Capítulo 6 🌸6🌸

DOMINIK

🌸🌸🌸

— Querido, preciso retocar a maquiagem — sussurrei no ouvido de Ewan alguns minutos depois.

Ele desviou a atenção dos empresários com quem conversava e pousou os olhos em mim imediatamente. Mesmo cercado por pessoas influentes, Ewan sempre parecia focado em cada mínimo movimento meu.

— Claro, minha querida.

Os dedos dele deslizaram lentamente pela minha cintura antes de me soltar.

— Não demore.

Forcei um sorriso suave, assentindo.

— Prometo.

Afastei-me do grupo tentando manter a postura elegante enquanto caminhava pelo enorme salão iluminado. O som das taças se chocando, das risadas artificiais e da música clássica parecia distante demais dentro da minha cabeça. Porque eu só conseguia pensar em Alexander.

Meu coração ainda estava acelerado desde o instante em que nossos olhares se cruzaram pela segunda vez naquela noite. Cinco malditos anos... E bastou um único olhar para que tudo voltasse. A dor. O desejo. A humilhação. A obsessão.

Respirei fundo enquanto atravessava um dos corredores mais vazios da mansão. Precisava falar com Lydia imediatamente. Precisava entender o que diabos estava acontecendo. E principalmente... Precisava confirmar se aquele reencontro havia sido coincidência. Ou uma armadilha.

Meus saltos ecoavam discretamente pelo corredor comprido revestido em madeira escura. Lustres dourados iluminavam parcialmente o ambiente, criando sombras elegantes e perturbadoras nas paredes.

Olhei várias vezes para trás. Paranoia talvez. Ou instinto.

Porque uma parte de mim tinha absoluta certeza de que Alexander ainda estava naquela casa. Observando. Esperando.

Meu estômago apertou. Continuei andando até encontrar uma porta dupla no fim do corredor. Sem pensar muito, girei a maçaneta e entrei rapidamente. Era uma biblioteca. Luxuosa. Rústica.

O ambiente cheirava a madeira antiga, couro e livros caros. Havia estantes enormes ocupando quase toda a parede, além de sofás escuros próximos a uma lareira apagada.

Fechei a porta imediatamente atrás de mim e a tranquei. Só então consegui respirar melhor. Caminhei até uma das janelas altas enquanto puxava o celular da bolsa.

Disquei o número de Lydia. Chamou uma vez. Duas. Nada. Provavelmente ela ainda estava no jantar de noivado. Tentei novamente e dessa vez ela atendeu no terceiro toque.

— Se estiver ligando por causa da Amy, já estou sabendo.

Fechei os olhos por um segundo.

“Claro.”

Jodie e Ella haviam corrido contar. Duas cobras.

— Lydia, por favor, não castigue a Amy — pedi imediatamente. — Ela estava nervosa.

— Eu não treino garotas para ficarem nervosas, Dominik.

A voz dela saiu fria como sempre.

— Eu sei. Já conversei com ela e isso não vai se repetir — informei afastando discretamente parte da cortina e observando o jardim escuro do lado de fora. — Quero ficar responsável por ela. Se Amy cometer outro erro, você pode me punir no lugar dela.

O silêncio durou alguns segundos. Lydia raramente reconsiderava decisões. Mas comigo era diferente. Porque eu era uma das veteranas. Uma das poucas em quem ela realmente confiava.

— Tudo bem — respondeu por fim. — Mas continuaremos essa conversa depois.

Soltei o ar devagar.

— Obrigada.

— E Dominik... — estranhamente meu corpo enrijeceu. — Tome cuidado esta noite.

Antes que eu pudesse perguntar o que aquilo significava, a ligação foi encerrada. Franzi a testa encarando a tela apagada do celular. Aquilo definitivamente não parecia um aviso comum.

Guardei o aparelho lentamente na bolsa e permaneci parada diante da janela por alguns segundos observando o jardim mergulhado na penumbra. As árvores balançavam suavemente com o vento noturno. Tudo parecia calmo. Mas eu não conseguia relaxar.

— Um problema resolvido... — murmurei baixo para mim mesma. — Agora só preciso sobreviver ao resto dessa festa cheia de milionários esnobes.

— Entediada com a festa?

Meu corpo inteiro se arrepiou instantaneamente. A voz... Aquela maldita voz.

“Meu Deus...”

Virei-me rápido demais, sentindo o coração disparar violentamente. Olhei ao redor da biblioteca. Nada. O silêncio voltou a preencher o ambiente. Minha respiração ficou irregular. Talvez eu estivesse ficando louca. Talvez fossem os drinques. Ou talvez...

— Aqui em cima.

Ergui os olhos imediatamente e o vi.

Alexander estava escorado no parapeito do segundo andar da biblioteca particular. Observando-me. Meu estômago despencou.

Seu terno preto e elegante fazia com que sua presença se misturasse à penumbra do andar de cima. Havia algo diferente nele. Algo quebrado. Os olhos cinzentos pareciam mais escuros. Cansados. Perigosamente intensos.

Mesmo distante, eu conseguia perceber. Alexander Foster estava destruído. E ainda assim... Continuava absurdamente bonito.

“Droga!”

— O que está fazendo aqui? — perguntei tentando controlar o tremor da minha voz.

Ele ignorou a pergunta. Em vez disso, começou a descer lentamente a escada lateral. Cada passo parecia calculado. Predatório. Meu corpo inteiro entrou em alerta.

— Oi, Dominik.

A forma como ele pronunciou meu nome fez meu peito apertar dolorosamente. Por um segundo, senti-me novamente a garota de dezenove anos completamente apaixonada pelo homem errado. Mas forcei minha postura firme.

— Oi, Alexander.

Ele parou a poucos metros de mim. Perto demais.

— Ouvi dizer que virou uma acompanhante de luxo.

A frase veio carregada de julgamento. Meu sangue ferveu imediatamente.

“Claro que isso já devia ter chegado aos ouvidos dele. Provavelmente havia sido Lydia.”

Cruzei os braços lentamente.

— Também ouvi dizer que o grande Alexander Foster virou um alcoólatra antissocial que vive trancado dentro do apartamento — rebati e vi o maxilar dele tensionar então continuei. — Mas pelo visto nem tudo que ouvimos é verdade, não é?

Alexander permaneceu em silêncio, apenas me encarando. A intensidade daquele olhar ainda me fazia perder o ar. Então ele deu um passo à frente e eu instintivamente recuei.

“Droga!”

O pior era perceber que meu corpo ainda reagia a ele.

— Está com medo de mim? — Alexander perguntou baixo.

Engoli em seco e neguei rapidamente. Mas era mentira. Eu estava aterrorizada. Porque ninguém jamais me machucou como Alexander Foster o fez. Ninguém.

Ele avançou mais um passo e eu recuei novamente. A biblioteca parecia pequena demais de repente. Sufocante demais.

— Vamos sair daqui — ele disse calmamente. — Precisamos conversar.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios.

— Conversar? — meu tom saiu mais agressivo do que eu pretendia. — Obrigada pelo convite, mas não.

Os olhos dele escureceram perigosamente.

— Dominik...

— Não.

Alexander aproximou-se ainda mais. Agora eu conseguia sentir o perfume dele. O mesmo perfume de anos atrás. O mesmo cheiro que impregnava meus lençóis depois das noites em seu apartamento.

Meu coração começou a bater descompassado.

“Odeio você! Odeio você! Odeio você!”

Mas meu corpo parecia não acreditar naquilo.

— Precisamos ter uma conversa particular para resolvermos o passado — ele insistiu.

A raiva finalmente venceu o medo então dei um passo à frente.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo