intenção.”

“Intenção ou não,” ele disse, “a marca foi feita e o vínculo foi selado.”

“Ela não é minha companheira.”

“Mas agora ela é sua Luna.”

Eu me virei, lutando contra a fúria que crescia em meu peito. Isso não era para ter acontecido assim. Meu lobo ainda rejeitava Caroline internamente, recusando-se a aceitá-la completamente apesar do vínculo.

Era como tentar vestir a pele de outra pessoa—não servia, nunca serviria.

Fui até a sala do conselho onde meu pai se sentava, anos atrás, quando ele governava como Alpha. Suas palavras soaram na minha memória.

“Escolha sua Luna com sabedoria, filho. O vínculo que você forjar não apenas moldará seu governo—ele moldará a alma da sua alcateia.”

Eu falhei.

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