Capítulo 4 🌸4🌸
DOMINIK
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Meu corpo inteiro congelou.
Um homem parado entre os convidados do outro lado do salão. Alto. Ombros largos. Terno escuro perfeitamente alinhado. Por apenas um segundo nossos olhares pareceram se cruzar.
Meu coração parou e engoli em seco.
“Não. Não pode ser.”
— Dominik? — Amy perguntou baixo. — Você está bem?
Olhei para ela, desviando minha atenção. Mas logo que voltei meus olhos para o lugar de segundos atrás... Ele havia sumido. Pisquei rapidamente. Meu peito subia e descia rápido demais.
Talvez eu estivesse imaginando coisas.
Talvez fosse apenas paranoia da minha cabeça fragmentada.
Continuei andando ignorando as perguntas preocupadas de Freya e Amy. Logo chegamos ao enorme balcão iluminado do bar onde três bartenders preparavam bebidas sofisticadas para os convidados. Fiz nossos pedidos rapidamente.
Então finalmente me virei para Amy e abaixei o tom de voz, inclinando-me como se fosse contar algum segredo para ela.
— Nunca mais faça aquilo de novo.
Ela arregalou os olhos, porém disfarçou em seguida.
— Desculpa...
— Você violou uma das regras principais da Secret’s Angel’s. Nós nunca demonstramos que nos conhecemos em público.
Amy pareceu quase entrar em pânico.
— Lady Ly vai me castigar?
Suspirei. Amy ainda era nova demais para aquele mundo.
— Só se descobrir.
— O que provavelmente irá acontecer. Não é só nós três que estamos aqui — Freya murmurou olhando discretamente para o outro lado do salão.
Segui seu olhar e encontrei Jodie e Ella observando-nos. As duas estavam acompanhadas de clientes importantes enquanto fingiam conversar normalmente. Mas o olhar reprovador delas dizia tudo.
“Droga.”
Aquilo chegaria até Lydia. Com certeza.
Eu, Jodie, Ella e Shannon — que estava atualmente à serviço em Paris — éramos as veteranas da agência. As primeiras garotas recrutadas por Lady Ly anos atrás. Depois vieram Freya e a outras.
Amy fora a última adição ao grupo. Hoje era sua primeira festa. Seu primeiro cliente importante.
Éramos quinze garotas no total. Quinze mulheres treinadas para satisfazer os caprichos da elite sem jamais deixar rastros.
Nossas famílias não faziam ideia do que realmente fazíamos. Para o mundo, éramos apenas mulheres bonitas circulando entre milionários. Mas a verdade era muito mais sombria. E muito mais cara.
Amy apertou nervosamente sua mini bolsa de mão entre os dedos.
— Eu estraguei tudo, não foi?
Toquei seu braço suavemente. Confortando-a.
— Não entre em pânico. Vou conversar com Lady Ly pessoalmente.
Ela pareceu relaxar um pouco.
Os bartenders finalmente entregaram nossos coquetéis. Respirei fundo antes de me virar novamente para o salão lotado. E então... Eu o vi outra vez. Dessa vez, perfeitamente.
Alexander Foster estava ali. Parado próximo à enorme escadaria principal. Me observando atentamente.
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ALEXANDER
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O silêncio dentro da cobertura era insuportável. Pesado. Doentio. Parecia que cada parede do Laure Residence carregava os fantasmas da mulher que eu havia perdido.
Parei diante do enorme retrato de Madeleine pendurado na parede do meu escritório e senti o meu peito apertar outra vez. Ela estava sorrindo na fotografia. Sempre sorrindo.
Os cabelos castanhos perfeitamente alinhados sobre os ombros, os olhos suaves e aquela expressão delicada que fazia qualquer um acreditar que ela era intocável. Perfeita. Boa demais para um homem como eu.
Passei a mão pelo rosto cansado enquanto observava a imagem.
Talvez Deus realmente existisse. E talvez estivesse me punindo, porque eu sabia exatamente quantas pessoas destruí durante minha vida. Quantas vezes escolhi meus próprios desejos acima de tudo. Mas havia apenas uma pessoa cuja dor realmente me assombrava. Dominik...
Fechei os olhos com força.
“Droga.”
Até pensar no nome dela ainda me destruía.
Desabei em minha poltrona de couro. Peguei a garrafa de conhaque sobre a mesa e levei diretamente à boca. O líquido queimou minha garganta violentamente, mas eu já nem sentia mais diferença entre estar sóbrio ou bêbado.
Tudo dentro de mim estava anestesiado desde a morte de Madeleine. Ou talvez... Muito antes disso.
— Com licença, Sr. Foster.
A voz de Thomas interrompeu meus pensamentos. Sorvi o restante do conhaque antes de girar lentamente a cadeira em direção à porta.
Thomas permanecia parado na entrada do escritório usando seu habitual terno preto impecável. Segurança pessoal, motorista, mordomo... fazia praticamente tudo dentro daquela cobertura. E provavelmente estava cansado de me ver afundando dia após dia.
— O que foi agora? — perguntei rouco.
Ele hesitou brevemente.
— A Sra. Wilkinson está aqui.
Franzi o cenho imediatamente.
“Lydia?”
O choque foi suficiente para cortar parte da névoa alcoólica da minha mente.
Fazia cinco anos. Cinco anos desde a última vez que nos falamos decentemente. Cinco anos desde que eu me afastei completamente do mundo BDSM. Cinco anos desde que escolhi Madeleine... e abandonei todo o resto. Inclusive Dominik.
Passei a mão pelos cabelos bagunçados.
— Mande-a entrar.
Thomas assentiu e desapareceu.
Olhei ao redor do escritório tentando ignorar o estado deplorável em que eu me encontrava. Garrafas vazias. Papéis espalhados. Cortinas fechadas. O cheiro de álcool impregnado no ambiente. Aquilo era ridículo. Eu parecia um homem esperando morrer.
Poucos segundos depois, Lydia entrou. Elegante como sempre. Vestindo um conjunto bege sofisticado, saltos altos e aquele olhar severo que ela costumava usar quando alguém quebrava regras dentro do clube.
Os olhos dela percorreram rapidamente o escritório antes de finalmente pousarem em mim. E então veio o julgamento silencioso.
— Quando soube do que estava acontecendo aqui, precisei ver pessoalmente — ela disse, aproximando-se devagar.
Forcei um sorriso torto.
— Quem foi o fofoqueiro? Thomas ou a Sra. Collins?
— Isso importa?
Ela parou diante da mesa. Próxima o suficiente para perceber o cheiro forte de álcool vindo de mim.
— Você está destruindo a si mesmo, Alexander.
Soltei uma risada amarga.
— Que observadora.
Lydia ignorou meu sarcasmo e deu a volta na mesa.
— Venha comigo.
Ela segurou meu braço tentando me levantar da cadeira. Mas no instante em que senti aquele gesto familiar... Eu desabei. Passei os braços pela cintura dela impulsivamente e escondi o rosto contra sua barriga. Como uma droga de criança quebrada.
Eu odiava aquilo. Odiava demonstrar fraqueza. Mas eu estava cansado demais para fingir. As lágrimas vieram outra vez. Quentes. Humilhantes.
— Por que eu nunca consigo ser feliz? — murmurei entre os dentes.
Minha voz saiu falha. Patética.
Lydia permaneceu em silêncio por alguns segundos enquanto acariciava meus cabelos como fazia anos atrás, quando ainda era minha Mentora.
— Porque você insiste em fugir de si mesmo — ela respondeu baixo.
Fechei os olhos com força. Ela tentou me erguer novamente e dessa vez não resisti. Deixei que me conduzisse para fora do escritório. Meu corpo estava pesado. Minha cabeça parecia prestes a explodir. Lydia praticamente me arrastou até o quarto principal da cobertura.
— Tire essa roupa e vá tomar um banho.
Revirei os olhos.
— Lydia...
— Agora, Alexander.
Ainda existia autoridade suficiente naquela voz para me fazer obedecer sem discutir.
