Capítulo 1

Na minha vida passada, meu amigo de infância — o quarterback estrela — jogou fora a bolsa na Ivy League por causa de uma vagabunda, chegando até a se meter em tráfico de drogas. Quando tentei tirá-lo do fundo do poço, fui esfaqueada por membros de gangue numa noite fria e chuvosa.

E lá estava ele na delegacia, agarrando aquela garota ordinária, dizendo aos policiais: "Emma mereceu. Sempre se metendo, tentando controlar a minha vida."

Na segunda vez, voltei para o dia em que ele me implorou para encobri-lo com o treinador para poder levar aquela garota para fazer um aborto.

Olhei nos olhos desesperados dele e dei meu sorriso mais doce, pegando o atestado falso: "Não se preocupe, eu cubro você."

Eu morri por você da última vez. Agora é a sua vez.


Ponto de vista de Emma

"Emma, POR FAVOR! Diz pro treinador Miller que eu tive cólicas estomacais e fui pro hospital. A Casey tá sozinha na clínica — ela tá desmoronando sem mim. Eu PRECISO estar lá por ela!"

A voz frenética explodiu nos meus ouvidos.

Abri os olhos de repente, ofegando por ar. Meu estômago ainda latejava com a dor fantasma de uma faca. Agarrei meu abdômen, mas, em vez de sangue quente, senti o algodão liso do meu uniforme.

À minha frente se estendia o corredor iluminado da escola. Luke estava ali, com seu uniforme azul e branco, o cabelo loiro bagunçado, o pânico estampado no rosto enquanto segurava meus ombros.

Lá vamos nós de novo.

Tudo voltou de uma vez — amanhã era a semifinal estadual, o jogo que decidiria a bolsa integral de Luke para a USC.

E, claro, bem AGORA, aquela rata de rua da Casey estava grávida do bebê de algum cara qualquer, chorando no telefone para que Luke segurasse sua mão durante um aborto.

Da última vez, agi como uma espécie de santa, agarrei o braço dele, IMPLORANDO para que não jogasse o futuro fora. Luke ficou, mas entregou o jogo de propósito por despeito. Depois, me culpou por tudo. A partir dali, ele saiu completamente dos trilhos — matando aula com Casey, usando drogas, zanzando pelos conjuntos habitacionais.

E eu? Tentei tirá-lo daquele esgoto com meu próprio fundo da faculdade, só para acabar cercada num beco pelo namorado ex-presidiário de Casey e esfaqueada treze vezes.

Enquanto eu sangrava até morrer no asfalto, Luke corria rua abaixo de mãos dadas com Casey. Ele nem sequer olhou para trás.

"Emma! Você tá me OUVINDO?" Luke apertou mais o meu braço, irritado. "A Casey tá arrasada — ela tá desmoronando sem mim. Você é a melhor aluna. O treinador confia em você mais do que em qualquer um. Só me encobre dessa vez. Ninguém vai questionar."

Fiquei encarando aquela expressão de mártir dele e quase ri.

Como eu já pude pensar que ele era algum tipo de garoto de ouro? Era só mais um idiota no cio pensando com a cabeça de baixo.

"Claro." Afastei as mãos dele.

Luke congelou. Claramente não esperava que eu cedesse tão fácil assim.

— Você... vai me ajudar?

— Claro. — Sorri docemente, tirando o atestado médico falsificado dos dedos dele. — A Casey realmente precisa de você agora. O jogo é importante, mas como isso pode se comparar ao amor verdadeiro? Você devia ir. Não a faça esperar.

O rosto de Luke se iluminou, e ele me puxou para um abraço rápido. — Emma, você é a MELHOR amiga de todas! Você entende mesmo! Vou te pagar uma pizza quando voltar!

Ele se virou e disparou em direção à saída.

Observei sua figura se afastando com olhos frios.

Melhor amiga? Olhar para você me dá nojo.

Naquela tarde, durante o treino, quando o técnico Miller percebeu que seu quarterback titular estava desaparecido, seu rosto escureceu como uma tempestade.

— Onde DIABOS está o Luke? Temos a semifinal amanhã, e ele apronta essa merda?!

Respirei fundo e me aproximei com o atestado.

— Técnico Miller, o Luke me pediu para lhe entregar isto. — Estendi o papel. — Ele disse que as cólicas no estômago estavam muito fortes... que teve de ir para o pronto-socorro.

O técnico Miller arrancou o papel da minha mão, passou os olhos por ele e então soltou uma risada amarga. — Cólicas no estômago, uma ova! Eu vi esse moleque de merda na moto dele no estacionamento trinta minutos atrás! — Ele me lançou um olhar afiado. — Emma, você é uma boa garota. Não minta por aquele desperdício de espaço.

Baixei o olhar, deixando transparecer a medida exata de conflito. — Desculpe, técnico. Só estou passando o recado dele. Não sei de mais nada.

O técnico deixou passar. Rasgou o atestado em pedacinhos. — ÓTIMO! Ele não quer jogar? Então nunca mais pisa no meu campo! Preparem o reserva — ele vai ser o titular amanhã!

Voltei para o meio da multidão, ouvindo os companheiros detonarem o Luke sem sentir absolutamente nada.

Luke, você achou que podia ter tudo? Deu um passo maior que a perna.

Depois da aula, em vez de ir à casa de Luke para lhe dar aula de reforço como de costume, fui direto para a biblioteca.

Abri meu laptop e entrei no portal de admissão antecipada da Ivy League. Faltavam menos de dois meses para o prazo final, e meu histórico era sólido. Eu só precisava lapidar minha redação pessoal até a perfeição.

Da última vez, eu tinha desperdiçado tempo demais limpando a bagunça de Luke, fiz minhas redações de candidatura de qualquer jeito e acabei em uma universidade estadual qualquer. Desta vez, eu não desperdiçaria um único segundo com peso morto.

Às oito da noite, fechei o laptop. A tela do meu celular se acendeu com uma mensagem de Luke.

A foto mostrava Casey apoiada no ombro dele, segurando um milk-shake barato, os dois sorrindo para a câmera como idiotas.

A legenda dizia: “Obrigada por me encobrir. Ela finalmente aceitou ser minha namorada! Vamos ficar juntos para SEMPRE!”

Dei uma olhada uma única vez e apaguei.

Para sempre? Vamos ver.

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