Capítulo 2

Ponto de vista de Emma

Levamos uma surra, tudo graças ao Luke.

No jogo da semifinal, na tarde seguinte, a Redwood High desandou com o quarterback reserva. Jogadas perdidas, marcação estourada — fomos massacrados por 28 a 7 pelos nossos maiores rivais.

O técnico Miller quebrou dois quadros brancos no vestiário e anunciou a suspensão por tempo indeterminado do Luke, além de retirar a recomendação da bolsa esportiva dele na USC.

A notícia se espalhou rápido. Caminhando pelos corredores com meus livros, eu ouvia o nome do Luke em todo canto.

— Vocês ouviram? O Luke foi expulso do time.

— Bem-feito por faltar à semifinal. Ouvi dizer que foi por causa daquela Casey do South Side.

— Você fala da Casey tatuada que foi pega roubando em loja no mês passado? O cara pirou de vez.

Atravessei a multidão de cara fechada e abri meu armário.

— Emma! — uma voz furiosa chamou atrás de mim.

Virei e vi a mãe do Luke, Linda Smith, vindo na minha direção, batendo os saltos altos no chão. O rosto bem cuidado dela estava tenso de pânico e raiva, com os olhos vermelhos nas bordas.

— Linda, o que você está fazendo aqui?

— Emma, me diga a VERDADE — para onde o Luke foi ontem?! — Ela agarrou meu pulso, as unhas cravando na minha pele. — O técnico Miller disse que ele nem passou no hospital! Ele perdeu a bolsa integral, e o pai dele está destruindo a casa inteira! Vocês dois vivem grudados — você TEM que saber onde ele estava, não tem?

Vendo a Linda desmoronar, eu não senti nada.

Da última vez, quando o Luke chegou ao fundo do poço, os pais dele nunca assumiram responsabilidade. Em vez disso, invadiram minha casa, gritando que eu tinha corrompido o filhinho precioso deles. Mesmo depois que eu morri, disseram para todo mundo que eu era obcecada pelo Luke e que eu tinha procurado isso.

— Linda, você está me machucando. — Puxei meu pulso de volta e esfreguei as marcas vermelhas.

Linda piscou, claramente sem esperar resistência da certinha da Emma.

— Sinto muito, Linda. Mas eu realmente não sei. — Encarei os olhos dela, a voz sincera, porém distante. — O Luke só me entregou um atestado ontem para eu repassar. Você sabe como a época de inscrições é uma loucura — tenho ficado na biblioteca até fechar todas as noites. Faz semanas que eu não volto para casa com o Luke. Talvez você devesse perguntar a ele diretamente?

— Perguntar? Ele nem voltou para casa ontem à noite! — Linda cobriu o rosto, e as lágrimas transbordaram. — Emma, você pode, por favor, falar com ele? Ele sempre te escuta. Me ajuda a trazer ele de volta pra casa?

Lá estava de novo — aquela chantagem moral, cheia de direito.

Dei um passo para trás, criando distância entre nós. — Desculpa, Linda. Tenho um simulado importante de Física AP hoje à tarde. O Luke já tem dezoito anos. Ele pode decidir a própria vida. Não cabe a mim me meter.

Virei e entrei na sala de aula, ignorando a expressão atônita da Linda.

Cada dia da temporada de inscrições importava. Eu não ia perder mais um segundo com peso morto.

Na semana seguinte, Luke virou um pária na escola. Já não era mais o quarterback dourado; até os antigos colegas de time passaram a ignorá-lo por ele ter custado a eles o campeonato.

Mas ele não parecia se importar. Se tanto, estava se afogando na própria fantasia de herói trágico.

Na festa numa casa, na sexta-feira, minhas amigas me arrastaram para lá. No instante em que entrei no quintal, vi Luke e Casey largados perto da piscina.

Casey usava um vestido regata que mal cobria o corpo, um cigarro pendurado entre os dedos enquanto soprava argolas de fumaça. Luke estava estendido no colo dela como um cachorrinho apaixonado, olhando para ela com devoção total.

— Ora, ora, vejam só quem está aqui: a Senhorita Perfeita. Nossa nerd oficial, Emma — Casey me viu primeiro, com um sorriso de desdém.

Todo mundo se virou para olhar. Luke ergueu o rosto; algo vacilou nos olhos dele antes de ele vestir a nova pose de rebelde.

— Emma, o que você está fazendo aqui? Isso não é aula de cálculo. — Luke apertou o braço em volta da cintura de Casey, lançando-me um olhar desafiador.

Eu dei um gole no refrigerante e observei os dois com calma.

— Só passando.

— Luke, sua namoradinha é um puta balde de água fria. — Casey sacudiu a cinza no gramado, rindo. — Ouvi dizer que ela nunca nem teve namorado por causa dessa coisa de se preparar pra faculdade. Não como a gente… A gente abriria mão de TUDO um pelo outro.

— Com certeza. — Luke olhou para Casey como se ela tivesse pendurado a lua no céu e anunciou, alto: — Quem liga pra bolsa? Quem liga pra futebol? Contanto que eu esteja com você, eu jogo tudo fora. Essa porra toda não vale nada quando você tem amor de verdade!

Tosses constrangidas correram pela multidão. Até o pessoal das festas olhava para Luke como se ele tivesse enlouquecido.

Vendo aquela encenação do Luke, eu quase fiquei impressionada. Ele realmente conseguia fazer a idiotice parecer romântica.

— O que te fizer feliz. — Soltei essas palavras e fui embora.

Eu costumava achar que ele só estava confuso. Agora eu entendia: ele era só um idiota completo, absoluto. Se ele amava tanto destruir a própria vida, eu ia assistir com prazer enquanto ele cavava a própria cova.

Naquela noite, sentei à minha escrivaninha folheando catálogos de cursos das faculdades que eu tinha como alvo, imaginando a vida na universidade. Eu já tinha enviado todas as minhas inscrições — agora vinha a longa espera. Só apaguei a luz às duas da manhã.

Quando eu estava começando a pegar no sono, ouvi batidinhas suaves do lado de fora da minha janela.

Franzi a testa e puxei uma ponta da cortina.

Luke estava do lado de fora da janela do meu quarto no térreo, com a roupa coberta de lama e um hematoma feio escurecendo o rosto.

Quando me viu, os olhos dele ficaram desesperados, formando palavras que eu não consegui entender.

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