Capítulo 10 Capítulo 3.2 Ethan Brassard
Depois do jantar, prometendo aos meus pais que voltaria mais vezes para ficar com eles, sigo para a boate com a turma. Decidimos não levar meu carro; vamos de táxi. Não posso arriscar, afinal, vou beber, e não é só por mim… é também pelo Zayan.
Enquanto caminhamos até a entrada, Aysha se aproxima de mim, seu olhar preocupado me faz franzir a testa.
— Ethan, você percebeu como o Zayan anda estranho? — ela pergunta, baixando a voz para que só eu ouça.
— Já percebi… — respondo, sério. — Ele descobriu a traição da Emilly, não é?
— Exato — confirma Aysha, suspirando. — Por mais que ele tente parecer forte, está destruído por dentro. Hoje ele precisa se distrair, esquecer por algumas horas… — ela faz uma pausa, olhando ao redor. — Só quero ver meu filho bem, e conto com você nessa missão. Sinto uma pontada de preocupação.
—Pode deixar irmã farei isso! — após tranquilizar a minha irmã seguimos para boate.
Chegamos à entrada da boate, e Cloe já está nos esperando, facilitando nossa entrada. A turma se anima instantaneamente. Vejo Zayan na frente, tentando disfarçar, mas o olhar dele denuncia toda a tensão que carrega. Suspiro, sabendo que a noite será um desafio… mas também uma oportunidade de ver meu sobrinho se recuperar, nem que seja por algumas horas.
— Pronto para a missão? — Pérola me pergunta, e consigo sorrir.
— Sempre — respondo, sentindo uma mistura de responsabilidade e expectativa, enquanto atravessamos a porta da boate e a música invade nossos sentidos.
Fomos até a área onde o cara que Pérola está saindo já tinha sua turma, e logo estamos todos juntos. Já estou no meu terceiro copo de uísque quando a vejo. Uma morena surge entre as luzes, com um sorriso que corta o ambiente como se tudo ali girasse em torno dela. Não sei o que tem naquele sorriso talvez o mistério, talvez o perigo. Só sei que não consigo desviar.
Zayan, ao meu lado, percebe na hora.
— Tá encarando há cinco minutos, irmão. — Ele ri, mas a voz carrega um cansaço que não combina com a risada.
— Não tô encarando, só... observando.
— Observando? — Ele ergue a sobrancelha e dá um gole no copo. — Você tá praticamente despindo a mulher com o olhar. Vai lá.
— Ela nem me notou. — Finjo desinteresse, mas minha mão aperta o copo.
— Então faz ela notar. Pior do que levar um fora é se arrepender depois por não ter tentado.
Antes que eu responda, ela se move. Sai da pista e desaparece em direção ao banheiro.
Meu olhar a segue, inconscientemente.
— Sério, Ethan... — Zayan solta um suspiro e mexe no gelo do copo. — Faz tempo que não te vejo assim.
— Assim como?
— Vivo. — Ele me encara, e por um instante o brilho cínico some dos olhos dele. — Você devia ir lá. Enquanto ainda sente alguma coisa.
Quando ela volta, parece... diferente. O cabelo um pouco fora do lugar, o batom mais suave, o olhar mais intenso. Algo nela me prende. Ela passa por mim, e o mundo parece desacelerar. O perfume dela invade o ar, doce e perigoso ao mesmo tempo.
E então esbarra em mim.
— Desculpa — diz, sem olhar de verdade.
A voz é suave, mas tem algo de firme. Um contraste que me deixa sem resposta.
Ela segue direto para o bar. Eu, por instinto, vou atrás.
— Uma bebida fraca, por favor — ela pede ao barman. A forma como segura o copo denuncia nervosismo.
Peço um drink fraco e sei que ela vai gostar. Não parece o tipo que gosta de bebida forte, e acabo confesso o quanto ela linda, e acabo roubando um beijo que no inicio é tímido, e ouvir essa confessando que fica sem folego só me leva a beijar ainda mais... me afasto e quando olho em direção vejo meu irmão me olhando cm um sorriso no rosto, volto meu olhar para a morena ela me encara em silêncio.
Ela é linda. Mas não é só isso.
Há algo na forma como ela me olha um brilho doce, curioso, quase inocente, que desmonta qualquer defesa que eu ainda tinha.
O beijo começa suave, hesitante, mas rapidamente se transforma em algo que me consome. O sabor dela é viciante, quente, e por um momento o som da música, as vozes, as luzes... tudo desaparece. Só existe ela. E o ritmo dos nossos lábios se encaixando como se o mundo tivesse parado pra assistir.
Quando finalmente nos afastamos, o ar parece rarefeito. Ela ainda me encara, os olhos marejados de desejo e surpresa. Meu polegar roça de leve o canto da boca dela, limpando o resto do gloss borrado.
— Você tem o gosto viciantes, eu não consigo ficar longe dos seus lábios — murmuro, com a voz rouca. Ela sorri, o sorriso dela é uma provocação disfarçada de inocência.
— Talvez eu concorde com isso… — ela responde, mordendo o lábio inferior. Me aproximo mais um pouco, o corpo quase tocando o seu. A respiração dela mistura-se à minha. O perfume é doce, mas o olhar... o olhar é pura tentação. E não resisto e a beijo tentando prolongar ainda mais o beijo e quando nos separemos ela estar com o rubor que colore suas bochechas é a faísca perfeita para incendiar o resto da noite.
E eu sei o que começou com um beijo, não vai parar por aqui....
