Capítulo 5 🌸5🌸

ALEXANDER

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Entrei no banheiro tropeçando levemente e deixei a água gelada cair sobre meu corpo. O choque térmico arrancou um palavrão baixo dos meus lábios. Mas funcionou. A névoa alcoólica começou a diminuir lentamente.

Minutos depois, quando saí do box enrolado apenas em uma toalha, Lydia já me esperava do lado de fora segurando um copo d’água e comprimidos. Como nos velhos tempos.

— Tome.

Obedeci em silêncio. Ela observou até eu engolir os remédios. Então apontou para a cama.

— Sente-se. Precisamos conversar.

Suspirei pesadamente enquanto me jogava na beirada do colchão king size.

— Se veio me dar sermão, escolheu o pior dia possível. Não estou com saco para isso.

Lydia sentou-se ao meu lado.

— Não vim te julgar.

Virei o rosto para encará-la.

— Então por que veio?

Pela primeira vez desde que entrou ali, a expressão dela suavizou.

— Porque estou preocupada com você.

Aquilo me pegou desprevenido. Lydia raramente demonstrava emoções daquela forma. Ela segurou minha mão lentamente.

— Você não pode continuar enterrado dentro desse apartamento, Alexander. Sua empresa precisa de você. Sua família precisa de você. — Ela apertou levemente meus dedos. — Eu preciso do meu amigo de volta.

Desviei o olhar imediatamente.

Cinco anos. Cinco malditos anos afastado daquele mundo. Dos encontros. Das festas privadas. Dos clubes. Do BDSM.

Madeleine odiava aquilo. Ela nunca conseguiu aceitar completamente aquela parte de mim. E eu tentei mudar. Tentei ser o marido perfeito. O homem normal. Mas homens como eu nunca eram normais.

— Você era feliz naquele mundo — Lydia continuou. — Volte a ser um Dominador.

Uma risada seca escapou da minha garganta.

— Acho que não consigo mais.

Ela franziu levemente a testa.

— Por causa da Madeleine?

Fechei os olhos por um instante.

— Por causa da Dominik.

O silêncio caiu imediatamente sobre o quarto. Até Lydia pareceu surpresa pela honestidade brutal daquela resposta. Passei as mãos pelo rosto cansado.

— Depois do que aconteceu entre nós… eu nunca mais consegui ser o mesmo.

As lembranças vieram violentamente. Dominik ajoelhada diante de mim. Os olhos brilhando confiança absoluta. Entregando-se completamente. E eu destruindo tudo. Porque homens quebrados sempre destroem as pessoas que mais amam.

— Tentei seguir em frente — continuei. — Tentei com a Samantha... mas não funcionou.

Lydia soltou lentamente minha mão antes de se levantar.

— Espere aqui.

Observei-a sair do quarto confuso. Alguns minutos depois, levantei-me e fui até o closet trocar de roupa. Precisava parecer minimamente apresentável.

Quando retornei ao quarto, Lydia estava voltando segurando sua agenda pessoal. Meu estômago apertou imediatamente. Ela arrancou uma folha e escreveu algo rapidamente. Então estendeu o papel para mim.

— Tenho a sensação de que vou me arrepender disso.

Peguei o papel devagar. Era um endereço.

— O que é isso?

Lydia cruzou os braços.

— Dominik estará nesse evento esta noite.

Meu coração parou. Literalmente. Por alguns segundos fui incapaz de respirar direito.

— Você está brincando comigo?

— Não estou.

Voltei a olhar o endereço. Era em Seattle. Uma festa privada. Dominik. Depois de cinco anos... Cinco malditos anos.

Lydia aproximou-se novamente.

— Vocês precisam conversar. Resolver o passado. Mesmo que seja para seguir caminhos separados depois disso.

Engoli em seco. Minha mente já estava um caos.

— Dominik trabalha com o quê hoje?

Lydia hesitou brevemente.

— Ela é designer de interiores.

Assenti devagar.

Aquilo fazia sentido. Dominik sempre teve talento artístico. Mas Lydia ainda não havia terminado.

— E também trabalha como acompanhante de luxo em alguns eventos.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios.

— Uau… de submissa a prostituta de luxo. Que evolução.

O olhar de Lydia endureceu instantaneamente.

— Não faça isso.

— Estou apenas dizendo a verdade — retruquei.

— Não. Está tentando fugir da culpa.

Ela aproximou-se perigosamente.

— Quem a viciou em prazer, submissão e intensidade foi você.

As palavras dela me atingiram como um soco.

— Se Dominik está onde está hoje… boa parte da culpa é sua.

Desviei o olhar imediatamente, porque ela estava certa. Lydia respirou fundo tentando recuperar a calma.

— Preciso ir. Tenho um jantar de noivado daqui a pouco.

Antes de sair do quarto, ela apontou para a cama.

— Descanse pelo menos uma hora antes de sair. Você ainda está bêbado.

Revirei os olhos.

— Sim, senhora.

Ela sorriu de lado pela primeira vez naquela noite, então foi embora. Fiquei sozinho outra vez, mas agora tudo estava pior, porque Dominik voltara a existir dentro da minha cabeça de forma impossível de ignorar.

Deitei-me na cama encarando o teto.

“O que eu diria para ela quando a encontrasse?”

“Desculpa por destruir você?”

“Desculpa por escolher outra mulher?”

“Desculpa por fugir como um covarde?”

Nada parecia suficiente.

Acabei adormecendo por algum tempo. Quando acordei, já estava quase em cima da hora do evento. Levantei rapidamente e comecei a me arrumar.

Terno preto. Relógio. Perfume... Então coloquei a máscara invisível da calmaria. A mesma que sempre usei a vida inteira para esconder o caos dentro de mim.

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A festa já estava lotada quando cheguei à mansão. Assim que informei meu nome na entrada, o segurança confirmou imediatamente que eu estava na lista de convidados. Lydia planejara tudo.

Entrei no salão observando as pessoas ao redor. Música clássica. Champanhe caro. Milionários sorrindo falsamente. Mulheres lindas vendendo versões aperfeiçoadas de si mesmas. O ambiente perfeito para homens perigosos. Então comecei a procurá-la.

Meu coração batia forte demais. Até que a vi do outro lado do salão.

Por um instante não tive certeza. Ela estava diferente. Mais mulher. Mais sofisticada. Mais perigosa. O cabelo agora se encontrava loiro. Mas então ela sorriu para alguém... E eu soube imediatamente. Porque nenhum homem no mundo esqueceria aquele sorriso.

Dominik. Minha Dominik...

Meu corpo inteiro enrijeceu. Ela estava absurdamente linda. O vestido preto abraçava cada curva do corpo dela de forma pecaminosa. E havia um homem ao lado dela. Mais velho que eu. Rico. Tocando sua cintura como se tivesse direito sobre ela.

Um ciúme violento queimou meu peito. Mas eu não tinha direito algum de sentir aquilo.

Observei enquanto ela se afastava acompanhada de outras duas mulheres, então minhas pernas começaram a andar sozinhas em direção a ela.

Eu precisava falar com Dominik. Precisava. Mas então... Ela olhou para mim. E o mundo inteiro pareceu parar. Nossos olhos se encontraram através do salão lotado. Meu coração quase saiu pela boca.

Dominik congelou. E eu também.

Cinco anos desapareceram naquele único segundo. Todas as memórias voltaram violentamente. As noites. Os gemidos. Os olhos dela implorando por mim. O jeito como me amava.

Assim que ela desviou o olhar por um segundo, virei-me rapidamente e saí do seu campo de visão. Como um covarde. Depois de uns minutos, criei coragem e retornei ao salão. Nossos olhares se prenderam novamente um no outro como planetas em órbitas de colisão.

E então veio a culpa. Pesada. Sufocante. Humilhante. Eu queria ir até ela. Queria dizer tudo. Mas não consegui dar um passo à frente. Porque no fundo sabia: Eu não merecia sequer olhar para Dominik outra vez.

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