Capítulo 2 🌸2🌸

DOMINIK

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Respirei fundo. Não valia a pena começar uma discussão. Aproximei-me de Toby e o abracei.

— Parabéns pelo noivado.

— Obrigado, Dom.

Ele parecia genuinamente feliz. Kirsty também. E por um segundo senti algo estranho apertando meu peito. Inveja? Não. Saudade talvez. Da ideia de acreditar no amor.

Afastei rapidamente aquele pensamento idiota. Cumprimentei todos novamente e saí da sala.

Do lado de fora, o vento frio atingiu meu rosto imediatamente. O elegante Volvo V40 preto já aguardava na entrada principal. John Stevens — o motorista de Ewan — estava ao lado do carro.

Sempre impecável. Sempre silencioso. Sempre observador a tudo.

— Boa noite, Srta. Kartell — ele disse baixo enquanto abria a porta para mim.

Kartell... O sobrenome da minha mãe. O nome que eu sempre usava quando trabalhava como acompanhante de luxo. Jamais permitiria que o sobrenome Brandon fosse associado ao tipo de coisas que eu fazia. A filha exemplar do juiz Peter Brandon nunca passaria as noites sendo paga para acompanhar milionários em festas privadas.

— Boa noite, John.

Entrei no carro. O cheiro de couro novo misturado ao perfume discreto dele preenchia o ambiente. Assim que deixamos a mansão Brandon para trás, encostei a cabeça no banco observando as luzes da cidade através da janela.

West Vancouver parecia calma à distância.

Mas eu sabia que por trás daquela aparência sofisticada existiam monstros escondidos em coberturas luxuosas, empresários corruptos e homens capazes de destruir vidas por dinheiro.

Homens como Ewan. Ou talvez... Piores.

Seguimos pela Interestadual 99 em direção ao aeroporto. O silêncio dentro do carro começou a ficar pesado demais, então resolvi quebrá-lo.

— Como estão Louise e Lucy?

Vi imediatamente os olhos de John mudarem pelo retrovisor. A tristeza tomou conta da expressão dele em segundos. Meu estômago apertou.

— A senhorita não soube?

Franzi a testa.

— Soube o quê?

Ele respirou fundo antes de responder.

— Elas sofreram um acidente.

Senti meu corpo se enrijecer.

— Meu Deus... quando?

A voz dele falhou discretamente.

— No mês passado. Louise foi ao Brasil visitar alguns parentes com Madeleine Foster. Como eu estava trabalhando, Lucy foi junto.

Foster... Aquele sobrenome atingiu meu peito como uma lâmina. Meu coração desacelerou. Alexander Foster...

Desviei o olhar para a janela imediatamente.

— O avião particular do Sr. Foster caiu no Texas durante a volta — ele continuou. — Minha esposa e a Sra. Foster morreram na hora.

O choque percorreu minha espinha. Por alguns segundos, eu não consegui respirar, muito menos dizer absolutamente nada.

Madeleine Foster estava morta. A esposa de Alexander estava morta.

Meu coração bateu forte demais. Violento demais.

— E sua filha Lucy? — consegui perguntar meio baixo.

— Está viva. Mas em coma induzido.

Fechei os olhos rapidamente.

— O estado dela é estável — ele completou. — O Sr. Murray me deu licença para cuidar dela.

Houve outro silêncio. Pesado. Sufocante. Então fiz a pergunta que não queria fazer.

— O Sr. Foster estava no avião?

John negou com a cabeça.

— Não. Ele estava na Austrália quando recebeu a notícia.

Alexander não estava no avião.

Uma sensação estranha percorreu meu peito. Alívio? Talvez. Meu corpo relaxou sem autorização e eu odiei isso.

— E como ele está? — perguntei tentando soar indiferente.

John soltou uma respiração pesada.

— Destruído.

Meu coração falhou uma batida.

— Dizem que ele não sai do apartamento faz semanas. Só bebe… e praticamente não fala com ninguém.

Desviei o olhar para a janela imediatamente.

Alexander bêbado. Destruído. Sozinho. Por que aquilo mexia tanto comigo depois de tudo?

Apertei os dedos contra a bolsa tentando afastar as lembranças, mas a imagem de Alexander surgiu na minha mente com força brutal.

As ordens. Os jogos. O controle. O homem que havia me ensinado a desejar a dor. O homem que havia destruído meu coração e minha mente.

Aqueles olhos cinzentos. A sua voz rouca. Suas mãos grandes segurando minha cintura de forma possessiva.

Afastei a lembrança na mesma hora. Não. Eu não pensaria nele. Não naquela noite. Não depois do que aconteceu entre nós.

— Meus sentimentos, John — murmurei sinceramente. — Vou rezar pela recuperação da Lucy.

— Obrigado, Srta. Kartell.

O silêncio voltou a dominar o carro. Mas agora ele parecia ainda mais sufocante.

“Então era isso...”

Era por isso que Arianne insistia para que eu lesse os jornais nos últimos dias. A morte de Madeleine Foster estava em todos os lugares. E Alexander... Alexander estava sozinho agora.

Fechei os olhos por um instante tentando controlar a avalanche de pensamentos. Mas foi inútil. Porque, no fundo, eu sabia exatamente por que aquilo mexia tanto comigo.

Eu nunca consegui esquecer Alexander Foster. Nem mesmo depois de tudo.

Peguei o celular dentro da bolsa tentando distrair minha mente e comecei a deslizar a tela sem realmente prestar atenção em nada. Qualquer coisa para impedir minha mente de voltar ao passado.

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Não demorou muito até que as luzes da cidade começassem a desaparecer atrás das janelas escuras do Volvo.

O Aeroporto Internacional de Vancouver surgiu à nossa frente poucos minutos depois, iluminado como uma pequena cidade particular em meio à noite fria canadense.

O terminal principal estava movimentado por passageiros comuns, malas e vozes apressadas, mas John seguiu por outro caminho, afastando-se da área comercial e conduzindo o carro até os hangares privativos usados pela elite bilionária.

Homens ricos não gostavam de esperar. Eles compravam o próprio céu.

Cruzei as pernas lentamente enquanto observava os enormes jatos alinhados do lado de fora. Alguns tinham logotipos discretos, outros apenas pinturas pretas sofisticadas que escondiam os verdadeiros proprietários.

Dinheiro. Poder. Segredos. Tudo aquilo coexistia naquele lugar.

John estacionou em frente a um dos hangares privados e desligou o motor. Antes mesmo que eu pudesse abrir a porta, vi Ewan se aproximando.

Elegantemente vestido em um smoking preto perfeitamente ajustado ao corpo, ele caminhava na nossa direção com a confiança perigosa de um homem acostumado a controlar tudo ao seu redor. Inclusive pessoas.

John saiu primeiro e abriu a porta para mim. Assim que meus saltos tocaram o chão, os olhos de Ewan percorreram lentamente meu corpo. Sem pressa. Como se estivesse admirando uma obra de arte cara.

— Você está deslumbrante esta noite — ele murmurou com um sorriso discreto.

Sorri de volta. Ewan sempre sabia exatamente o que dizer.

— Obrigada, querido.

Aproximei-me dele naturalmente e enlacei seus ombros. As mãos de Ewan deslizaram imediatamente para minha cintura, puxando-me para mais perto até que nossos corpos quase se colassem.

O perfume dele invadiu meus sentidos. Amadeirado. Luxuoso. Perigoso.

Nossos rostos se aproximaram devagar. Eu já conseguia sentir sua respiração quando o som de passos interrompeu o momento. John retornou segurando uma pequena caixa de veludo preto.

Os olhos de Ewan brilharam discretamente.

— Ah... quase me esqueci.

Ele pegou a caixa das mãos de John e a entregou para mim.

Franzi a testa, surpresa.

— O que é isso?

— Abra.

A curiosidade venceu e eu levantei a tampa da caixa.

“Diamantes.”

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