Capítulo 7 Capítulo 2.1 Giovanna Ribeiro

Seguimos animados. Como Daniel disse, passamos na casa da Joice que também estava deslumbrante e seguimos para a boate. Não vou mentir: eu estava nervosa.

Nunca tinha ido a um lugar tão sofisticado. As resenhas com eles sempre eram em bares abertos, tranquilos, nada demais. Mas, assim que Daniel estacionou, percebi que aquele lugar era outro nível. Olhei para a fachada imponente, as luzes, os seguranças e pensei comigo:

“Pronto, vou ter que vender um rim pra pagar um único drink aqui.”

Joice disse para eu relaxar, que o ambiente era bem tranquilo e que eu iria gostar muito. Daiane já tinha falado que tinha vindo ali antes, o que deixou os irmãos dela morrendo de ciúmes. Só pedi para que as duas não me deixassem sozinha por muito tempo, senão me sentiria como um peixinho fora d’água e elas riram muito com isso.

Logo chegamos à entrada, entregamos os ingressos e recebemos nossas pulseiras. Agora, vou confessar uma coisa: nesse lugar, não existe ninguém feio!

Sério, nem estou brincando.

Até os seguranças parecem modelos! Claro, não vou sair dizendo isso em voz alta; fica só na minha mente mesmo.

Entramos e fiquei impressionada. Muitas pessoas dançavam, luzes coloridas piscando, música alta simplesmente incrível. Seguimos para uma área reservada para os amigos do irmão da Joice. O primeiro andar era ainda mais impressionante; havia cabines e espaços bem modernos. Eu estava boba, de verdade. Nem nos meus melhores sonhos imaginaria estar em um lugar assim!

Os meninos foram buscar drinks, enquanto eu, Joice e Daiane ficamos admirando tudo. Alguns amigos da Joice chegaram, ela nos apresentou, e fiquei sem graça com o jeito que me olhavam.

Os meninos voltaram com os drinks, e logo eu estava com meu copo na mão. Posso dizer: essa bebida é viciante! Eu não costumo beber, mas me deixava animada, alegre. As meninas começaram a dançar, e eu só balancei o corpo discretamente vou admitir, não sei dançar muito bem.

Precisei ir ao banheiro.

Daiane já tinha sumido com algum carinha, e Joice estava dançando com Daniel, então fiquei sozinha. Senti um frio na barriga enquanto deixava meu copo em cima da baqueta e me encaminhava pelo salão lotado, desviando das pessoas aos tropeços. Encontrar o banheiro não foi fácil, a multidão parecia não ter fim.

Entrei após finalizar, lavei as mãos, tentando me acalmar. Peguei meu gloss, mas percebi que tinha esquecido de levar pastilhas. “Droga… não gosto de sentir cheiro de álcool na boca”, pensei, frustrada.

— Eu tenho uma balinha, quer? — perguntou uma menina, surgindo do nada, sorrindo.

— Quero, sim! Obrigada! — respondi, aliviada.

Coloquei a balinha na boca, mas, assim que senti o gosto estranho, fiz uma careta e joguei fora.

— Argh! Acho que está estragada… — resmunguei, tentando me recompor. Peguei um pouco de água e enxaguei a boca, respirando fundo, tentando afastar a sensação desagradável.

Quando levantei a cabeça, senti algo… diferente. Um arrepio percorreu minha espinha, e meu coração bateu mais rápido. Respirei devagar, tentando entender o que era aquela sensação estranha.

O salão continuava barulhento, mas, por um instante, parecia que tudo ao redor sumiu.

“Que diabos foi isso?” pensei, incapaz de me mover direito.

Forçando-me a controlar o tremor, soltei o ar devagar e saí do banheiro, indo em direção ao bar para pegar outro drink. Cada passo parecia mais pesado, e uma inquietação estranha não me deixava relaxar. Algo ou alguém havia mudado no ar, e eu ainda não sabia o quê.

Assim que cheguei ao balcão, esbarrei em um cara.

— Desculpa! — falei, mas com o som ensurdecedor da música, tenho certeza de que ele não me ouviu.

Respirei fundo, tentando não demonstrar o frio na barriga que já começava a subir. Me virei para falar com o barman e pedi um drink fraquinho. O estranho que trombei antes disse o nome de uma bebida, e algo nele me deixou inquieta, mas ignorei, mantendo os olhos fixos no copo que chegaria.

Quando o barman finalmente me entregou o drink, ele se aproximou e apontou para minha pulseira, com um sorriso leve nos lábios. O drink era lindo: um degradê que ia do laranja ao azul, com um morango na borda da taça, perfeito demais para ser apenas um coquetel.

Tomei um gole. Uma explosão de sabor doce e refrescante invadiu minha boca, e senti meu corpo despertar de um jeito que eu não esperava. Me virei para procurar meus primos, mas antes que pudesse reagir, ele estava ali, perto demais.

— Você é linda, sabia? — disse ele, com a voz rouca, quase um sussurro, que me fez gelar da cabeça aos pés.

Um sorriso escapou dos meus lábios sem que eu percebesse. Meu coração disparou, e um calor gostoso subiu pelo meu pescoço.

— O-obrigada… — respondi, tentando parecer calma, mas tremendo por dentro.

Ele se aproximou ainda mais, tão perto que pude sentir o aroma do perfume dele, misturado ao calor da música e à vibração do lugar. A cena que se desenrolou a seguir parecia saída de outro mundo. Conversamos, e cada palavra que saía da boca dele parecia envolver meu corpo inteiro. A química era quase palpável.

Quando ele se inclinou e me beijou, meu mundo pareceu parar.

Surpresa, tentei acompanhar o ritmo dele, sentindo meu coração bater descompassado, minhas mãos suando, cada toque despertando uma tensão que eu não conseguia controlar. A música, a luz, a boate… tudo desapareceu. Só existíamos nós dois.

— Você… me deixa sem fôlego — murmurei, entre um beijo e outro, sem saber se ele podia ouvir, mas não conseguindo me afastar.

Ele sorriu contra meus lábios, e eu soube naquele instante que aquela noite seria impossível de esquecer.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo