Prólogo - Klaus
Enquanto eu caminhava pelo corredor interminável, a sensação de opressão crescia a cada passo. A visão dos meus homens ao lado, com as cabeças baixas e expressões sombrias, pesava sobre mim como um fardo. O corredor parecia se estender para sempre, como se estivesse tentando adiar o inevitável. Minha mente estava consumida por pensamentos sombrios, e eu me perguntava se estava fazendo a escolha certa, se deveria estar ali. O peso da liderança pressionava meus ombros, e eu questionava se estava preparado para as consequências das minhas decisões.
Finalmente, ao me aproximar da porta, parei abruptamente. Meu coração disparou, e minha respiração ficou mais intensa. Foi então que meu irmão emergiu da sala, sua expressão séria refletindo minha própria angústia. Senti sua mão em meu ombro, um gesto que transmitia mais do que palavras jamais poderiam.
"Niklaus..." Ele tentou me deter, mas foi em vão. Passei por ele com passos determinados, parando apenas alguns passos além da porta, com a testa franzida.
Meu coração congelou no peito, e minha respiração ficou presa na garganta. À primeira vista, tudo parecia estar em perfeita ordem, uma ilusão de normalidade que contrastava terrivelmente com a visão que logo encontrei. A limpeza e a organização eram quase perturbadoras, como se alguém tivesse preparado meticulosamente aquele lugar para um evento horrível e terrível. No entanto, o horror da cena estava ali, impossível de ignorar. Minha esposa, a mulher que eu amava, estava pendurada na parede, abusada de maneiras que eu nem conseguia imaginar. Lágrimas encheram meus olhos, mas eu não ousava deixá-las escapar. Era como se meu corpo estivesse congelado no lugar, preso em um pesadelo inescapável.
Cada parte do meu ser doía ao vê-la naquele estado deplorável. Meu coração apertou com uma dor insuportável, e uma mistura de raiva, tristeza e impotência me dominou.
Minhas mãos tremiam enquanto eu me aproximava da parede onde minha esposa estava pendurada como uma terrível pintura de horror. Cuidadosamente, comecei a remover os pregos de suas mãos, um por um. Cada movimento era lento e meticuloso, pois eu não queria causar-lhe mais dor do que ela já havia suportado. Cada prego removido era uma agonia a menos em seu sofrimento, mas também uma evidência física da crueldade do ato cometido contra ela. Enquanto eu trabalhava para libertá-la daquela posição terrível, minhas lágrimas caíam sobre seu rosto, misturando-se com a dor e o alívio que eu sentia ao mesmo tempo.
Quando finalmente consegui tirá-la da parede, segurei-a com todo o cuidado e ternura que possuía. A mensagem clara por trás desse ato hediondo não me escapou. Era uma ameaça direta, uma tentativa de me silenciar e quebrar. Ela havia sido praticamente crucificada, uma mensagem clara de que ela, junto com o bebê que carregava, eram os únicos inocentes.
Com cuidado, embalei minha esposa nos braços. Seu corpo, tão frágil e abusado, parecia quase irreconhecível. O sangue que a cercava não me repelia, nem me fazia recuar. Naquele momento, nada importava além dela e fazer o necessário para honrar sua memória e buscar justiça.
Balancei meu corpo para frente e para trás em um gesto instintivo de conforto, como se de alguma forma pudesse aliviar a dor que ela havia sofrido. Eu sabia que não podia mudar o que já havia acontecido, mas pelo menos podia mostrar meu amor e respeito por ela, mesmo na morte.
Minha mente estava cheia de perguntas sem resposta, dor e fúria. Mas naquele momento, eu era movido pela necessidade de proteger sua memória e encontrar os responsáveis por tal atrocidade. Estava disposto a sujar minhas mãos com o sangue dela, se necessário, para trazer justiça e garantir que pagassem pelo que fizeram.
"Klaus."
"Não," rosnei.
Um breve silêncio.
"Precisamos elaborar uma estratégia."
"Não!" gritei, apertando seu corpo contra o meu. "Quero tudo o que me foi tirado."
Ouvi meu irmão tentar se aproximar, desistindo antes mesmo de chegar perto.
"Ela se foi. E sinto muito por isso," murmurou finalmente. "Mas não acho que você conseguirá o que ela foi para você."
"Vou fazer eles sofrerem o dobro do que estou sentindo, mas antes disso, vou despedaçar a esposa dele e fazer ela devolver o que me foi tirado."
Essa promessa, feita em meio ao sangue e ao corpo da minha esposa, era solene e irrevogável. Não eram apenas palavras vazias; era um juramento que eu estava determinado a cumprir, não importava o que fosse necessário. Segurar seu corpo nos braços era um lembrete constante da crueldade que ela havia suportado, e eu estava determinado a garantir que sua morte não fosse em vão. Minha esposa merecia justiça, e eu estava disposto a lutar por isso até o fim.
O suspiro do meu irmão ecoou como um reflexo da minha própria dor. Era como se ele entendesse o fardo que eu carregava e, ao falar com um dos homens, estivesse cuidando dos detalhes práticos, permitindo-me afundar na minha própria tristeza.
Enquanto eles se afastavam, senti como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros, pelo menos temporariamente. Eu estava sozinho com minha esposa, e meu coração doía com a intensidade da perda. Apertei-a mais forte, como se isso pudesse trazê-la de volta, como se isso pudesse desfazer o que havia acontecido.
As lágrimas que eu havia segurado com tanta força começaram a escorrer pelo meu rosto.
Parecia que nada poderia aliviar a dor que eu estava sentindo, mas havia algo que eu podia fazer, e eu faria.
